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Por que eu parei de menstruar?
Causas da amenorreia e próximos passos

Coisas importantes a saber:
A ausência de menstruação é chamada de amenorreia
Amenorreia primária é quando a primeira menstruação não ocorre até os 15 anos ou dentro de três anos após o desenvolvimento das mamas
Amenorreia secundária é quando uma pessoa que menstruava anteriormente para de menstruar
A amenorreia geralmente é um sinal de que algo está acontecendo no corpo, e não uma condição em si. O retorno da menstruação depende da causa subjacente
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O que é amenorreia?
Se você está se perguntando “por que eu parei de menstruar?”, saiba que essa dúvida é comum e, na maioria dos casos, há uma explicação.
Amenorreia é a ausência de menstruação (1-3). Não é uma doença em si. Geralmente, é um sinal de que algo está acontecendo no corpo, como uma alteração hormonal, uma condição de saúde ou o uso de algum medicamento (4).
O ciclo menstrual vai muito além da menstruação. Ele envolve tanto o ciclo ovariano (alterações nos ovários) quanto o ciclo uterino (alterações no útero). Todo esse processo é conduzido por uma sequência coordenada de sinais hormonais entre o cérebro, os ovários e o útero (5).
Tipos de amenorreia
Existem dois tipos de amenorreia: primária e secundária (1-3).
Tipo | O que significa |
|---|---|
Primária | Quando a primeira menstruação não ocorre até os 15 anos ou dentro de três anos após o início do desenvolvimento das mamas (3,6). |
Secundária | Três meses sem menstruar, ou seis meses se os ciclos já eram imprevisíveis anteriormente. |
O restante deste artigo se concentra na amenorreia secundária.
Situações em que a ausência de menstruação pode acontecer
Gravidez, amamentação (amenorreia lactacional) e menopausa são motivos esperados para a menstruação parar (7). Alguns contraceptivos hormonais também podem deixar o sangramento muito leve ou fazer com que ele pare completamente (7).
Se houver possibilidade de gravidez, fazer um teste de gravidez é um primeiro passo importante. Depois de descartar gravidez, amamentação e menopausa, a ausência de menstruação geralmente é um sinal de que algo mais está acontecendo no corpo (1).
Por que eu parei de menstruar? Causas comuns da amenorreia
As causas mais comuns incluem amenorreia hipotalâmica funcional (AHF), SOMP, distúrbios da tireoide, níveis elevados de prolactina, insuficiência ovárica prematura (IOP), cicatrizes no útero, certos medicamentos e contraceptivos hormonais (1-3,7).
Amenorreia hipotalâmica funcional (AHF)
A AHF é uma causa comum de amenorreia, especialmente entre adolescentes e pessoas adultas mais jovens (8). Ela ocorre quando a rede de comunicação hormonal entre o cérebro e os ovários — o eixo hipotálamo-hipófise-ovário (HHO) — é suprimida. Isso pode interromper a ovulação (a liberação de um óvulo), fazendo com que as menstruações se tornem imprevisíveis ou parem (1,8-10).
Entre os fatores desencadeantes mais comuns estão não comer o suficiente para atender às necessidades energéticas do corpo (baixa disponibilidade energética), exercícios físicos intensos, perda rápida de peso ou estresse prolongado (1,3,8).
A AHF é frequentemente observada em atletas e pessoas com padrões alimentares restritivos, mas pode afetar qualquer pessoa cujo corpo esteja sob estresse físico ou psicológico prolongado (3,8).
Sem tratamento, a AHF pode levar a níveis baixos de estrogênio. Com o tempo, níveis baixos de estrogênio podem reduzir a densidade óssea e afetar a saúde do coração, além da fertilidade (3,9,11).
O tratamento se concentra em abordar a causa subjacente e restabelecer uma disponibilidade energética adequada (3,8). Isso pode envolver aumentar a ingestão de alimentos, ajustar a prática de exercícios físicos, controlar o estresse e tomar suplementos quando necessário (3,8). O apoio de uma equipe que inclua profissionais de saúde, nutricionistas e profissionais de saúde mental pode ser útil (3).
Síndrome de ovario metabólico poliendocrino (SOMP)
A SOMP (anteriormente chamada de síndrome dos ovários policísticos, ou SOP) é uma das causas mais comuns de amenorreia secundária e a principal causa de infertilidade relacionada à ovulação irregular (1,3,7,9,12).
O diagnóstico envolve o histórico menstrual e de sintomas, além de exames hormonais, e pode incluir exames de sangue hormonais e metabólicos ou uma ultrassonografia pélvica. Em pessoas adultas, a SOMP geralmente é diagnosticada quando pelo menos duas das três características abaixo estão presentes, após outras possíveis causas terem sido descartadas (12,13):
Menstruações irregulares ou ausentes causadas por ovulação irregular
Sinais de níveis elevados de andrógenos. Os andrógenos são hormônios, como a testosterona, presentes em todas as pessoas. Níveis mais elevados podem causar excesso de pelos faciais ou corporais ou acne
Morfologia ovariana policística na ultrassonografia (muitas vezes chamada de “cistos”)
Nem todas as pessoas com SOMP apresentam as três características, e nem sempre é necessário fazer uma ultrassonografia. Critérios diagnósticos diferentes se aplicam a adolescentes, para quem a ultrassonografia não é recomendada como parte do diagnóstico (12,13).
A ovulação irregular pode fazer com que as menstruações se tornem imprevisíveis ou parem. A resistência à insulina (quando o corpo não responde adequadamente à insulina, o hormônio que controla o açúcar no sangue) e a inflamação de baixo grau também são comuns em pessoas com SOMP e podem agravar os sintomas (12).
O tratamento depende dos sintomas e dos objetivos reprodutivos de cada pessoa. Pode incluir contracepção hormonal, medicamentos que aumentam a sensibilidade à insulina ou medicamentos antiandrogênicos, além de mudanças no estilo de vida, como na alimentação e na prática de exercícios físicos (1,3,7,13).
Distúrbios da tireoide
A glândula tireoide produz hormônios que ajudam a regular o ciclo menstrual. Tanto uma tireoide hipoativa (hipotireoidismo) quanto uma tireoide hiperativa (hipertireoidismo) podem afetar o eixo HHO e a ovulação, levando a menstruações irregulares ou ausentes (1,3,4).
Um exame de sangue que mede o hormônio estimulante da tireoide (TSH) pode ajudar a identificar problemas na tireoide. Um profissional de saúde também pode apalpar suavemente o pescoço para examinar a tireoide (4). O tratamento depende da condição.
O hipotireoidismo geralmente é tratado com medicamentos para reposição do hormônio tireoidiano, enquanto o tratamento do hipertireoidismo pode incluir medicamentos que reduzem a atividade da tireoide, terapia com iodo radioativo, ablação ou cirurgia (4).
Saiba mais sobre hipotireoidismo e hipertireoidismo e o ciclo menstrual.
Níveis elevados de prolactina (hiperprolactinemia)
A prolactina é o hormônio responsável pela produção de leite (14). Níveis elevados de prolactina fora da gravidez e da amamentação podem suprimir o eixo HHO, assim como acontece durante a amamentação. Isso pode interromper a ovulação e fazer com que as menstruações se tornem irregulares ou parem (3,4,15).
Entre as possíveis causas estão certos medicamentos, como antipsicóticos, alguns antidepressivos e opioides, além de hipotireoidismo, doença renal crônica e um tumor geralmente não canceroso na hipófise chamado prolactinoma (3,4,15).
Algumas pessoas podem notar uma secreção leitosa inesperada nos mamilos (galactorreia). Esse é um sintoma importante para mencionar a um profissional de saúde (3,4,14,15). O diagnóstico envolve um exame de sangue para medir os níveis de prolactina e, se estiverem elevados, uma ressonância magnética da hipófise (3,4,15).
O tratamento depende da causa. Um prolactinoma geralmente é tratado com medicamentos e, em alguns casos, cirurgia. Quando um medicamento é a causa dos níveis elevados de prolactina, um profissional de saúde pode recomendar sua substituição. Não pare de tomar nem altere um medicamento prescrito sem antes conversar com o profissional que o prescreveu (3,4,15).
Insuficiencia ovárica prematura (IOP)
A IOP, às vezes chamada de insuficiência ovárica primária, ocorre quando os ovários deixam de funcionar como esperado antes dos 40 anos. Ela pode causar menstruações ausentes ou pouco frequentes (2,4,7). A IOP pode estar associada a condições genéticas ou autoimunes ou a danos nos ovários causados por radioterapia, quimioterapia, infecção ou cirurgia. No entanto, em muitos casos, nenhuma causa específica é identificada (4,7).
Alterações estruturais no útero
A síndrome de Asherman (também chamada de aderências intrauterinas ou sinéquias intrauterinas) ocorre quando se forma tecido cicatricial dentro do útero ou do colo do útero. Isso pode impedir que o endométrio se desenvolva, fazendo com que não haja tecido para ser eliminado (e, portanto, não haja menstruação) (4,16).
Isso pode acontecer após uma cirurgia uterina (como dilatação e curetagem, um procedimento para remover tecido do útero), um aborto espontâneo retido ou incompleto, tecido placentário que permaneceu no útero após o parto ou, com menos frequência, uma infecção uterina causada por tuberculose ou esquistossomose (1,4,16).
Os profissionais de saúde geralmente consideram a síndrome de Asherman depois de descartar causas hormonais e podem confirmar o diagnóstico por meio de exames de imagem ou de um procedimento que permita visualizar o interior do útero. A remoção cirúrgica do tecido cicatricial é o principal tratamento (4).
Certos medicamentos e tratamentos
Diversos medicamentos e tratamentos podem fazer com que as menstruações parem ou sejam suprimidas como efeito colateral. Entre eles estão (3,7,15):
Quimioterapia e radioterapia
Antipsicóticos, certos antidepressivos e opioides, que podem aumentar os níveis de prolactina
Alguns medicamentos para pressão arterial
Algumas drogas recreativas
Fumar também pode estar associado a um risco maior de amenorreia (2).
Ao conversar com um profissional de saúde sobre a ausência de menstruação, mencione todos os medicamentos e substâncias que você usa, incluindo medicamentos prescritos e de venda livre, além de drogas recreativas.
Contracepção hormonal
Alguns tipos de contracepção hormonal, como pílulas anticoncepcionais, anticoncepcionais injetáveis, implantes ou dispositivos intrauterinos (DIUs) hormonais, podem causar sangramento muito leve, sangramento imprevisível ou amenorreia (1,2).
Esses métodos podem afetar a ovulação ou tornar o endométrio mais fino. Isso significa que pode haver pouco ou nenhum tecido para ser eliminado, inclusive durante a semana sem hormônios de algumas pílulas anticoncepcionais (4,15). Esse é um efeito esperado de alguns contraceptivos hormonais e geralmente não é sinal de que há algo errado (4).
Pode levar algum tempo para que as menstruações e a ovulação retornem após a interrupção da contracepção hormonal. Converse com um profissional de saúde se estiver preocupada, se houver possibilidade de gravidez ou se sua menstruação não tiver voltado dentro de três meses após a interrupção, pois o contraceptivo pode ter mascarado uma condição subjacente (1). O retorno pode levar mais tempo após a interrupção do anticoncepcional injetável.
O que a ausência de menstruação significa para a fertilidade?
A amenorreia não significa automaticamente que uma pessoa seja infértil. O impacto sobre a fertilidade depende da causa subjacente, e muitas dessas causas podem ser tratadas (1–3).
Para quem está tentando engravidar, a causa faz diferença:
AHF: A ovulação e a fertilidade geralmente retornam quando o déficit energético, a carga de exercícios físicos ou o estresse subjacentes são abordados (8)
SOMP: Tratamentos que favorecem a ovulação são eficazes para muitas pessoas. A opção mais adequada depende da idade, da saúde, dos objetivos reprodutivos e da presença de outros fatores que possam afetar a fertilidade (17)
Outras causas hormonais (como distúrbios da tireoide ou níveis elevados de prolactina): tratar a condição subjacente muitas vezes pode restabelecer a ovulação (2-4)
IOP ou causas estruturais: pode ser necessária uma avaliação com um especialista para entender como a condição pode afetar a fertilidade e quais opções estão disponíveis
Quem está tentando engravidar e não está menstruando deve conversar com um profissional de saúde, em vez de esperar o período normalmente recomendado para uma avaliação de infertilidade. Um especialista em reprodução pode avaliar o que está acontecendo e conversar sobre as opções disponíveis (1,2).
Quando procurar ajuda médica?
Converse com um profissional de saúde se estiver sem menstruar há três meses ou mais, ou há seis meses ou mais se seus ciclos já eram imprevisíveis anteriormente (1-3). Se estiver preocupada, você pode procurar orientação antes disso.
Se houver possibilidade de gravidez, faça um teste de gravidez em vez de esperar três meses.
Sinais de que é melhor procurar orientação antes
É importante conversar com um profissional de saúde mais cedo se a ausência de menstruação vier acompanhada de outros sintomas, como secreção leitosa nos mamilos quando você não está amamentando, alterações significativas de peso, dor pélvica, novas dores de cabeça ou alterações na visão, ou novos sinais de níveis elevados de andrógenos, como excesso de pelos faciais ou corporais (3).
Riscos da amenorreia a longo prazo
Identificar a causa é importante porque os possíveis efeitos da amenorreia a longo prazo dependem do que está causando a ausência de menstruação (4).
Para algumas pessoas, a amenorreia prolongada pode afetar:
Densidade óssea: Níveis baixos de estrogênio por períodos prolongados podem acelerar a perda óssea e aumentar o risco de osteoporose e fraturas (11)
Saúde cardiovascular: Níveis baixos de estrogênio por períodos prolongados estão associados a um risco maior de doenças cardíacas (11)
Fertilidade: A amenorreia pode reduzir as chances de gravidez enquanto não houver ovulação, embora seu impacto a longo prazo sobre a fertilidade dependa da causa (1,4)
Endométrio: Quando a amenorreia é causada por ovulação irregular crônica, inclusive em algumas pessoas com SOMP, o endométrio pode ficar espesso demais ao longo do tempo
Como a amenorreia é diagnosticada?
Não existe um único exame para diagnosticar a amenorreia. O diagnóstico combina o histórico da pessoa, exame físico, exames de imagem e resultados de outros exames (3,4).
O diagnóstico da amenorreia começa com uma conversa detalhada. Um profissional de saúde perguntará sobre seu histórico menstrual, histórico de saúde, alterações no peso ou na prática de exercícios físicos, medicamentos e histórico familiar (1,3).
Um teste de gravidez é sempre um dos primeiros passos (1,3). A partir daí, um profissional de saúde pode solicitar exames de sangue (como exames da função da tireoide e dos níveis de prolactina) e, dependendo dos resultados, exames de imagem, como ultrassonografia pélvica ou ressonância magnética (3,4).
Seu histórico de ciclos ajuda o profissional de saúde a entender quando você parou de menstruar e o que mudou antes disso. Monitorar e registrar seu ciclo com o Clue pode facilitar essa conversa.
Como usar o Clue para acompanhar a ausência de menstruação
Monitorar seu ciclo no Clue app pode te ajudar a perceber quando sua menstruação está atrasada e há quanto tempo ela não vem. Você pode acompanhar os dias de menstruação junto com sintomas e experiências como dor, cansaço e mudanças de humor.
Você pode gerar um relatório com as estatísticas do seu ciclo menstrual e seu histórico de acompanhamento para levar às consultas médicas. Isso pode te ajudar a explicar quando você parou de menstruar, como seus ciclos mudaram antes disso e se percebeu algum sintoma relacionado.
Perguntas frequentes
Minha menstruação vai voltar?
O retorno da menstruação depende do motivo pelo qual ela parou. Para muitas pessoas, a menstruação volta quando a causa subjacente é tratada, embora o tempo necessário varie (1–3).
Algumas causas podem exigir tratamento a longo prazo ou acompanhamento especializado. Converse com um profissional de saúde se estiver há três meses sem menstruar, ou antes disso se houver possibilidade de gravidez ou se você tiver outros sintomas que causem preocupação.
Como posso prevenir a amenorreia?
Algumas causas (como SOMP, distúrbios da tireoide, IOP e síndrome de Asherman) não podem ser prevenidas (1,7). Comer o suficiente para atender às necessidades do seu corpo, manter-se fisicamente ativa sem treinar em excesso e buscar apoio para lidar com estresse prolongado ou transtornos alimentares pode reduzir o risco de amenorreia hipotalâmica funcional (AHF) (3,8).
Acompanhar seu ciclo de forma consistente com o Clue app pode te ajudar a perceber mudanças mais cedo e buscar orientação rapidamente (1,3).