Uma ilustração como bonecos de papel de diferentes partes do corpo em um fundo roxo

Ilustração: Marta Pucci

LGBTQIA+

A ciência por trás dos gêneros e a menstruação

Os esforços do Clue para a inclusão de pessoas trans

*Tradução: Jade Augusto Gola

Coisas importantes a saber:

  • Identidades de gênero e sexo atribuído no nascimento não são a mesma coisa

  • Gênero é uma ideia complexa e a linguagem inclusiva para pessoas trans beneficia a todos

  • As pessoas trans sofrem desigualdades no atendimento de saúde, com graves consequências para suas vidas

Mulheres e pessoas com ciclo

Recebemos muitas questões sobre nossa escolha em sermos inclusivos para todos os gêneros quando falamos sobre menstruação, gravidez, fertilidade e outros temas. O Clue é um aplicativo criado e comandado por mulheres, com mulheres em suas atividades diárias e que também se esforça em ser inclusivo no tocante a gêneros. Isso significa que tentamos nosso melhor em reconhecer, em nossa escrita e em decisões executivas, que os gêneros existe a partir de um espectro variado—por exemplo, ao estabelecermos a ideia de mulheres e pessoas com ciclo quando falamos sobre menstruação.

Muitas pessoas que têm ciclos menstruais não se identificam como mulheres. Isso pode incluir homens transgênero, pessoas transmasculinas ou mesmo pessoas que não se identificam com nenhum gênero. Um homem transgênero é alguém que teve atribuído o sexo feminino ao nascer, mas se identifica como masculino (1).

A seguir, veja onde o Clue se posiciona no tópico da inclusão trans a partir das mais recentes pesquisas científicas que reafirmam ser necessário que as instituições de saúde devem trabalhar para a inclusão de gênero.

Imagem de três telas mostrando o aplicativo Clue

O Clue usa linguagem neutra de gênero para ajudar você a monitorar sua saúde menstrual

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4.8

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O gênero não é atribuído durante o nascimento

O gênero é como nos apresentamos perante o mundo. O tema envolve escolhas pessoais como, por exemplo, usar um terno ou um vestido, como nos maquiamos ou como nos portamos. Ao escolhermos roupas, maquiagem e estilos de cabelo que têm sincronia como nós sentimos interiormente sobre nosso gêneros, estamos "apresentando" nosso gênero para o resto do mundo. Ao conversamos sobre gênero, usamos termos como "garoto", "menina", "homem", "mulher", "masculino", "feminino" e "não binário".

O sexo, por outro lado, é associado ao corpo de uma pessoa—se tal indivíduo tem um pênis ou uma vagina, ovários ou testículos. Características físicas—como pelos faciais, seios e tipo corporal—também costumam comunicar o gênero. Sexo e gênero são indissociáveis um do outro, mas apenas o sexo nem sempre determina um gênero. É por isso que é tão complicado tentar separar sexo e gênero como conceitos totalmente diferentes que não informam um ao outro, ou tentar tratá-los como conceitos em preto e branco. Nossos corpos indicam o sexo, mas também comunicam o gênero. 

Aqui no Clue buscamos evitar termos binários como "masculino" e "feminino" sempre que possível porque muitas vezes eles não são cientificamente relevantes e excluem as pessoas.

As pessoas que atendem por transgênero identificam-se com um gênero que é diferente do sexo com que foram atribuídas no nascimento (2). Pessoas que identificam seu gênero com o sexo que lhes foram atribuídos ao nascer são chamadas cisgênero. Algumas pessoas são não binárias, o que significa a não identificação com nenhum gênero, ou que se identificam com ambos. Homens que se identificam como transgênero são chamados homens trans ou transmasculinos (1). Mulheres que se identificam como transgênero são chamadas mulheres trans ou transfemininas.

Menstruar não é algo exclusivo de gênero

A menstruação é um processo biológico. É parte de um sistema reprodutivo que é amplamente associado às mulheres e ao feminino, mas nem todas mulheres menstruam. Esse contexto é um tópico muito sensível para pessoas trans e não binárias. A menstruação pode induzir sentimentos de disforia de gênero para muita gente transmasculina e não binária. E pior, as pessoas trans eventualmente têm que esconder sua menstruação com medo de serem expostas para fora do armário ou de sofrerem violência (3).

Para reduzir a disforia, há quem decida suprimir a menstruação com terapias hormonais (4). Há também quem não escolha hormônios, por motivos pessoais, ou que não podem arcar com os custos ou pela falta de atendimento médico (3, 4). Algumas pessoas tampouco recebem aconselhamento médico adequado sobre terapia hormonal de afirmação de gênero e não tem ideia das opções disponíveis (5).

De todo modo, não importa se uma pessoa faz terapia hormonal de afirmação de gênero ou não: isso não muda o fato de serem transgênero. E as terapias hormonais não necessariamente cessam as menstruações por completo. Isso significa que há muita gente no mundo que é homem e que menstrua.

Reconhecer que pessoas que não se identificam como mulheres também menstruam ajuda a normalizar os ciclos menstruais, a reduzir o estigma ante a comunidade trans e ultimamente reduzir casos de violência contra as pessoas transgênero.

Homens trans e pessoas não binárias que têm ovários e útero também podem engravidar. É comum homens trans desejarem ter filhos(as) da mesma maneira que pessoas cisgênero (6), assim como as pessoas não binárias também o desejam. Homens trans podem retornar às suas menstruações e engravidar ao pararem com as terapias hormonais (1). Cerca de 66% dos homens trans que engravidam o fazem após planejamento, um número maior do que a população geral (1, 7).

As pessoas trans merecem acesso igualitário à saúde reprodutiva

Nosso time editorial consiste de pesquisadores e autores(as) que são membros do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) e do Colégio Americano de Enfermeiras e Parteiras (ACNM). Essas instituições regulam normas para o atendimento ginecológico e obstetrício. Tanto a ACOG quanto a ACNM concordam que pessoas trans e não binárias merecem acesso a sistemas de saúde que respeitem seus gêneros e reduzam a disforia (2, 8). O ACOG apoia a demanda de cobertura médica por parte de planos de saúde que afirme identidades e reduzam disforia de gênero (2).

O Clue se dedica em prover informação baseada em ciência sobre menstruação e gravidez para todas suas usuárias, usuários e usáries. Não é porque os espaços de saúde para pessoas com vulvas, úteros e ovários foram tradicionalmente espaços para mulher, "femininos", que pessoas trans e não binárias devam ser excluídas deles. Pelo contrário, a saúde no geral deve se adaptar para receber bem tais pessoas e, assim, prover atendimento profissional e responsável para todo mundo que precise. Expandir o atendimento de saúde para todos os gêneros só vem a beneficiar a todos nós.

O Clue sempre será inclusivo para pessoas trans

Num mundo em que apenas metade das pessoas trans tem acesso a serviços de saúde (9), o Clue pode prover informação de saúde essencial para esta comunidade.

Pessoas transgênero negras e não brancas têm ainda menos probabilidade de acesso a sistemas de saúde. É comum pessoas trans adiarem ou evitarem atendimento médico com medo de serem descriminadas pelas estruturas e profissionais. Isso é agravado pelo fato de que pessoas trans têm maior probabilidade de viverem na pobreza do que pessoas cisgênero. Cerca de um terço das pessoas trans sofrem com falta de moradia em algum momento de suas vidas (9).

Nós acreditamos que as comunidades transgêneros devem receber tratamento e acesso igualitário aos sistemas de saúde.

Baixe o Clue e comece a monitorar sua menstruação e sua saúde.

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