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Close-up of a person in nude-colored underwear with hands on their thighs, illustrating an article about vaginismus

Fotografia via Envato. Foto de banco de imagens. Modelo posando para a foto.

Tempo de leitura: 16 min

Tudo sobre o vaginismo

Sintomas, causas e tratamentos

Coisas importantes a saber:

  • O vaginismo é uma contração involuntária dos músculos ao redor da vagina, que pode tornar a penetração vaginal dolorosa ou impossível.

  • Os sintomas podem incluir sensação de aperto, ardência, dor em pontadas e medo ou ansiedade antes ou durante a penetração vaginal.

  • Não existe uma causa única e claramente definida, mas o medo da dor, experiências anteriores e determinadas condições de saúde podem contribuir para o vaginismo.

  • Muitas pessoas apresentam melhora com o tratamento, que costuma combinar fisioterapia do assoalho pélvico, dilatadores vaginais e psicoterapia.

  • Registrar seus sintomas no Clue app pode te ajudar a se preparar melhor para conversar sobre o vaginismo com profissionais de saúde.

O que é vaginismo?

O vaginismo é uma condição em que os músculos ao redor da vagina se contraem involuntariamente durante uma tentativa de penetração vaginal (1). Isso pode acontecer ao tentar introduzir um pênis, dedo, brinquedo sexual ou absorvente interno na vagina (1).

Também pode ocorrer durante a parte interna de um exame pélvico, quando um profissional de saúde tenta introduzir um dedo ou instrumento médico, como um espéculo, na vagina (2).

Essa contração muscular é involuntária, ou seja, a pessoa não escolhe conscientemente contrair esses músculos (3). A contração pode tornar a penetração vaginal dolorosa ou, em alguns casos, impossível (4).

O vaginismo pode manifestar-se desde a primeira tentativa de penetração vaginal ou se desenvolver depois de um período em que a penetração não causava desconforto (3). Qualquer pessoa com vagina pode ter vaginismo (3). Existem tratamentos disponíveis, mas a abordagem mais adequada depende dos sintomas de cada pessoa e dos fatores que podem estar contribuindo para a condição (4).

Qual é a frequência do vaginismo?

Estima-se que o vaginismo afete entre 1 e 6 a cada 100 mulheres e pessoas com vagina (4). No entanto, ainda não se sabe exatamente qual é a frequência dessa condição, já que algumas pessoas podem não procurar atendimento médico ou não receber um diagnóstico (4).

Sintomas do vaginismo: como é a sensação?

O vaginismo pode afetar cada pessoa de maneira diferente. Essa condição envolve sintomas físicos, mas também pode provocar reações emocionais relacionadas à penetração vaginal (2,4).

Os músculos ao redor da vagina podem se contrair antes ou durante uma tentativa de penetração (4). A pessoa pode sentir a abertura da vagina apertada, ardência ou dor em pontadas (3,4). A penetração vaginal pode ser difícil, dolorosa ou impossível (5). Durante uma relação sexual com penetração do pênis na vagina, a pessoa que penetra pode ter a sensação de que o pênis está "batendo em uma parede" (2).

Em alguns casos, o medo ou a ansiedade surgem antes mesmo da tentativa de penetração vaginal, especialmente quando a pessoa espera sentir dor (4). Isso pode levá-la a evitar a penetração vaginal ou outras formas de intimidade, e seu interesse por sexo pode diminuir (4). No entanto, pessoas com vaginismo ainda podem sentir excitação sexual e desfrutar de outras atividades sexuais que não envolvam penetração vaginal (3).

Os sintomas do vaginismo podem afetar a autoestima, o bem-estar emocional e os relacionamentos (6). Falar sobre sexo pode ser difícil, por isso algumas pessoas preferem não compartilhar seus sintomas. Isso pode intensificar sentimentos de vergonha ou isolamento (7).

Vaginismo primário e secundário

Profissionais de saúde classificam o vaginismo de acordo com o momento em que os sintomas começaram (8):

  • Vaginismo primário (também chamado de vaginismo ao longo da vida): os sintomas começaram na primeira tentativa de penetração vaginal, e a penetração nunca foi possível sem contração dos músculos vaginais ou dor (5,7).

  • Vaginismo secundário (também chamado de vaginismo adquirido): a penetração vaginal era possível e não causava dor anteriormente, mas passou a ser dolorosa ou difícil, por exemplo, após um trauma físico, uma infecção ou um parto (5,7).

Vaginismo generalizado e situacional

Profissionais de saúde também classificam o vaginismo de acordo com as situações em que os sintomas ocorrem (7). Quando os sintomas ocorrem com todos os tipos de penetração vaginal, a condição é chamada de vaginismo generalizado ou global (7).

Quando os sintomas ocorrem apenas com determinados tipos de penetração, a condição pode ser chamada de vaginismo situacional (7). Por exemplo, uma pessoa pode inserir um absorvente interno sem sentir dor ou contração muscular, mas apresentar sintomas de vaginismo durante o sexo ou um exame vaginal.

O que causa o vaginismo?

Pesquisadores ainda não identificaram uma causa única e claramente definida para o vaginismo. O medo da penetração vaginal, a expectativa de sentir dor e a resposta muscular automática do corpo parecem estar envolvidos (7,9).

Experiências dolorosas e crenças que provocam medo em relação à penetração também podem contribuir para a condição (7,9). No entanto, nem todas as pessoas com vaginismo conseguem identificar o que desencadeia os sintomas, e mais de um fator pode estar envolvido.

Esses fatores podem incluir os seguintes (7,9):

Medo, contração muscular e dor

Em pesquisas, mulheres com vaginismo apontaram o medo de sentir dor como o motivo mais comum pelo qual acreditavam ter desenvolvido a condição (7). Esse medo pode surgir simplesmente da expectativa de que a penetração será dolorosa, mesmo que a pessoa nunca tenha sentido dor durante a penetração anteriormente (7,9).

O medo de que a penetração cause dor pode fazer com que os músculos do assoalho pélvico (os músculos que envolvem a vagina) se contraiam automaticamente (7). Isso pode tornar a penetração dolorosa ou difícil, aumentando o medo antes da próxima tentativa e criando um ciclo de medo, contração muscular e dor (7,9).

Algumas pessoas evitam completamente a penetração vaginal, o que pode dificultar a superação do medo e perpetuar esse ciclo (7).

Fatores físicos

Determinadas condições de saúde e experiências podem tornar a penetração vaginal dolorosa. Entre elas estão (9,10):

Experiências dolorosas durante o sexo, exames vaginais ou o parto também podem contribuir (3,7).

Uma possível explicação é que, após uma experiência dolorosa durante a penetração, o medo de sentir dor novamente pode desencadear uma contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico antes ou durante uma nova tentativa de penetração (9,10).

Até o momento, estudos controlados não confirmaram que essas condições ou experiências causem vaginismo. Pesquisadores as consideram possíveis fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da condição, e não causas comprovadas (9).

Fatores emocionais e psicológicos

Uma pessoa com vaginismo também pode ter medo de que a penetração vaginal cause lesões, sangramento ou perda de controle (7). Esses medos podem surgir de coisas que a pessoa ouviu ou leu, mesmo que nunca tenha sentido dor durante a penetração (7).

Crescer acreditando que o sexo é algo vergonhoso ou errado é outro fator relatado por algumas pessoas (7). Pesquisadores consideram essas crenças possíveis fatores que contribuem para o vaginismo, mas diversos fatores podem estar envolvidos no desenvolvimento da condição (7).

Outro possível fator é ter vivenciado traumas ou abusos sexuais no passado (7). No entanto, os estudos não demonstraram de forma consistente que pessoas com vaginismo tenham vivenciado traumas sexuais com mais frequência do que outras pessoas. Além disso, muitas pessoas com vaginismo não têm histórico de trauma sexual (7,9).

Existe apoio disponível para todas as pessoas que passaram por traumas ou abusos sexuais. O Diretório Global NO MORE reúne serviços de apoio em mais de 200 países.

Quando não existe uma causa clara

Às vezes, uma pessoa não consegue identificar nenhuma condição física, experiência dolorosa ou medo específico que explique seus sintomas (3). Isso não significa que os sintomas sejam menos reais. Também não significa que a pessoa seja responsável por eles. Mesmo quando não é possível identificar um fator que desencadeie o vaginismo, a contração muscular continua sendo involuntária (3).

Vaginismo, vulvodínia e outras condições semelhantes: quais são as diferenças?

O vaginismo, a vulvodínia e a dispareunia podem causar dor durante o sexo ou a penetração vaginal. No entanto, cada termo descreve uma condição diferente. Veja em detalhe quais são as diferenças (3,11,12):

Vaginismo

Vulvodínia

Dispareunia

Definição

Contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico quando há expectativa ou tentativa de penetração.

Dor na vulva que persiste por pelo menos 3 meses, sem uma causa claramente identificada.

Termo médico abrangente para dores genitais persistentes ou recorrentes associadas ao sexo.

Quando acontece

Antes ou durante uma tentativa de penetração vaginal.

A dor pode surgir espontaneamente ou ser desencadeada por toque ou pressão, como durante o sexo ou ao inserir um absorvente interno.

Antes, durante ou depois do sexo.

Relação com as outras condições

Pode causar dispareunia e ocorrer junto com a vulvodínia.

Pode causar dispareunia e ocorrer junto com o vaginismo.

O vaginismo, a vulvodínia, as infecções e a secura vaginal estão entre as possíveis causas.

Estas condições podem causar sintomas semelhantes e, às vezes, ocorrer ao mesmo tempo. Um profissional de saúde pode ajudar a identificar qual condição, ou combinação de condições, explica melhor seus sintomas (10).

Como o vaginismo é diagnosticado?

O diagnóstico do vaginismo geralmente começa com uma conversa sobre seus sintomas. O profissional de saúde pode fazer perguntas sobre sua saúde geral, experiências anteriores com penetração vaginal, vida sexual, relacionamentos e possíveis medos ou ansiedades relacionados à penetração (4).

Com seu consentimento, o profissional também pode realizar um exame pélvico interno. Isso ajuda a entender em quais situações seus sintomas ocorrem e a descartar outras condições de saúde que podem tornar a penetração dolorosa (3,4).

Como encontrar o profissional de saúde adequado

Você pode começar procurando um médico de atenção primária, ginecologista ou clínica de saúde sexual. Consulte o site da clínica ou entre em contato para saber se os profissionais atendem pessoas com vaginismo. Se os exames médicos causam ansiedade, pergunte se o profissional adota uma abordagem sensível ao trauma (13).

Um profissional que adota essa abordagem explica o que esperar antes e durante o exame, oferece opções e te ajuda a manter o controle da situação (13). Você também pode solicitar atendimento com um profissional de um gênero específico ou levar alguém de confiança para te acompanhar (5).

Um profissional de saúde pode encaminhar você a um fisioterapeuta especializado em assoalho pélvico para avaliar e tratar a contração dos músculos dessa região (5). Um terapeuta sexual ou outro especialista também pode fazer parte da equipe responsável pelo seu tratamento (5).

O que acontece durante a consulta?

Para avaliar seus sintomas, o profissional de saúde pode fazer várias perguntas sobre (4):

  • Quando seus sintomas começaram

  • Quais tipos de penetração provocam sintomas

  • Onde você sente dor e como é essa dor

  • Outros sintomas vaginais ou pélvicos

  • Infecções anteriores, cirurgias, lesões decorrentes do parto ou experiências dolorosas

Se você concordar em realizar um exame pélvico, o profissional poderá começar examinando a vulva e a entrada da vagina (4). Isso pode ajudar a identificar infecções, condições de pele, lesões ou outras possíveis causas da dor. O profissional também poderá coletar uma amostra com um cotonete para investigar possíveis infecções (4).

Se você se sentir à vontade, o profissional poderá introduzir lentamente um dedo na vagina para verificar se os músculos do assoalho pélvico estão contraídos ou sensíveis ao toque (4). O exame com espéculo geralmente não é necessário para diagnosticar o vaginismo. Se for necessário por outro motivo, o profissional poderá utilizar um espéculo pequeno, mas essa parte do exame pode não ser possível para todas as pessoas (4).

Você pode recusar qualquer parte do exame ou pedir ao profissional que faça uma pausa ou interrompa o procedimento se sentir dor ou desconforto (4).

Como tratar o vaginismo: opções de tratamento baseadas em evidências científicas

Muitas pessoas apresentam melhora com o tratamento do vaginismo. Uma revisão de pesquisas constatou que quase 8 em cada 10 participantes dos estudos conseguiram ter relações sexuais com penetração após o tratamento (14). O tratamento geralmente combina orientações sobre a anatomia e os músculos do assoalho pélvico com terapias adaptadas aos seus sintomas, aos possíveis fatores envolvidos e às suas preferências (4).

Profissionais de saúde costumam recomendar as seguintes abordagens de tratamento:

Dilatadores vaginais

Dispositivos lisos, feitos de plástico ou silicone, com formato semelhante ao de um absorvente interno (4). Eles estão disponíveis em diferentes tamanhos (4).

Durante o tratamento, você posiciona o dilatador na entrada da vagina e, se possível, o introduz delicadamente (5). Geralmente, o processo começa com um dilatador menor, passando gradualmente para tamanhos maiores (5). Essa prática progressiva pode ajudar a reduzir o medo e ensinar os músculos do assoalho pélvico a relaxar durante a penetração (4).

No início do uso dos dilatadores vaginais, geralmente há orientação de um terapeuta. Depois, você poderá continuar a prática em casa (3). O terapeuta pode te ajudar a escolher o tamanho inicial e a avançar em um ritmo que seja confortável para você.

Fisioterapia do assoalho pélvico

Um fisioterapeuta especializado em assoalho pélvico pode ensinar você a reconhecer, relaxar e controlar os músculos ao redor da vagina (4). Esse tipo de terapia pode incluir exercícios respiratórios, técnicas de relaxamento do assoalho pélvico e biofeedback (3).

O biofeedback utiliza sensores ou imagens de ultrassom para te ajudar a visualizar quando os músculos do assoalho pélvico se contraem e relaxam (15).

Em um pequeno estudo, tanto o uso isolado de dilatadores quanto sua combinação com biofeedback melhoraram a função sexual (16). Pesquisadores observaram que a abordagem combinada proporcionou melhorias maiores em diversos aspectos, como a dor e o desejo sexual (16).

Terapia psicossexual e terapia cognitivo-comportamental

A terapia psicossexual é uma forma de psicoterapia que aborda sentimentos, medos e experiências anteriores relacionados ao sexo ou à penetração que podem estar contribuindo para o vaginismo (3). A terapia cognitivo-comportamental (TCC) também pode fazer parte do tratamento. A TCC te ajuda a identificar e modificar pensamentos que aumentam o medo ou levam você a evitar a penetração (4).

O tratamento também pode incluir a dessensibilização sistemática (4). Essa técnica combina relaxamento com a prática gradual de introdução de um dedo ou dilatador vaginal, ajudando a reduzir o medo e a aumentar o conforto durante a penetração (4).

Se você tem uma pessoa parceira, pode escolher se deseja incluí-la em algumas etapas da terapia (3).

Tratamento de outras causas de dor e uso de medicamentos

A maioria dos medicamentos ainda não foi suficientemente estudada para ser recomendada como tratamento padrão para o vaginismo (4). No entanto, se outra condição, como uma infecção ou vulvodínia, estiver contribuindo para a dor durante a penetração, o profissional de saúde poderá tratar essa condição juntamente com o vaginismo.

Por exemplo, o estrogênio vaginal pode aliviar o ressecamento vaginal relacionado à menopausa que esteja contribuindo para a dor, mas não trata o vaginismo (17).

Alguns profissionais utilizam injeções de toxina botulínica tipo A (Botox) para impedir temporariamente a contração dos músculos do assoalho pélvico. Em um estudo, um programa que combinou Botox, injeções de anestésicos locais, dilatação vaginal e aconselhamento ajudou cerca de 7 em cada 10 participantes a conseguir ter relações sexuais com penetração sem dor em aproximadamente cinco semanas (18).

Até o momento, os estudos são pequenos, e pesquisas controladas de maior porte são necessárias para confirmar a eficácia do Botox (4).

Próximos passos e como defender suas necessidades

Se você se identificou com alguma das situações descritas, lembre-se de que o vaginismo é uma condição involuntária. Você não causou essa condição, e existem tratamentos que podem ajudar (3). Também não é necessário esperar que os sintomas se tornem graves para procurar ajuda.

Veja algumas medidas que você pode tomar:

  • Marque uma consulta. Comece conversando sobre seus sintomas com um médico de atenção primária ou ginecologista (3). Você também pode solicitar um encaminhamento para um fisioterapeuta especializado em assoalho pélvico.

  • Se você tem uma ou mais pessoas parceiras, converse com elas. Falar sobre vaginismo pode fazer você se sentir vulnerável, mas a comunicação é importante. Explique o que é confortável para você e o que não é. Uma pessoa parceira que oferece apoio deve respeitar seus limites e evitar pressionar você a ter relações sexuais com penetração enquanto você se concentra no tratamento.

  • Registre seus sintomas. Com uma assinatura do Clue Plus, você pode usar as Notas Diárias para registrar quando os sintomas ocorrem, o que parece desencadeá-los, como afetam você e como é a dor. Depois, você pode levar essas informações para a consulta.

Como as pessoas parceiras podem ajudar

Se você está apoiando alguém com vaginismo, estas atitudes podem ajudar essa pessoa a se sentir menos só:

  • Evite pressionar a pessoa a ter relações sexuais com penetração enquanto ela se concentra no tratamento

  • Pergunte o que é agradável e o que causa desconforto, e respeite as respostas

  • Explorem outras formas de intimidade que sejam confortáveis para ambas as pessoas

  • Lembre-se de que a contração muscular não é uma escolha

  • Ofereça-se para participar das sessões de terapia, caso a pessoa queira sua presença

Como reconhecer os avanços no tratamento do vaginismo?

Cada pessoa vivencia o vaginismo de maneira diferente. A melhora pode levar tempo, e cabe a você definir o que significa progredir no tratamento, seja sentir menos medo ou ter mais conforto com as formas de intimidade que escolher.

Se um profissional de saúde desconsiderar seus sintomas ou apressar você durante um exame, saiba que você pode defender suas necessidades, fazer perguntas, solicitar outra abordagem ou procurar outro profissional.

Acima de tudo, sua experiência é válida, e expressar suas necessidades é uma parte importante do processo de receber cuidados adequados e encontrar o conforto que você procura.

Perguntas frequentes

É possível engravidar tendo vaginismo?

Sim. Sem tratamento, o vaginismo pode tornar as relações sexuais com penetração difíceis ou impossíveis, mas a gravidez ainda pode ocorrer por outros métodos. Em um estudo, quase 3 em cada 4 casais afetados pelo vaginismo conseguiram engravidar utilizando a inseminação intravaginal em casa (19). A maioria das pessoas participantes tinha menos de 35 anos, e o estudo não acompanhou os nascimentos de bebês vivos (19). Se você está tentando engravidar, converse com um profissional de saúde sobre suas opções.

Quanto tempo leva para tratar ou curar o vaginismo?

Não existe um prazo definido para o tratamento, que pode levar tempo e exigir algumas tentativas até encontrar a abordagem mais adequada (4). Em um estudo, um tratamento que combinou orientações educativas, relaxamento, exercícios graduais de penetração e dilatadores durou, em média, de 4 a 8 sessões, dependendo da gravidade dos sintomas. Cerca de 9 em cada 10 participantes conseguiram ter relações sexuais com penetração sem dor (20). O tempo necessário e os resultados podem variar de acordo com seus sintomas, objetivos e plano de tratamento.

O vaginismo é uma condição física ou psicológica?

O vaginismo frequentemente envolve fatores físicos e psicológicos. Ele provoca uma resposta muscular física e involuntária, mas essa resposta costuma estar relacionada ao medo, à ansiedade ou a experiências anteriores (4,7). Um tratamento eficaz geralmente aborda os aspectos físicos e psicológicos em conjunto, em vez de se concentrar apenas em um deles (4). Isso não significa que os sintomas sejam imaginários ou que você tenha culpa por eles (3).

O exame de Papanicolau ou o exame pélvico pode causar dor em pessoas com vaginismo?

Sim, é possível. O exame de Papanicolau exige a introdução de um espéculo na vagina, o que pode desencadear contração muscular ou dor (4). Para algumas pessoas, o teste de papilomavírus humano (HPV) com autocoleta pode ser uma opção para detectar tipos de HPV de alto risco que podem causar câncer do colo do útero (21). Esse teste não exige o uso de espéculo, mas ainda é necessário introduzir um cotonete ou dispositivo de coleta na vagina (21). Informe ao profissional de saúde que você tem vaginismo e pergunte quais opções são mais adequadas para você.

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