Ilustração: Marta Pucci

Endometriose

Introdução à endometriose

por Anna Druet, Former Science and Education Manager
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*Tradução: Joana de Sousa

Coisas importantes a saber:

  • A endometriose é uma condição de saúde em que tecido semelhante ao do endométrio (como aquele que reveste o útero) está presente em outras partes do corpo

  • A endometriose é uma das principais causas da dor pélvica e da dor durante as relações sexuais

  • Até que se entenda melhor a endometriose, podemos apenas tratar os sintomas, mas não as causas subjacentes

  • As opções de gerenciamento da endometriose incluem medicamentos, cirurgia e mudanças no estilo de vida

O que é a endometriose?

A endometriose é uma doença comum em que tecido semelhante ao endométrio cresce onde não deveria. O tecido endometrial é aquele que cresce no interior do útero e se desprende na menstruação. Na maioria dos casos de endometriose, o crescimento do tecido ocorre dentro da cavidade pélvica nos órgãos e ao seu redor. 

O tecido da endometriose age de maneira semelhante ao que se encontra no interior do útero: cresce, engrossa e tenta se desprender a cada ciclo menstrual. E como o tecido não tem como sair do corpo, pode causar aderências, nódulos e lesões que desencadeiam uma resposta inflamatória (1). Essas complicações podem levar à dor e outras complicações  como a infertilidade (2).

A endometriose pode afetar cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva, embora as estimativas variem amplamente e a prevalência seja provavelmente diferente entre as populações (2, 3). A incidência pode ser menor em mulheres negras e hispânicas, por exemplo (4). Pode ser uma condição difícil de diagnosticar precocemente, porque muitas pessoas não apresentam sintomas e também porque a confirmação do diagnóstico requer um procedimento cirúrgico. Algumas pessoas apresentam sintomas durante anos e consultam vários médicos antes de serem diagnosticadas (5).

Se você acha que pode ter endometriose, rastrear a sua dor, o sangramento e outros sintomas no Clue app poderá fornecer ao seu médico informações que poderão ajudar no diagnóstico e a definir um plano de tratamento. O tratamento precoce poderá reduzir o risco de complicações futuras.

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Quais são os sintomas da endometriose?

Os sintomas da endometriose podem começar no início da adolescência ou mais tarde já na idade adulta (6). Os sintomas podem ocorrer em todos os momentos ou ser cíclicos. Os sintomas cíclicos aparecem e desaparecem à volta do tempo do ciclo menstrual, geralmente ocorrendo na mesma época da menstruação. Os sintomas e o impacto da endometriose podem variar de acordo com a localização do tecido. A endometriose ovariana, por exemplo, é um dos tipos que pode causar infertilidade. Aparentemente, o estágio de avanço da endometriose não se correlaciona com a gravidade dos sintomas (7).

Os sintomas comuns da endometriose incluem:

  • Cólicas pré-menstruais / menstruais muito dolorosas

  • Dor durante ou depois da relação sexual (dispareunia)

  • Movimentos intestinais e / ou micção dolorosos

  • Dor no abdômen, na região lombar ou nas coxas durante o ciclo menstrual

  • Menstruações fortes, intensas

  • Dificuldade em engravidar (infertilidade) (8-11)

A endometriose pode começar na mesma época do primeiro período (menarca). Isso pode levar a pessoa a pensar que um elevado nível de dor é "normal", quando na verdade pode ser causado por endometriose ou por outra condição médica (5-6).

Se você tem dúvidas acerca da sua dor menstrual, converse com seu(ua) médico(a) para ver se a endometriose poderá ser uma das causas.

O que causa a endometriose?

As razões pelas quais o tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero são desconhecidas. Originalmente, acreditava-se que era causado pelo fluir do tecido uterino que voltava pelas trompas de falópio para a cavidade pélvica (isto é, menstruação retrógrada), mas até 9 em 10 pessoas têm menstruação retrógrada e a maioria não desenvolve endometriose, o que deixa em aberto a possibilidade de outros fatores (12, 13).

Adicionalmente, jovens desenvolvem esta condição médica antes de atingirem a menarca (6). Uma das teorias sugere que a endometriose pode desenvolver-se a partir de células endometriais que viajam através dos vasos sanguíneos ou do sistema linfático (14) enquanto uma outra indica que as células fora do útero podem transformar-se em células endometriais (15). No caso de endometriose pré-menarca a investigação relaciona-a com a exposição a hormônios maternos e ao sangramento uterino neonatal (16, 17). O excesso de estrogênio, os fatores genéticos e o sistema imunológico podem desempenhar um papel importante no desenvolvimento desta doença (14,18-21).

Há evidências de que a endometriose tem um forte componente hereditário (21-23). Isso significa que uma pessoa pode ter mais chances de tê-la se alguém da sua família biológica também a tiver. As probabilidades de desenvolver endometriose também aumentam se der à luz mais tarde na vida, se não tiver filhos, se iniciar a menstruação em uma idade mais precoce bem como se tiver uma menopausa tardia, e também se tiver os ciclos menstruais curtos (<28 dias) (22-24). Isto pode acontecer porque a pessoa, ao ter em média mais ciclos menstruais, terá também maior exposição ao estrogênio.

Alguns estudos também demonstram que pessoas com endometriose tendem a ter mais inflamação em geral no seu corpo, bem como níveis mais altos de gorduras "más" vs. gorduras "boas" no sangue (lipoproteínas de baixa densidade vs. lipoproteínas de alta densidade) e também níveis mais altos de estresse oxidativo (25-28). O estresse oxidativo refere-se ao nível de dano causado nas células, tecidos e órgãos do corpo por substâncias como as toxinas ambientais ou os subprodutos gerados pelo nosso metabolismo. Ainda está por entender por que estas características aparecem geralmente em pessoas com endometriose e quais são as suas causas subjacentes.

Por que é importante o diagnóstico de endometriose?

De maneira geral, a endometriose é tipicamente uma condição médica progressiva, o que significa que pode piorar com o tempo (29). A infertilidade é uma complicação comum da endometriose que pode ser evitada com um tratamento precoce.

Perto de metade das pessoas com endometriose vêem os seus níveis de fertilidade reduzidos (30).

Estudos  recentes concluíram que as pessoas com endometriose podem estar em maior risco de desenvolver problemas cardiovasculares, incluindo doenças cardíacas e ataques cardíacos (25). Na origem desse risco podem estar os elevados níveis de inflamação, as gorduras e estresse oxidativo observados em muitas pessoas com endometriose. Por tudo isso, o diagnóstico precoce pode melhorar os resultados no longo prazo. A gestão precoce da doença pode ajudar a atrasar a sua progressão, a reduzir complicações e manter os sintomas sob controle.

Como é diagnosticada a endometriose?

Muitas pessoas com endometriose são tratadas com base nos sintomas que apresentam, sem um diagnóstico formal. Em alguns outros casos, um diagnóstico formal é feito através de uma laparoscopia, uma pequena cirurgia. Nesse procedimento cirúrgico, os médicos fazem uma pequena incisão no abdômen (geralmente menor que de 1,5 cm <=> 0,6 polegadas) e inserem uma câmera para observar a cavidade pélvica, e nalguns casos poderão fazer a recolha de pequenas amostras de tecido, a chamada biópsia.

Profissionais de saúde provavelmente questionarão o seu historial médico e menstrual e farão um exame físico simples. Eles vão querer saber se há dores e se houve quaisquer problemas de fertilidade ou aborto. Se há suspeita de endometriose, pode ainda ser feito:

  • Um exame pélvico

  • Uma ecografia pélvica (sonograma)

  • Uma laparoscopia

Pode ser muito útil monitorar o seu nível de dor e compartilhar essas informações com seu(ua) médico(a). Embora algum desconforto durante a menstruação seja considerado "normal", a dor provocada pela endometriose pode ser muito pior, e é importante comunicar como se sente (5, 31). E você também pode tentar conversar com alguém especializado em ginecologia ou endometriose. Defender a si mesmo seriamente pode ajudar a minimizar o tempo necessário para obter um diagnóstico. É comum que um diagnóstico demore uns 5 anos (ou entre 3-11 anos) após o início dos sintomas (5, 32).

Quais são as opções de diagnóstico e tratamento da endometriose?

A endometriose geralmente dura muitos anos, mas os sintomas são gerenciáveis ​​com o tratamento. Até que se compreenda melhor a endometriose, apenas os sintomas podem ser tratados, mas não as causas subjacentes.

O tratamento da endometriose dependerá dos sintomas e dos objetivos de cada pessoa. Os objetivos podem passar pelo desejo de sentir menos dor ou engravidar. Os sintomas de muitas pessoas são leves o suficiente para que eles optem por não fazer qualquer tratamento, mas ainda assim a endometriose deve ser monitorada, pois pode trazer problemas no futuro.

  • Medicamentos: se a pessoa sentir dor devido à endometriose, médicos normalmente sugerem medicamento para a dor de venda livre. Numa abordagem precoce é também comum a prescrição de alguns medicamentos hormonais (33). Existem outros medicamentos hormonais que também poderão ser prescritos se as abordagens de primeira linha não forem eficazes: os antagonistas do GnRH que impedem a ovulação e podem interromper o espessamento e desprendimento de tecido endometrial (33, 34). Opção diferente, os inibidores da aromatase ajudam com alguns sintomas ao limitar a produção de estrogênio no corpo, no entanto, podem causar fortes efeitos colaterais e geralmente são prescritos após as outras opções terem sido exploradas (33, 35). 

  • Cirurgia: Em alguns casos, o médico poderá sugerir uma laparoscopia para explorar e remover ou destruir cirurgicamente tecidos problemáticos. Isso pode ajudar com os sintomas e aumentar os níveis de fertilidade (36). Os médicos podem realizar excisão ou ablação laparoscópica. A excisão consiste em cortar o tecido problemático, enquanto a ablação consiste em queimar o tecido por cauterização ou laser.

  • Há muito debate sobre qual método é melhor para cada estágio da doença. Uma pesquisa de 2017 concluiu que ambos os métodos podem ter vantagens no tratamento de certos sintomas (37). A cirurgia leva ao alívio dos sintomas na maioria das pessoas com endometriose leve ou moderada, mas nem sempre é eficaz e a recorrência (e a necessidade de mais procedimentos cirúrgicos) é comum ao longo do tempo (37-41). A cirurgia também carrega os seus próprios riscos, que precisam ser pesados em relação aos benefícios potenciais.

  • A histerectomia (remoção do útero, das trompas de falópio e, por vezes, dos ovários) pode ser considerada uma opção de tratamento "final" em casos graves, após ter esgotado os outros métodos de tratamento. A histerectomia não trata efetivamente a endometriose em todos os casos, mas apresenta menores taxas de retratamento do que outras cirurgias, principalmente quando os ovários são removidos (42). As diretrizes da Sociedade Europeia de Reprodução e Embriologia Humana (ESHRE) afirmam que a remoção dos ovários deve ser considerada uma opção de tratamento "radical", pois resulta na menopausa cirúrgica em mulheres em idade reprodutiva (33).

  • Mudanças no estilo de vida: algumas pessoas consideram tratamentos alternativos para seus sintomas. Essas alternativas incluem geralmente exercício físico, mudanças na dieta e acupuntura (43-45). Infelizmente ainda há poucos estudos e faltam evidências da eficácia de muitas dessas abordagens. Apenas um estudo atendeu aos critérios de inclusão. Nesse estudo foi feita uma análise sobre o impacto da acupuntura para a dor na endometriose em 24 pessoas e concluíram-se melhorias da dor na menstruação (especialmente quando grave), mas é necessária mais pesquisa de qualidade a respeito (45).

O que rastrear no Clue?

O essencial:

  • Padrões de sangramento (incluindo sangramento de escape)

  • Dor

Útil para rastrear:

  • Volume do sangramento menstrual

  • Vitalidade

  • Emoções

  • Sintomas gastrointestinais - como inchaço e diarréia

  • Uso de métodos de contracepção

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