Ilustração por Marta Pucci
HIV: transmissão sexual, fatores de risco e prevenção

Coisas importantes a saber
O HIV é transmitido através da troca de certos tipos de fluidos corporais, incluindo: sangue, sêmen, leite materno e fluidos vaginais
A saliva, as lágrimas, os espirros e o contato físico não transmitem o HIV
Ter relações sexuais anais sem proteção, relações sexuais vaginais e até mesmo sexo oral (embora raramente) podem transmitir o HIV
Não há cura para o HIV, mas existem medicamentos que podem manter a carga viral baixa e até mesmo prevenir a transmissão do HIV, bem como outros que podem reduzir significativamente o risco de contrair o HIV
O que é o HIV? E o que é a AIDS?
O HIV/AIDS são amplamente conhecidos como doenças sexualmente transmissíveis incuráveis, mas talvez você não saiba a diferença entre essas siglas e o que elas representam.
Para simplificar, o HIV é o vírus que causa a AIDS. HIV significa Vírus da Imunodeficiência Humana.
Se uma pessoa faz um exame de sangue e recebe um diagnóstico de HIV, então ela é HIV positiva — se uma pessoa não tem HIV, então ela é HIV negativa. O HIV causa estragos no corpo de uma pessoa ao enfraquecer seu sistema imunológico (1). O HIV destrói progressivamente a parte celular do sistema imunológico — particularmente tipos de glóbulos brancos chamados células CD4 — o que, com o tempo, faz com que a pessoa se torne imunodeficiente (1).
À medida que a infecção pelo HIV se desenvolve no corpo, a pessoa se torna cada vez mais imunodeficiente até chegar a um ponto em que é classificada como portadora da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). Esse é frequentemente o estágio terminal de uma infecção pelo HIV, em que o corpo da pessoa está tão imunodeficiente que desenvolve infecções, doenças ou cânceres e não é mais capaz de montar uma defesa imunológica para combatê-los (1).
Não há cura para o HIV (1). No entanto, se uma pessoa for infectada pelo HIV, existem tratamentos disponíveis que podem ajudar a mantê-la saudável.
Como o HIV é transmitido?
O HIV é transmitido entre seres humanos por meio da troca de certos tipos de fluidos corporais. Os fluidos corporais que podem transmitir o HIV incluem sangue, sêmen, leite materno e fluidos vaginais (1).
Nem todos os fluidos corporais podem transmitir o HIV. Os elementos e atividades a seguir não podem transmitir o HIV:
Troca de saliva, como em beijos de boca fechada ou ao compartilhar bebidas/utensílios
Contato com lágrimas, espirros ou suor de uma pessoa soropositiva
Contato físico comum, como abraços, apertos de mão ou toque em objetos compartilhados, como talheres, copos ou assentos sanitários (1,2).
Ar ou água (2)
Animais de estimação e insetos (incluindo mosquitos) não podem transmitir o vírus e infectá-lo, pois a transmissão do HIV ocorre apenas entre seres humanos (2).
Embora seja necessário ter cuidado em algumas situações — como durante relações sexuais ou na presença de feridas abertas —, isso certamente não significa que seja inseguro estar perto de pessoas com HIV. Pense em como você interage com a grande maioria das pessoas — não há troca de fluidos corporais. Alimentar pensamentos discriminatórios apenas perpetua um estigma de medo contra alguém com HIV, o que só prejudica a pessoa que o tem. O HIV é frequentemente transmitido por meio de atividade sexual e uso de drogas em adultos nos Estados Unidos (2). A transmissão materna — de mãe para filho — é como a infecção se espalha para bebês (2).
HIV e sexo
Saber quais atividades o colocam em maior risco de contrair o HIV pode te ajudar a fazer as melhores escolhas para si mesmo. Isso não deve ser surpresa para a maioria dos adultos com conhecimentos básicos de educação sexual — o HIV costuma ser transmitido por meio do sexo.
Ter relações sexuais desprotegidas (sem preservativo ou outros métodos de barreira) coloca a pessoa em risco de contrair o HIV. A melhor maneira de evitar contrair o HIV é evitar qualquer tipo de sexo vaginal, anal ou oral desprotegido com quem se saiba ter HIV ou cujo status sorológico seja desconhecido.
Cada tipo de contato sexual acarreta seu próprio risco de transmissão.
Sexo anal
Este tipo de sexo apresenta o maior risco de transmissão do HIV (2). Ambos as pessoas envolvidas em sexo anal desprotegido correm o risco de contrair o HIV (e outras ISTs), mas a pessoa receptora anal corre um risco maior. O revestimento interno do ânus é fino e propenso a se romper durante o sexo anal, o que pode permitir que o vírus presente no sêmen ou no sangue entre no corpo. A pessoa ativa também corre o risco de contrair o HIV, pois o vírus pode entrar no corpo pela uretra (o canal por onde a urina sai do corpo) ou por quaisquer cortes ou feridas abertas no pênis (2). Embora seja difícil estimar as taxas de transmissão do HIV por sexo anal desprotegido, pesquisas sugerem que ocorre uma transmissão a cada 72 atos de sexo anal receptivo desprotegido (3).
O sexo anal não se limita apenas a homens que fazem sexo com homens — casais de qualquer gênero podem praticar sexo anal. Para prevenir a disseminação do HIV, use sempre preservativo ao praticar sexo anal.
Sexo vaginal
Assim como o sexo anal, praticar sexo vaginal desprotegido pode transmitir o HIV a qualquer um dos parceiros. A vagina, assim como o ânus, também é composta por tecido mole e pode ficar irritada durante o sexo, o que pode permitir que o HIV presente no sêmen, no pré-ejaculado ou no sangue entre no corpo. Uma em cada 1.250 relações sexuais vaginais desprotegidas resultará na contração do HIV pela pessoa receptiva (3). Embora esse número possa parecer baixo, muitos fatores podem afetar e aumentar essa taxa de transmissão.
Pessoas com pênis podem contrair o HIV ao praticar sexo vaginal a partir de fluidos vaginais ou sangue, através da uretra ou de quaisquer cortes ou feridas abertas no pênis (2), embora essa transmissão ocorra com metade da frequência (3). O uso de preservativo protege ambas as pessoas.
Sexo oral
Embora seja muito raro, é possível transmitir o HIV por meio do sexo oral. Se a pessoa que pratica o sexo oral tiver feridas abertas na boca que entrem em contato com sêmen, fluidos sexuais ou sangue, ela poderá contrair o HIV (2). Para prevenir a transmissão do HIV e de outras ISTs durante o sexo oral, certifique-se sempre de usar preservativo ou um método de barreira.
Beijo de boca
O HIV não pode ser transmitido pela saliva. No caso muito raro de ambos as pessoas apresentarem cortes sangrando ou feridas abertas na boca, teoricamente isso poderia transmitir o HIV (2).
Relações sexuais vulva-vulva
Esse tipo de transmissão do HIV é raro, mas não impossível. Fluidos vaginais e sangue menstrual podem transmitir o vírus do HIV (2).
HIV e drogas
O uso de drogas injetáveis pode te colocar em risco de contrair o HIV. Procurar aconselhamento e/ou ajuda médica para parar de usar drogas é a melhor maneira de diminuir o risco de infecção. Certifique-se de procurar ajuda junto a um profissional de saúde, membro da família, amigos ou centro local de tratamento de abuso de substâncias.
Agulhas sujas
Injetar drogas usando uma agulha, equipamento ou solução já utilizada pode expor alguém ao HIV. É importante sempre usar equipamento limpo, esterilizado e nunca utilizado ao injetar drogas, e nunca compartilhar agulhas (2). Se uma pessoa não estiver pronta para parar de usar drogas e não puder comprar agulhas limpas, muitas comunidades oferecem programas de troca de agulhas. Após a injeção, certifique-se sempre de descartar as agulhas usadas de maneira adequada.
Sexo sob o efeito de drogas é sexo de risco
Pessoas sob o efeito de drogas são mais propensas a praticar sexo de risco (sem preservativo) (2). Isso aumenta as chances de uma pessoa ser exposta ao HIV.
HIV e transmissão materna
O HIV pode ser transmitido da mãe para o filho durante a gravidez, o parto ou a amamentação. Se não for tratado nessas fases, há uma chance de 15% a 45% de uma mãe soropositiva transmitir o vírus ao filho (1). No entanto, existem opções de tratamento para evitar que isso aconteça.
Se ocorrer uma gravidez e houver tido uma possível exposição ao HIV, consulte um profissional de saúde sobre a realização do teste de HIV o mais cedo possível. Tomar medicamentos chamados terapia antirretroviral (TARV), conforme prescrito, pode reduzir a carga viral, de modo que o bebê tenha uma chance muito baixa (menos de 1%) de contrair o HIV (4).
Uma pessoa com HIV não deve amamentar seu filho, pois o leite materno pode transmitir o HIV. Mesmo que a pessoa esteja em tratamento com TARV e sua carga viral seja indetectável, ela ainda assim não deve amamentar.
Prevenção e tratamento do HIV
Carga viral e medicamentos
Se alguém tem HIV, isso não significa que esteja restrito à abstinência sexual. Muitas pessoas com HIV ainda têm uma vida sexual segura e prazerosa sem transmitir o vírus. O uso constante de preservativo ou de métodos de barreira é um primeiro passo importante para evitar a troca de fluidos que contenham o HIV.
Terapia antirretroviral (TARV): Outra forma para ajudar a diminuir o risco de transmissão do HIV é reduzir a carga viral da pessoa — a quantidade de HIV no sangue. A carga viral pode ser reduzida por meio de medicamentos chamados terapia antirretroviral (TARV). Esses medicamentos podem reduzir a carga viral do HIV a tal ponto que o vírus pode nem mesmo ser detectável em um exame de sangue — isso é chamado de carga viral indetectável (4).
Quando a carga viral de uma pessoa é indetectável, ela efetivamente não apresenta risco de transmitir o vírus HIV a uma pessoa não infectada (4). Tomar esses medicamentos ajudará a manter uma pessoa com HIV saudável, ao mesmo tempo em que ajuda a prevenir a transmissão do HIV a alguém. No entanto, isso não é uma cura. Se os medicamentos forem tomados incorretamente ou interrompidos, a carga viral do HIV aumentará novamente e a transmissão poderá ocorrer. Preservativos e outros métodos de barreira devem ainda ser utilizados sempre durante as relações sexuais (4).
Se você ver HIV e uma carga viral indetectável, deve, mesmo assim, informar o seu parceiro ou parceira antes de ter relações sexuais.
Profilaxia pós-exposição (PEP): Se tiver havido uma possível exposição ao HIV (por exemplo, se um preservativo se rompeu durante uma relação sexual com alguém que tem HIV), procure assistência médica imediatamente. Estão disponíveis medicamentos chamados profilaxia pós-exposição (PEP), que reduzem as chances de contrair o HIV. Esses medicamentos precisam ser iniciados dentro de 72 horas após a exposição e tomados por cerca de um mês (4).
Profilaxia pré-exposição (PrEP): O medicamento chamado profilaxia pré-exposição (PrEP) pode ser tomado diariamente para diminuir o risco de contrair o HIV em caso de exposição (4).
Procure tratamento para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)
As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) aumentam a chance tanto de transmitir quanto de contrair o HIV. Se uma pessoa tem HIV e outra IST, ela tem maior chance de transmitir o HIV, em comparação com uma pessoa que tem apenas HIV, mas nenhuma outra IST (2).
Isso funciona nos dois sentidos — uma pessoa que não tem HIV, mas tem outra IST, tem maior chance de contrair o HIV se tiver relações sexuais desprotegidas com alguém que tenha HIV (2). Isso ocorre porque as ISTs que causam feridas abertas ou irritação, o que rompe a barreira da pele (como sífilis, herpes genital, HPV ou cancroide), fornecem uma porta de entrada para o HIV penetrar no corpo durante todos os tipos de relações sexuais desprotegidas (2).
Outras ISTs que não causam lesões na pele (como clamídia, gonorreia e infecções por tricomoníase) ainda podem aumentar o risco de contrair o HIV. Isso ocorre porque as ISTs causam inflamação na região genital, atraindo mais células imunológicas para a área, que são o alvo do HIV (2).
O lubrificante pode tornar o sexo divertido e mais seguro
O uso de lubrificante não serve apenas para aumentar o prazer sexual — ele também pode tornar o sexo ainda mais seguro. O uso de lubrificante ajuda a diminuir o atrito entre a pele e/ou o preservativo, o que proporciona movimentos deslizantes agradavelmente suaves e reduz a taxa de rompimento ou rasgamento do preservativo durante o sexo anal (5). Lubrificantes à base de água e à base de silicone são seguros para uso com preservativos femininos e masculinos. No entanto, lubrificantes à base de óleo (ou quaisquer outros produtos oleosos, como vaselina ou óleo mineral) não devem ser usados com preservativos de látex, pois podem dissolver o látex do preservativo e causar sua ruptura (4).
Circuncisão peniana
A circuncisão peniana é a remoção cirúrgica do prepúcio do pênis. Trata-se de um procedimento comum, frequentemente realizado como escolha eletiva em bebês por motivos culturais ou religiosos. Às vezes, as circuncisões são realizadas para tratar condições médicas e, recentemente, a circuncisão tem sido defendida para a prevenção de doenças.
Existe uma relação entre a circuncisão e as taxas de contágio pelo HIV. Pessoas com pênis circuncidados têm menos chances de contrair o HIV de uma pessoa soropositiva durante o sexo vaginal (1,4). Por esse motivo, alguns governos na África, onde a prevalência do HIV é alta, juntamente com a Organização Mundial da Saúde (OMS), recomendam que meninos e homens que não têm acesso frequente a serviços de saúde realizem a circuncisão médica masculina voluntária (VMMC) como uma forma adicional de diminuir a disseminação do HIV (1). Ser circuncidado não elimina a chance de contrair o HIV; apenas a diminui — portanto, os preservativos ainda devem ser usados.
O HIV não é mais a sentença de morte que costumava ser. Com os avanços no tratamento moderno e nos cuidados preventivos, as taxas de infecção pelo HIV, AIDS e mortes relacionadas estão diminuindo de maneira geral (1). Mas ainda há um longo caminho a percorrer, com a Organização Mundial da Saúde estimando que existam cerca de 37 milhões de pessoas no mundo vivendo com HIV (1). A prevenção, sexo mais seguro, testes acessíveis para ISTs e tratamento são essenciais para impedir a disseminação do HIV.