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Adenomiose: tratamento, sintomas e apoio

Principais informações:
A adenomiose ocorre quando tecido semelhante ao revestimento do útero cresce na parede muscular do útero
Os sintomas mais comuns são menstruações dolorosas, sangramento intenso ou prolongado e dor pélvica
Nem todas as pessoas apresentam sintomas; algumas só descobrem a condição ao procurar orientação sobre questões de fertilidade
Registrar sua dor no aplicativo Clue e levar esses dados a um profissional de saúde pode ajudar a iniciar uma conversa sobre a adenomiose
O que é adenomiose?
A adenomiose ocorre quando um tecido semelhante ao revestimento uterino (o endométrio) cresce dentro da parede muscular do útero (o miométrio) (1,2).
Esse tecido continua a responder às alterações hormonais ao longo do ciclo menstrual. Ele pode engrossar, se decompor ou sangrar, mas, como fica preso dentro do músculo uterino e não tem para onde ir, pode causar inflamação, dor e aumento do tamanho do útero (1,3,4).
A adenomiose pode afetar toda a parede uterina (adenomiose difusa) ou surgir em áreas localizadas (adenomiose focal, também chamada de adenomiomas). Trata-se de uma condição benigna, o que significa que não é cancerosa (1,2).
A adenomiose pode ser mais comum do que as estimativas atuais sugerem, pois muitas pessoas não apresentam sintomas, e a condição é frequentemente confundida com endometriose ou miomas. Entre as pessoas com sintomas ginecológicos, a adenomiose pode afetar até 1 em cada 2 (5).
É mais comumente diagnosticada em pessoas na faixa dos 30 e 40 anos, embora pessoas mais jovens também possam ser afetadas (6-8). Os sintomas geralmente melhoram após a menopausa, à medida que os níveis de estrogênio diminuem (7).
Quais são os sintomas da adenomiose?
Cerca de 1 em cada 3 pessoas com adenomiose não apresenta sintomas (9). Para as demais, os sintomas variam de leves a graves e podem afetar a vida cotidiana, o trabalho, os relacionamentos e o bem-estar geral.
Os sintomas mais comuns incluem (2):
Menstruações dolorosas
Sangramento menstrual intenso
Dor pélvica crônica
Dor durante a relação sexual
Útero aumentado
Fadiga relacionada ao sangramento intenso
Os sintomas costumam se tornar mais perceptíveis durante os últimos anos da idade reprodutiva e podem melhorar após a menopausa (9,10).
Se os sintomas estiverem afetando sua vida cotidiana, vale a pena conversar com um profissional de saúde. Dor intensa e sangramento intenso são sintomas comuns da adenomiose, mas não são algo com que você precise simplesmente conviver.
Menstruações dolorosas e cólicas
Menstruações dolorosas (dismenorreia) são um dos sintomas mais comuns da adenomiose (11). A dor é normalmente sentida na parte inferior do abdômen e na pelve e pode irradiar para a região lombar e a parte interna das coxas (12). Ela pode começar antes da menstruação e continuar após o término do sangramento.
Para algumas pessoas, a dor pode ser intensa e pode não responder bem a analgésicos comuns, incluindo anti-inflamatórios não esteroides, como o ibuprofeno (13). A dor intensa também pode ser acompanhada por sintomas como náusea, tontura ou fadiga.
Ao contrário das cólicas “típicas” da menstruação, a dor da adenomiose pode se tornar mais intensa com o tempo, especialmente durante os últimos anos da idade reprodutiva (10).
Se a dor menstrual estiver prejudicando sua vida cotidiana, vale a pena conversar com um profissional de saúde. Menstruações dolorosas são comuns, mas a dor intensa não é algo que você deva simplesmente aceitar.
Menstruações intensas e sangramento uterino anormal
O sangramento menstrual intenso é um dos sintomas mais comuns da adenomiose (11,14). Trata-se de um tipo de sangramento uterino anormal, termo genérico que abrange alterações no sangramento menstrual consideradas fora da faixa típica.
Os sinais de sangramento menstrual intenso podem incluir (15,16):
Molhar um absorvente ou tampão a cada 1–2 horas
Expulsão de coágulos sanguíneos grandes
Sangramento por mais de 8 dias
Necessidade de trocar produtos de higiene menstrual durante a noite
A adenomiose é reconhecida como uma causa estrutural de sangramento uterino anormal (17). Algumas pessoas também apresentam sangramento imprevisível entre menstruações ou ciclos muito frequentes (17).
Com o tempo, o sangramento excessivo pode levar à deficiência de ferro ou anemia, o que pode causar sintomas como fadiga, falta de ar e tontura (18). Caso você esteja percebendo esses sintomas, é recomendável discutir o assunto com seu profissional de saúde.
Acompanhar seus padrões de sangramento no Clue app ao longo de vários ciclos pode ajudar a identificar alterações que, de outra forma, seriam difíceis de perceber.
Dor pélvica crônica e sensação de pressão
A dor pélvica é considerada crônica quando dura mais de seis meses e está presente mesmo fora do período menstrual (2,19). Pessoas com adenomiose frequentemente descrevem uma dor sutil, sensação de peso ou de volume na região pélvica (19). Para algumas, isso pode afetar as atividades diárias, os movimentos, o sono e a intimidade (6).
Registrar a dor e sua intensidade no Clue pode ajudar a distinguir a dor cíclica da crônica. Essa distinção pode ser útil tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento.
Dor durante o sexo
A adenomiose pode causar dor pélvica durante ou após o sexo com penetração (dispareunia) (3). Essa dor pode ser aguda, lancinante ou semelhante a uma pressão. Geralmente é sentida na parte inferior do abdômen ou ao redor do colo do útero e pode variar ao longo do ciclo (20).
A dor durante o sexo pode impactar negativamente a intimidade, afetando os relacionamentos e a autoestima (21).
A dor durante o sexo também é um sintoma comum e válido a ser discutido com um profissional de saúde. Se você se sentir à vontade, considere mencionar quando a dor ocorre, onde você a sente e se ela muda ao longo do seu ciclo.
Aumento do tamanho do útero e outros sintomas físicos
A adenomiose pode causar o aumento da parede muscular do útero, às vezes até o tamanho de uma gravidez de 12 semanas (4). Isso pode levar a um inchaço visível na parte inferior da barriga, sensações de pressão ou de plenitude e, às vezes, à micção mais frequente ou à constipação (22,23).
Exames de imagem (como ultrassom transvaginal ou ressonância magnética) podem ajudar a confirmar a causa, uma vez que os miomas podem apresentar achados semelhantes (11).
Fadiga, alterações de humor e outros sintomas
O sangramento intenso pode levar à deficiência de ferro ou à anemia, o que pode causar fadiga persistente, dificuldade de concentração e falta de ar (17).
A dor também pode perturbar o sono, o que pode contribuir para a irritabilidade e o mau humor (24).
Também são relatadas náuseas, dores de cabeça e dores nas costas na época da menstruação (25). Vale a pena mencionar todos esses sintomas nas consultas médicas, e não apenas a dor e o sangramento.
O que causa a adenomiose?
A causa exata da adenomiose ainda não é totalmente compreendida, e as pesquisas continuam em andamento (7).
Várias teorias podem ajudar a explicar como a adenomiose se desenvolve. Duas das mais amplamente aceitas são:
Invasão do tecido endometrial no músculo uterino: O tecido do endométrio invade o músculo uterino. Fatores como cirurgias uterinas anteriores, gravidez e parto podem aumentar a probabilidade de que isso ocorra (26).
Células-tronco deslocadas: Células-tronco presentes no útero desde o início do desenvolvimento podem, posteriormente, transformar-se em tecido semelhante ao endometrial dentro do músculo uterino (26).
O estrogênio parece desempenhar um papel importante no crescimento da adenomiose. Isso pode ajudar a explicar por que os sintomas frequentemente melhoram após a menopausa, quando os níveis de estrogênio diminuem naturalmente (8,9).
Embora certos fatores estejam associados à adenomiose, a presença de fatores de risco não garante que uma pessoa venha a desenvolver a doença. Muitas pessoas diagnosticadas com adenomiose não apresentam fatores de risco conhecidos.
Como a adenomiose é diagnosticada?
O diagnóstico pode levar tempo, pois os sintomas se sobrepõem aos de outras condições, incluindo endometriose e miomas. Atualmente, os exames de imagem permitem que a maioria dos casos seja identificada sem cirurgia (3).
O diagnóstico geralmente combina:
Seu histórico médico
Um profissional de saúde começará perguntando sobre suas experiências, incluindo dores menstruais, padrões de sangramento, dor pélvica, gestações anteriores e qualquer histórico de cirurgia uterina (3,26).
Exame pélvico
Durante um exame físico, um profissional de saúde pode perceber que o útero parece aumentado ou sensível ao toque. Os médicos às vezes descrevem isso como um útero “esponjoso”, o que basicamente significa que as paredes uterinas parecem mais macias e espessas do que o normal (27).
Ultrassom transvaginal
O ultrassom transvaginal é geralmente o primeiro exame de imagem utilizado para avaliar a suspeita de adenomiose. Ele permite que os profissionais de saúde avaliem a estrutura do útero e identifiquem sinais característicos da condição (3,26,28).
Ressonância magnética
Caso os resultados da ultrassonografia não sejam claros, uma ressonância magnética pode ser recomendada. Ela pode ajudar a confirmar a adenomiose e diferenciá-la de outras condições, incluindo miomas e algumas formas de endometriose (1).
Existe algum exame para diagnosticar a adenomiose?
Não existe um único exame capaz de diagnosticar a adenomiose. Em vez disso, o diagnóstico combina o histórico de sintomas, o exame clínico e os exames de imagem (1). Como o diagnóstico frequentemente se baseia no histórico de sintomas, manter um registro da dor, do sangramento e de outros sintomas pode ajudar nas conversas com os profissionais de saúde.
Adenomiose x endometriose: qual é a diferença?
A adenomiose e a endometriose são semelhantes, mas a principal diferença está onde o tecido está crescendo. Na endometriose, tecido semelhante ao revestimento uterino cresce fora do útero (nos ovários ou nas trompas de Falópio, por exemplo) (5).
Na adenomiose, ele cresce dentro da parede muscular do útero (1).
Ambas as condições podem causar (5):
Menstruações dolorosas
Dor pélvica crônica
Dor durante a relação sexual
Principais diferenças (29,30):
A adenomiose está mais frequentemente associada a um útero aumentado e sangramento muito intenso
A endometriose está mais frequentemente associada a dor durante a evacuação, dor na época da ovulação e infertilidade, sem sangramento intenso
Muitas pessoas apresentam ambas as condições simultaneamente, embora se acredite que a endometriose seja, em geral, mais comum (5). Podem ser necessários exames de imagem ou laparoscopia para distingui-las, e as abordagens terapêuticas podem se sobrepor (1,31).
Como a adenomiose é tratada?
Não há cura para a adenomiose, mas muitas pessoas encontram alívio significativo com o plano adequado. As decisões terapêuticas dependem da gravidade dos sintomas, da idade e dos objetivos reprodutivos, e devem sempre ser tomadas em consulta com um profissional de saúde.
Você é especialista no seu próprio corpo.
Monitorar seus sintomas no Clue antes e depois de iniciar um novo tratamento é uma ótima maneira de verificar o que realmente está funcionando e o que não está.
Alívio da dor e opções não hormonais
Os anti-inflamatórios como o ibuprofeno funcionam melhor quando iniciados 1 a 2 dias antes do início do sangramento (32). Se eles não estiverem proporcionando alívio suficiente para lidar com um dia normal, isso é um sinal de que você deve consultar um profissional de saúde. Você não precisa simplesmente “aguentar firme”.
O ácido tranexâmico é uma opção para quem não pode ou prefere não usar terapias hormonais. Ele é tomado durante a menstruação e ajuda a reduzir a perda total de sangue (13).
Abordagens de apoio, como almofadas térmicas, movimentos suaves e fisioterapia do assoalho pélvico, também podem ajudar (33).
Tratamentos hormonais
A maioria dos tratamentos de primeira linha visa reduzir ou estabilizar os níveis de estrogênio e progesterona, ajudando a diminuir o sangramento e a dor (3).
As opções comuns incluem (3,13,17):
Contracepção hormonal combinada (como a pílula, o adesivo ou o anel)
Pílulas ou injetáveis à base apenas de progestina
DIUs hormonais, que estão entre as opções mais eficazes
Análogos do GnRH, que geralmente são utilizados como tratamentos de segunda linha
A escolha correta depende dos sintomas, do histórico de saúde e dos planos reprodutivos.
Procedimentos e cirurgia
Quando outros tratamentos não surtiram efeito suficiente, um especialista pode discutir opções de procedimentos ou cirurgias, tais como:
Procedimentos que preservam o útero (como a adenomiomectomia) podem ser adequados para pessoas que desejam engravidar no futuro, embora não estejam isentos de riscos (3).
Embolização da artéria uterina, que bloqueia o fluxo sanguíneo para os adenomiomas. Estudos demonstraram que ela pode reduzir menstruações dolorosas e sangramento intenso (3).
A histerectomia (remoção cirúrgica do útero) é considerada o tratamento definitivo para a adenomiose, mas é indicada apenas para aquelas que não desejam engravidar no futuro (34). Buscar uma segunda opinião é sempre recomendável caso esteja considerando essa opção.
Quando consultar um profissional de saúde
Procure um profissional de saúde caso apresente algum dos seguintes sintomas (22):
Dor menstrual ou dor pélvica que interfira no trabalho, na escola, nas atividades diárias ou na intimidade
Sangramento menstrual intenso, incluindo molhar a proteção a cada 1–2 horas, expelir coágulos grandes ou sangrar por mais de 8 dias
Dor pélvica com duração superior a seis meses, incluindo dor fora do período menstrual
Dor durante a relação sexual
Fadiga, tontura ou falta de ar
Procure atendimento médico de urgência caso sinta dor pélvica súbita e intensa, desmaios ou sangramento que molhe o absorvente a cada hora por várias horas consecutivas (22).
Qualquer pessoa a quem seja dito que sua dor é “apenas parte de ser mulher” merece uma segunda opinião. Se você sentir que seus sintomas estão sendo menosprezados, manter um registro da dor, do sangramento e de outros sintomas pode ajudar a fundamentar as conversas com profissionais de saúde e especialistas.
Perguntas frequentes
A adenomiose afeta a fertilidade?
A adenomiose pode tornar a gravidez mais difícil, embora as razões ainda não sejam totalmente compreendidas (3). Ela pode prejudicar a função do revestimento uterino, interferir na implantação do embrião ou aumentar o risco de aborto espontâneo (4,8).
Muitas pessoas com adenomiose conseguem engravidar, com ou sem tratamento de fertilidade. Qualquer pessoa preocupada com sua fertilidade deve consultar um ginecologista ou especialista em reprodução.
Como a adenomiose pode afetar a saúde mental?
Viver com dor crônica, sangramento intenso e uma condição que muitas vezes é mal compreendida ou menosprezada pode ter um impacto significativo na saúde mental. Pesquisas revelaram que pessoas com adenomiose apresentam taxas mais elevadas de ansiedade e depressão do que pessoas sem a condição e aquelas com miomas (8,35).
Esses efeitos não são um sinal de fraqueza. A dor crônica e o sangramento intenso podem afetar o sono, os relacionamentos, o trabalho e as atividades diárias, fatores que, por sua vez, podem impactar o bem-estar emocional. A terapia cognitivo-comportamental (TCC), a atenção plena e a meditação contam com evidências que apoiam seu uso no controle da dor crônica (5,37).
A saúde mental merece a mesma atenção que a saúde física.
Como tratar a adenomiose sem cirurgia?
Anti-inflamatórios, ácido tranexâmico e opções hormonais (como a pílula combinada ou um DIU hormonal) podem reduzir significativamente a dor e o sangramento. Abordagens de apoio, como terapia térmica e fisioterapia do assoalho pélvico, também podem ajudar (3,13,17,33). O plano de tratamento adequado depende dos sintomas e dos objetivos reprodutivos, e deve ser elaborado em consulta com um profissional de saúde.
Como é a “barriga de adenomiose”?
Algumas pessoas notam um inchaço visível na parte inferior do abdômen, às vezes chamado de “barriga de adenomiose”. Isso pode ser causado por um útero aumentado, que, em alguns casos, pode atingir o tamanho de uma gravidez de 12 semanas. O abdômen pode parecer inchado ou distendido e pode parecer firme ou sensível ao toque. A aparência varia de pessoa para pessoa e depende do grau de aumento do útero (4,25).