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Design: Emma Günther

Tempo de leitura: 11 min

Dor menstrual e dores crônicas em adolescentes

Perguntas e respostas com uma especialista sobre causas, riscos e tratamentos

A dor menstrual intensa na adolescência pode estar associada a um risco maior de dor crônica mais tarde na vida, conforme sugerem pesquisas e relatórios recentes. Embora cólicas menstruais leves sejam comuns durante a adolescência, a dor menstrual contínua ou intensa não é típica e pode indicar condições subjacentes, como endometriose.

Nesta sessão de perguntas e respostas com a Dra. Cornelia Hainer, diretora científica do Clue, explicamos as causas da dor menstrual em adolescentes, quais sintomas são sinais de alerta e maneiras comprovadas de controlar a dor menstrual desde o início.

1. Qual é a relação entre dor menstrual intensa na adolescência e dor crônica na idade adulta?

Pesquisas recentes revelam uma forte conexão entre dores menstruais intensas na adolescência e dores crônicas mais tarde na vida. Um importante estudo britânico descobriu que meninas de 15 anos com dores menstruais moderadas a intensas (dismenorreia) tinham 76% mais chances de relatar dores crônicas aos 26 anos, em comparação com aquelas sem dores menstruais. Aquelas com dores moderadas tinham um risco cerca de 65% maior.

Este estudo foi um alerta: ele sugere que dores menstruais intensas na juventude podem, na verdade, preparar o sistema nervoso de maneiras que tornam a dor crônica mais provável no futuro.

A ciência por trás disso provavelmente se resume à forma como os sinais de dor repetidos afetam o cérebro em desenvolvimento de adolescentes. A adolescência é um período de maior neuroplasticidade, o que significa que o cérebro e o sistema nervoso ainda estão amadurecendo e são muito adaptáveis. Se alguém experimenta cólicas intensas mês após mês durante esses anos de formação, a teoria é que isso poderia “reprogramar” as vias da dor. Com o tempo, seu corpo pode se tornar mais sensível à dor em geral.

Um estudo recente de pesquisadores da Universidade de Oxford apoia essa ideia: a dor menstrual persistente durante a adolescência pode causar mudanças de longo prazo na forma como o corpo processa a dor. Notavelmente, o estudo descobriu que a ligação não era apenas com a dor pélvica, mas também com condições como dores de cabeça crônicas e dores nas articulações posteriormente na vida. Portanto, a dor menstrual pode ter uma espécie de efeito cascata na percepção geral da dor.

Embora sejam necessárias mais pesquisas, a mensagem é clara: a dor menstrual intensa na adolescência não é trivial ou algo que as pessoas devam simplesmente tolerar — o apoio e o tratamento precoces são importantes. A dor moderada a intensa não tratada na adolescência pode estar preparando o terreno para a dor crônica na idade adulta.

2. Quando a dor menstrual na adolescência passa de “normal” para um sinal de alerta para dor crônica futura?

Algum desconforto menstrual leve pode ser normal, mas a dor que perturba a vida de uma adolescente não é. As cólicas menstruais existem em um amplo espectro: dores leves que são controláveis e duram um ou dois dias são típicas. Por outro lado, dores intensas que fazem com que a adolescente falte à escola, deixe de participar de atividades ou fique deitada na cama enrolada em um cobertor quente não são.

A dor que não melhora com analgésicos de venda livre, como o ibuprofeno, ou que é tão forte que impede a realização das atividades diárias, é um grande sinal de alerta. A dor menstrual nunca deve ser debilitante. A dor que causa vômitos, desmaios ou impede a realização das atividades habituais está além do que é considerado “normal” e deve ser avaliada por um profissional de saúde.

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Um estudo recente da Universidade de Oxford descobriu que mesmo a dor menstrual moderada aos 15 anos (não apenas a dor intensa) correspondia a um risco maior de dor crônica aos 26 anos. É possível ter um ciclo menstrual ocasionalmente intenso. No entanto, se quase todos os ciclos trazem dor significativa, isso não deve ser ignorado. A dor moderada a intensa consistente é a maneira do seu corpo dizer que algo pode estar errado. Portanto, se uma adolescente classifica suas cólicas como mais do que um incômodo leve, ou se está usando a dose máxima de analgésicos, ou faltando à escola, é hora de procurar orientação médica.

Ignorar a dor não apenas prolonga o sofrimento, mas, como mostra este estudo, pode preparar o terreno para consequências de saúde a longo prazo. Além do risco físico da dor crônica, há custos sociais, psicológicos e educacionais reais quando jovens são deixadas sozinhas lidando com menstruações debilitantes sem apoio. A dor nunca deve ser normalizada.

3. Quais são alguns sinais de que a dor menstrual pode ser um sintoma de algo mais sério, como endometriose ou desequilíbrio hormonal?

Algumas dores menstruais são comuns e não são motivo para preocupação, mas quando começam a afetar a vida diária, vale a pena prestar atenção. Aqui está o que você deve observar:

  • Conheça a diferença: a dismenorreia primária é a cólica menstrual típica, enquanto a dismenorreia secundária pode ser causada por uma condição subjacente — que pode ser endometriose.

  • Dor intensa ou que piora: se as cólicas começarem dias antes do sangramento, durarem todo a menstruação ou piorarem a cada ano, é algo que deve ser discutido com um profissional de saúde. Se a dor não for aliviada por anti-inflamatórios como ibuprofeno ou naproxeno, ou por anticoncepcionais hormonais, é hora de fazer um exame. Pesquisas mostram que cerca de dois terços das adolescentes com dor persistente são posteriormente diagnosticadas com endometriose.

  • Dor fora da menstruação: dor pélvica em outros momentos do ciclo ou durante o sexo não é normal e deve ser avaliada.

  • Outros sinais de alerta: fique atenta a evacuações dolorosas ou dor ao urinar durante a menstruação, inchaço, dor irradiada para as costas ou pernas ou sangramento muito intenso (absorventes encharcados a cada hora, coágulos grandes ou sangramento por mais de 8 dias). Menstruações irregulares ou excepcionalmente intensas também podem indicar problemas hormonais, como SOP ou doenças da tireoide. Pesquisas do Clue mostram que a percepção de “menstruações intensas” não está associada apenas ao aumento da duração da menstruação e do número de dias com fluxo intenso, mas também ao aumento da dor e outros sintomas físicos, como fadiga e problemas digestivos.

  • Interferência na vida diária: se a dor faz com que uma adolescente falte à escola, aos esportes ou às atividades sociais, isso é um sinal grave. O tratamento precoce pode prevenir a dor crônica e proteger a fertilidade.

  • Confie nos seus instintos: eu sempre digo às jovens e aos pais: vocês conhecem o seu corpo. Se suspeitarem que algo está errado, confiem nesse instinto e consultem um profissional de saúde. Acompanhar os sintomas em um aplicativo como o Clue pode ajudar a identificar padrões, antecipar o que está por vir e fornecer dados concretos ao seu profissional de saúde.

4. Qual é a melhor maneira de controlar a dor menstrual?

As principais maneiras comprovadas que recomendo para controlar a dor menstrual:

  • Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides: frequentemente sugiro ibuprofeno ou naproxeno (Flanax sendo o tipo mais comum), pois eles bloqueiam as substâncias químicas que causam cólicas. Tomá-los de acordo com a programação (por exemplo, 400-600 mg de ibuprofeno a cada 6 horas durante os dias mais intensos), especialmente no início da menstruação, pode realmente ajudar a moderar a dor moderada a intensa. Pesquisas mostram que esses anti-inflamatórios trazem alívio para cerca de metade das pessoas com menstruações dolorosas. Eles são mais eficazes se forem tomados no início, antes que a dor se torne insuportável.

  • Contraceptivos hormonais: para adolescentes com dores mais intensas, opções como a pílula, o adesivo, o anel ou métodos apenas com progestina (DIU, implante ou injeção) podem fazer uma grande diferença. Eles regulam os hormônios, diminuem a intensidade da menstruação ou, às vezes, até a interrompem completamente. Recomendo discutir essas opções com um profissional de saúde para encontrar a mais adequada para você.

  • Calor e remédios caseiros: eu digo às pessoas que coisas simples como um banho quente, uma almofada térmica ou um adesivo térmico podem ajudar quase tanto quanto os medicamentos. Hidratar-se bem, comer regularmente e limitar o sal ou a cafeína pode reduzir o inchaço. Alguns suplementos, como vitamina B1 ou magnésio, também podem ajudar, mas consulte primeiro o seu profissional de saúde.

  • Atividade física e relaxamento: mesmo movimentos suaves como caminhar, alongar-se ou praticar ioga podem aliviar as cólicas, liberando endorfinas e melhorando a circulação. Técnicas de relaxamento, respiração profunda ou um dispositivo TENS (estimulação nervosa elétrica transcutânea) também podem proporcionar alívio para algumas pessoas.

  • Tratamento de condições subjacentes: se a dor menstrual for causada por condições como endometriose, adenomiose ou miomas, às vezes precisamos ir além do alívio dos sintomas. As terapias hormonais são frequentemente o primeiro passo e, em casos confirmados, a cirurgia laparoscópica pode remover lesões e ajudar a controlar a dor a longo prazo.

5. O que exatamente causa a dor menstrual e por que ela é tão comum em adolescentes?

A dor menstrual (dismenorreia) tem uma causa biológica bem compreendida. Durante a menstruação, o útero se contrai para ajudar a expelir seu revestimento. Isso é impulsionado pelas prostaglandinas, substâncias químicas semelhantes a hormônios liberadas no útero durante a menstruação. As prostaglandinas fazem com que os músculos uterinos se contraiam e constrinjam os vasos sanguíneos e, se o corpo liberar uma grande quantidade delas, as contrações se tornam mais intensas, e é isso que causa a sensação de cólicas. Para algumas pessoas, níveis mais elevados de prostaglandinas também podem causar outros sintomas, como náuseas, diarreia ou dores de cabeça.

A dor menstrual é bastante comum, especialmente entre adolescentes. A dismenorreia é mais prevalente durante a adolescência e o início da idade adulta. Entre 50% e mais de 90% das adolescentes apresentam cólicas menstruais em algum grau. Na verdade, a dor menstrual é a principal causa de absenteísmo escolar entre as adolescentes em muitos países.

Durante a puberdade, os ciclos anovulatórios (sem liberação de óvulos) são mais comuns, o que geralmente causa menos cólicas. Mas, uma vez que a ovulação e os ciclos hormonais completos são estabelecidos, a dismenorreia primária geralmente surge. O útero das adolescentes também pode ser um pouco mais sensível às prostaglandinas. A boa notícia é que a dor menstrual geralmente melhora com a idade. No entanto, algumas pessoas continuarão a ter menstruações dolorosas, incluindo casos com condições subjacentes, como endometriose.

"Comum" não significa que deva ser ignorado. Sim, a maioria das adolescentes tem algumas cólicas menstruais. Mas "comum" não é o mesmo que "normal" quando se trata de saúde. Se uma adolescente tem menstruações dolorosas que afetam sua qualidade de vida, isso deve ser tratado, não ignorado.

6. Quais são as formas mais eficazes de tratar dores menstruais moderadas a intensas em adolescentes?

Os tratamentos mais eficazes para dores menstruais moderadas a intensas em adolescentes variam de acordo com cada indivíduo. Uma adolescente pode se sentir bem apenas com anti-inflamatórios e uma almofada térmica. Outra pode se beneficiar mais com a pílula.

O tratamento precisa ser personalizado, mas ferramentas como analgésicos anti-inflamatórios, regulação hormonal e terapias de apoio são eficazes para a maioria das adolescentes. Quando não são, é necessário encaminhá-las a um especialista para cuidados avançados.

7. Quão prejudicial é a crença de que a dor menstrual é normal e deve simplesmente ser suportada?

Descartar a dor menstrual intensa como “normal” é prejudicial. Quando as adolescentes são instruídas a simplesmente suportá-la, isso as desmotiva a procurar ajuda, corre o risco de atrasar o diagnóstico de condições graves como endometriose e pode até mesmo preparar o terreno para dor crônica na idade adulta.

Essa mentalidade também reflete uma questão mais ampla de preconceito de gênero na área da saúde. Mulheres e meninas frequentemente têm suas dores minimizadas ou descartadas — um fenômeno já estudado como “misoginia médica”, que deixa condições sem diagnóstico por anos. A dor menstrual deve ser tratada como qualquer outra dor: ela merece ser reconhecida, investigada e tratada com empatia e cuidados eficazes.

Principais conclusões

A dor menstrual intensa em adolescentes pode indicar condições subjacentes e aumentar o risco de dor crônica mais tarde na vida. O reconhecimento precoce, o acompanhamento com ferramentas como o Clue app e os tratamentos baseados em evidências fazem uma diferença real. O Clue ajuda a transformar seus dados em uma ferramenta poderosa para navegar pelo seu ciclo, ajudando você a entender melhor seu corpo e comunicar os sintomas claramente aos profissionais de saúde. Os pais, mães e as adolescentes devem levar a dor a sério, procurar ajuda profissional e rejeitar a ideia de que ela deve simplesmente ser suportada.

A dor é real — trate-a como qualquer outro problema de saúde.

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