Ilustração por Marta Pucci
Tudo o que você precisa saber sobre a tricomoníase
Como é transmitida e como pode afetar sua saúde

Coisas importantes a saber:
A tricomoníase costuma ser assintomática, o que significa que muitas pessoas não sabem que a têm
Algumas pessoas podem apresentar sintomas que incluem aumento de corrimento vaginal, com odor desagradável e cor alterada, dor e coceira na vulva e/ou dor ao urinar ou durante a relação sexual
O que é a tricomoníase?
A tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível (IST) muito comum, causada pelo parasita Trichomonas vaginalis. Embora não seja tão comumente discutida quanto outras ISTs mais “famosas” (como HIV, gonorreia, clamídia), estima-se que a tricomoníase seja, na verdade, a IST não viral mais comum nos Estados Unidos (1).
Como assim? Como a tricomoníase pode ser tão comum, se eu nunca sequer ouvi falar dela? Eu achava que a clamídia e a gonorreia fossem as ISTs mais comuns?
Não exatamente. Nos Estados Unidos, a tricomoníase não é de notificação obrigatória ao Centro de Controle de Doenças (CDC). Atualmente, as infecções por Trichomonas vaginalis não são consideradas condições de notificação obrigatória devido à baixa gravidade dos desfechos de saúde, ao baixo custo associado ao tratamento, à dificuldade na prevenção e ao baixo interesse/preocupação do público (2).
Estima-se que a IST mais prevalente nos Estados Unidos seja o papilomavírus humano (HPV), seguido pelo herpes genital (HSV-2), sendo que ambas não são doenças notificadas ao CDC (1). A tricomoníase vem em seguida, estimada como a terceira IST mais prevalente nos Estados Unidos (1). É por isso que a clamídia e a gonorreia são as ISTs notificadas mais comuns nos EUA, e a tricomoníase é a IST não viral mais comum. Essas pequenas palavras fazem uma enorme diferença na compreensão da prevalência da doença em todo o país.
Quais são os sintomas da tricomoníase?
Trichomonas vaginalis geralmente infecta a vagina, a uretra ou o colo do útero em mulheres e pessoas com aparelho reprodutor feminino (3). Em homens e pessoas com aparelho reprodutor masculino, a uretra é o local mais comum de infecção (3).
É difícil para muitas pessoas perceberem que têm uma infecção por tricomoníase, uma vez que 70% são assintomáticas — isto significa que não apresentam sinais físicos ou sintomas da infecção (3). Algumas mulheres e pessoas com aparelho reprodutor feminino podem apresentar sintomas como alterações no corrimento vaginal, que pode mudar de cor para amarelo-esverdeado-acinzentado, tornar-se espumoso, abundante e/ou desenvolver um odor desagradável, fétido ou a peixe (4). Algumas pessoas também podem apresentar coceira, ardor ou vermelhidão na vulva e/ou dor ao urinar ou durante o sexo (4). Os sintomas podem se agravar durante a menstruação (5).
Esses sintomas podem não ser constantes, mas podem aparecer e desaparecer ao longo do tempo (3,4). Algumas pessoas desenvolvem sintomas alguns dias após a infecção, enquanto outras só percebem as alterações nos sintomas muito mais tarde (3).
Homens com tricomoníase frequentemente também não apresentam sintomas, mas, caso notem sintomas, estes podem incluir coceira ou irritação no interior do pênis, sensação de ardência após a micção ou ejaculação e/ou corrimento do pênis (3).
Como se contrai a tricomoníase?
A tricomoníase é transmitida por meio de relações sexuais vaginais e vulvovaginais. O sexo anal ou o sexo oral não são vias comuns de transmissão da Trichomonas vaginalis (3). Tem-se sugerido que ela também possa ser transmitida por contato com objetos (como toalhas compartilhadas após o sexo) ou masturbação mútua com os dedos, mas esse tipo de transmissão da doença não é muito comum (6,7).
Pessoas de todos os gêneros podem contrair tricomoníase por meio de relações heterossexuais, e a transmissão entre homens durante relações homossexuais é muito menor (8).
Uma pessoa também pode ser reinfectada com tricomoníase após ter sido tratada anteriormente. As pessoas não se tornam imunes à tricomoníase depois de terem tido a doença (3).
Qual é a prevalência da tricomoníase?
Estima-se que a tricomoníase seja a terceira IST mais prevalente nos Estados Unidos, afetando cerca de 3,7 milhões de pessoas (1).
Em todo o mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em 2008, houve 276,4 milhões de casos de adultos infectados com Trichomonas vaginalis (9). Essa estimativa é superior às estimativas da OMS para todos os casos de clamídia, gonorreia e sífilis combinados (9).
Como posso evitar contrair tricomoníase?
Ter uma vida sexual ativa coloca as pessoas em risco de contrair uma IST. O uso de preservativos durante todas as relações sexuais pode reduzir significativamente o risco de contrair tricomoníase (e muitas outras ISTs). Os preservativos devem ser usados não apenas durante a ejaculação, mas antes do início de qualquer contato genital ou sexual.
Pergunte a todos os parceiros ou parceiras se eles fizeram exames de ISTs recentemente antes de iniciar o contato sexual. Se um parceiro ou parceria tiver relações sexuais com várias pessoas, pergunte sobre seu status em relação a ISTs e recomende que também façam o teste. Limitar o número de pessoas com quem você tem contato sexual também diminuirá seu risco de contrair tricomoníase e outras ISTs.
Se tiver ocorrido sexo desprotegido, ou se houver sintomas de infecção por tricomoníase, consulte seu médico ou uma clínica local especializada em ISTs para realizar exames de triagem.
Além disso, práticas como a ducha vaginal devem ser evitadas, pois isso pode, na verdade, aumentar as chances de contrair uma IST (10).
Como a tricomoníase é tratada?
O teste para tricomoníase pode ser feito com uma amostra de urina ou com um cotonete vaginal. Após o diagnóstico, é importante que os parceiros ou parceiras sexuais também sejam tratados, a fim de prevenir a reinfecção (11).
A tricomoníase pode ser tratada rapidamente com um medicamento que tenha funções antibióticas e antiprotozoárias (11). Ao tomar esses medicamentos, é importante abster-se do consumo de álcool por 24 a 72 horas, pois isso pode causar interações adversas (11). É possível transmitir a tricomoníase mesmo durante o tratamento. Evite contato sexual por pelo menos 7 a 10 dias até a conclusão do tratamento completo — mesmo que os sintomas já tenham desaparecido (3,11).
Uma consulta de acompanhamento deve ser agendada três meses após o tratamento (11). É possível que haja resistência antimicrobiana em infecções por tricomoníase; portanto, se os sintomas persistirem após o tratamento, certifique-se de procurar seu profissional de saúde para acompanhamento o mais rápido possível (11).
Quais são as possíveis complicações da tricomoníase?
Em gestantes, infecções por tricomoníase não tratadas podem resultar em parto prematuro e bebês com baixo peso ao nascer (3,11). Se você for gestante e suspeitar que tenha tricomoníase ou esteja em risco de contrair a infecção, converse com seu profissional de saúde sobre a realização de exames.
Ter uma IST, como a tricomoníase, também pode aumentar suas chances de contrair o HIV se exposta a ele, ou de transmitir o HIV se já estiver infectada (12-14). Além disso, pessoas com infecções por tricomoníase correm maior risco de desenvolver doença inflamatória pélvica (DIP) se forem HIV positivas (15).
Se você acha que tem tricomoníase, ou qualquer IST, é importante procurar ajuda com seu médico ou em uma clínica especializada em ISTs. Muitas clínicas oferecem exames de IST gratuitos ou a baixo custo. Tudo isso ajudará a manter você, seus parceiros/parceiras sexuais e sua comunidade saudáveis.