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Quais são os tratamentos mais eficazes para os sintomas da perimenopausa?
Terapia hormonal, medicamentos não hormonais e alívio dos sintomas

Parte 4 de 5: série do Mês de Conscientização sobre a Perimenopausa
Embora mudanças no estilo de vida possam ajudar a lidar com algumas manifestações da perimenopausa, elas não são a única opção. Tratamentos médicos, incluindo opções hormonais e não hormonais, podem oferecer alívio eficaz quando os sintomas estão prejudicando sua qualidade de vida.
Como a experiência da perimenopausa varia de pessoa para pessoa, a abordagem correta dependerá de seus sintomas, estado de saúde e necessidades individuais. Um profissional de saúde pode te ajudar a entender suas opções e decidir o que é mais adequado para você.
Neste artigo, explicamos como funcionam a terapia de reposição hormonal (TRH), os medicamentos não hormonais e as mudanças no estilo de vida, para que você possa explorar suas opções.
Como funciona a terapia de reposição hormonal (TRH) na perimenopausa?
A terapia de reposição hormonal (TRH) também é conhecida como terapia hormonal da menopausa (THM). O termo THM é cada vez mais utilizado nas diretrizes médicas porque descreve o tratamento com maior precisão: os hormônios são utilizados para controlar os sintomas associados à menopausa, e não para restaurar os níveis hormonais aos valores anteriores à perimenopausa.
No entanto, a TRH continua amplamente utilizada e reconhecida; por isso, utilizaremos o termo TRH ao longo deste artigo.
A TRH geralmente envolve a ingestão de estrogênio, com ou sem progestogênio, para aliviar sintomas da perimenopausa, como ondas de calor e suores noturnos. Progestogênico é um termo genérico que inclui progesterona e formas sintéticas chamadas progestinas.
Caso você tenha útero e utilize estrogênio sistêmico (tratamentos como pílulas, adesivos, géis ou sprays que entram na corrente sanguínea e atuam em todo o corpo), geralmente também precisará de um progestogênico para proteger o revestimento do útero. Pessoas que tiveram o útero removido muitas vezes podem utilizar estrogênio sozinho.
A TRH pode reduzir os sintomas associados às alterações nos níveis hormonais durante a perimenopausa e a menopausa. É o tratamento mais eficaz para ondas de calor e suores noturnos. Também pode ajudar com problemas de sono relacionados a esses sintomas e pode prevenir a perda óssea enquanto estiver em uso.
A TRH sistêmica também pode ajudar com secura vaginal e dor durante o sexo. No entanto, se esses forem os principais sintomas, pode-se recomendar, em vez disso, um estrogênio vaginal em baixa dosagem. Este atua principalmente nos tecidos vaginais e urinários, com absorção mínima na corrente sanguínea, e geralmente não precisa ser combinado com um progestogênico. Algumas pessoas optam por usar tanto o estrogênio vaginal quanto a TRH sistêmica.
A TRH tem sido objeto de extensas pesquisas, e a compreensão de seus benefícios e riscos tem mudado ao longo do tempo. Estudos anteriores levantaram preocupações sobre possíveis ligações entre a TRH e condições como câncer de mama, acidente vascular cerebral e doenças cardiovasculares.
Sabemos agora, no entanto, que o equilíbrio entre benefícios e riscos é mais complexo. Ele depende de fatores como idade, histórico de saúde, tipo e dose da TRH utilizada, forma de administração e momento em que o tratamento é iniciado.
Para muitas pessoas saudáveis com menos de 60 anos ou que estejam a menos de 10 anos da menopausa, é provável que os benefícios da TRH superem os riscos quando ela é utilizada para tratar sintomas incômodos.
No entanto, a TRH não é adequada para todas as pessoas.
Não existe uma idade específica para iniciar ou interromper a TRH. O tratamento deve ser adaptado às suas necessidades específicas e revisado regularmente com um profissional de saúde para garantir que os benefícios ainda superem os riscos.
Nota sobre osmétodos anticoncepcionais: embora a TRH possa ser usada para aliviar os sintomas da perimenopausa, ela não previne a gravidez. Se você deseja evitar a gravidez durante a perimenopausa, talvez ainda precise de um anticoncepcional. Se for o caso, certos métodos hormonais podem, ao mesmo tempo, servir como alívio dos sintomas — especialmente no caso de sangramento intenso ou imprevisível. Um profissional de saúde pode te ajudar a escolher a opção mais adequada.
Quais medicamentos não hormonais podem ajudar a controlar os sintomas da perimenopausa?
Vários tratamentos não hormonais também podem ajudar a controlar sintomas específicos da perimenopausa. Esses tratamentos também podem ser uma opção para quem não consegue ou prefere não utilizar a TRH.
Antidepressivos e medicamentos anticonvulsivantes
Algumas drogas usadas principalmente para tratar depressão, convulsões e outras condições também podem reduzir ondas de calor e suores noturnos. Entre elas estão os antidepressivos, particularmente os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) e os inibidores da recaptação da serotonina e norepinefrina (IRSN), bem como a gabapentina.
Para quem apresenta alterações de humor, ansiedade ou depressão durante a perimenopausa, os antidepressivos também podem ser recomendados para ajudar a tratar esses sintomas.
Antagonistas dos receptores de neurocinina
Um grupo mais recente de medicamentos não hormonais, denominado antagonistas dos receptores de neurocinina, também pode reduzir ondas de calor e suores noturnos de moderados a graves. Um exemplo é o fezolinetanto. Esse medicamento requer exames de função hepática, pois tem sido associado a um risco raro de lesão hepática grave.
Moduladores seletivos dos receptores de estrogênio (SERMs)
Outra opção é um grupo de medicamentos chamado moduladores seletivos dos receptores de estrogênio (SERMs). Esses medicamentos afetam os receptores de estrogênio de maneiras diferentes em diversas partes do corpo. O ospemifeno, por exemplo, pode ser utilizado para tratar dores moderadas a intensas durante o ato sexual, causadas por alterações vaginais associadas à menopausa.
Algumas terapias combinam um SERM com estrogênio. Por exemplo, o estrogênio associado ao bazedoxifeno pode tratar ondas de calor e ajudar a prevenir a perda óssea em algumas pessoas na pós-menopausa. Como esse tratamento contém estrogênio, trata-se de uma forma de terapia hormonal, e não de um tratamento não hormonal.
Tratamentos vaginais e lubrificantes
Para sintomas localizados, como secura vaginal, irritação ou dor durante a relação sexual, as opções não hormonais incluem hidratantes e lubrificantes vaginais de venda livre. Os profissionais de saúde também podem discutir opções direcionadas, como estrogênio vaginal em baixa dosagem ou prasterona vaginal, quando for necessário um alívio localizado.
Terapia cognitivo-comportamental (TCC) específica para a menopausa
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) específica para a menopausa também pode ajudar algumas pessoas a lidar com ondas de calor, problemas de sono e sintomas depressivos associados à menopausa. Ela pode ser utilizada em conjunto com a TRH ou quando alguém não puder ou preferir não utilizá-la.
E quanto aos efeitos colaterais e ao acompanhamento?
Assim como qualquer medicamento, esses tratamentos podem apresentar efeitos colaterais indesejados. É importante discutir seus possíveis benefícios e riscos com seu profissional de saúde antes de iniciá-los.
Registrar e acompanhar suas experiências no Clue app depois de iniciar um novo tratamento pode te ajudar a perceber mudanças, possíveis efeitos colaterais e se seus sintomas estão melhorando. Essas informações também são úteis na hora de avaliar o tratamento com seu profissional de saúde.

Mudanças no estilo de vida podem ajudar a aliviar os sintomas da perimenopausa?
Embora as mudanças no estilo de vida contribuam para a saúde geral e possam melhorar o sono, o humor, a força e o equilíbrio, há evidências clínicas limitadas de que elas, por si sós, reduzam de forma consistente os sintomas primários da perimenopausa, como as ondas de calor.
Algumas pessoas percebem que álcool, cafeína, alimentos apimentados ou ambientes quentes desencadeiam suas ondas de calor; portanto, pode ser útil evitar essas coisas, mas os gatilhos variam de pessoa para pessoa. Monitorar suas experiências pode ajudar a identificar se algo agrava seus próprios sintomas.
Seguir uma alimentação variada e equilibrada, que forneça cálcio e vitamina D em quantidade suficiente, juntamente com exercícios de peso e de resistência, pode ajudar a promover a saúde óssea. Essas abordagens são importantes para a saúde geral, mas não constituem tratamentos para todos os sintomas da perimenopausa.
Os remédios complementares ou suplementos para a perimenopausa realmente funcionam?
Estão disponíveis tratamentos complementares, como acupuntura, reflexologia, vitaminas e suplementos fitoterápicos. No entanto, não há evidências sólidas de que a maioria desses tratamentos reduza os sintomas da perimenopausa. “Natural” não significa necessariamente seguro, e algumas vitaminas e suplementos podem causar efeitos colaterais ou interagir com medicamentos.
Vale a pena ter cautela em relação a produtos promovidos nas redes sociais, incluindo aqueles endossados por celebridades, bem como vitaminas e suplementos comercializados como “curas” para a (peri)menopausa.
Há um longo histórico de produtos promovidos para a (peri)menopausa sem evidências sólidas de que funcionem. Quando se busca alívio para sintomas difíceis, pode ser tentador experimentar qualquer coisa que prometa uma solução.
Isso inclui produtos de formulação personalizada, às vezes comercializados como “hormônios bioidênticos”. Não está comprovado que esses produtos sejam mais seguros ou eficazes do que os tratamentos hormonais regulamentados, e sua concentração e pureza podem ser menos consistentes. Já estão disponíveis produtos regulamentados de TRH que contêm hormônios quimicamente idênticos aos produzidos pelo corpo.
Antes de gastar seu dinheiro ou iniciar um novo tratamento ou suplemento, verifique as evidências e, se possível, converse com um profissional de saúde qualificado sobre o que é seguro e provavelmente poderá ajudar
A seguir → Parte 5: Menopausa precoce e prematura — o que acontece quando ela começa antes do esperado.