Foto de duas pessoas em pé de costas um para o outro com seus cabelos

Foto: Marta Pucci

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Como cada método contraceptivo afeta a pele e o cabelo

Revisamos todas pesquisas sobre como cada tipo de contraceptivo pode afetar a pele e o cabelo.

*Tradução: Juliana Secchi

Coisas importantes a saber:

  • O estrogênio tem o efeito de melhorar a acne, enquanto certas progestinas (uma versão sintética do hormônio progesterona) podem piorar a acne

  • Andrógenos (um grupo de hormônios que inclui a testosterona) podem causar pele oleosa e crescimento excessivo de pelos

  • O tipo de progestina usado nos contraceptivos é importante, pois alguns têm um efeito mais androgênico do que outros

O que você já pode ter ouvido sobre como os contraceptivos afetam a pele e o cabelo

Você já deve ter ouvido falar que anticoncepcionais hormonais podem melhorar a acne e deixar o cabelo mais volumoso. Você também pode ter ouvido que o contraceptivo hormonal pode causar acne ou fazer seu cabelo cair.

Pode ser um tanto confuso, especialmente quando sua experiência pessoal é diferente da de seus amigas e pessoas próximas, ou daquilo que lhe disseram que iria acontecer.

Nem todos os contraceptivos hormonais são iguais, portanto os efeitos colaterais também não são os mesmos. A contracepção hormonal vem em muitas formas (implantes, DIUs, injeções, pílulas, adesivos e anéis) e contém diferentes tipos e níveis de hormônios.

Os contraceptivos hormonais combinados são métodos contraceptivos que contêm dois hormônios (estrogênio e progestina), tais como a pílula, o adesivo ou o anel vaginal.

Os contraceptivos à base de progestina* contêm apenas uma forma de hormônio progestógeno (uma versão sintética do hormônio progesterona), tais como o implante, o DIU hormonal, a injeção ou a minipílula. Diferentes formas de contraceptivos podem afetar as pessoas de formas diferentes.

As flutuações hormonais durante o ciclo menstrual causam alterações na pele e no cabelo. Dessa forma, faz sentido que os hormônios encontrados em contraceptivos também possam causar alterações. Continue lendo para saber como diferentes métodos podem melhorar ou piorar a condição da pele ou do cabelo.

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O que seu profissional de saúde pode dizer

As pílulas anticoncepcionais que contêm estrogênio e progesterona podem ser prescritas para tratar acne e hirsutismo (o crescimento de pelos mais escuros e grossos do que o esperado em áreas do corpo como rosto, peito, abdome e coxas) e, às vezes, perda de cabelo.

Métodos contraceptivos à base de progestina como o implante, o DIU hormonal ou a injeção, podem piorar a acne, o hirsutismo ou a perda de cabelo em algumas pessoas.

Entender esses efeitos requer uma pequena aula de anatomia e fisiologia.

Como os hormônios afetam a pele e o cabelo

As células da pele e dos folículos capilares contêm receptores onde os hormônios ativam a célula para produzir certas alterações.

O estrogênio afeta o cabelo e a pele, diminuindo a produção de óleo e mantendo o cabelo em sua fase de crescimento por mais tempo (1).

Os andrógenos (um grupo de hormônios que inclui a testosterona) fazem com que a pele produza mais óleo (2) e que os folículos capilares em certas partes do corpo produzam pelos grossos e escuros (2,3), além de potencialmente causar o perda capilar do couro cabeludo em algumas mulheres (2,4).

O estrogênio encontrado em métodos contraceptivos com estrogênio e progesterona—como a pílula—pode suprimir a produção de andrógenos pelos ovários e aumentar a quantidade de uma proteína chamada globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG), que liga os andrógenos encontrados no sangue para que eles não possam adentrar as células da pele e os folículos capilares (5).

Os potenciais benefícios do uso de contraceptivos hormonais para tratar acne, hirsutismo ou queda de cabelo devem ser considerados juntamente com o potencial para efeitos colaterais graves. Embora sejam raros, coágulos sanguíneos podem se desenvolver como resultado do uso de contracepção hormonal e podem ser fatais. Discutir suas prioridades e objetivos com seu profissional de saúde pode ajudar a determinar qual é o melhor contraceptivo ou tratamento para você.

Por que é um tema complicado...

Nem todos os contraceptivos hormonais são iguais. Além das categorias que são combinadas versus aquelas à base de progestina, o tipo específico de progestina varia entre os métodos e pode alterar os efeitos colaterais no cabelo e na pele.

Algumas progestinas são mais androgênicas (maior probabilidade de ativar os receptores androgênicos) e podem tornar a pele e os cabelos mais oleosos ou levar ao crescimento excessivo de pelos. Outras progestinas são antiandrogênicas (bloqueiam os receptores androgênicos) e podem tornar o cabelo e a pele menos oleosos e proteger contra o crescimento excessivo de pelos (6). É por isso que o tipo de progestina pode ser uma importante consideração para algumas pessoas.

A dosagem, a via e hormônio específicos podem influenciar se alguém apresentará efeitos colaterais benéficos ou indesejados.

O que as pesquisas dizem sobre os diferentes tipos de contraceptivos e pele/cabelo

Contraceptivos à base de progestina

Implante (por exemplo, Nexplanon, Jadelle): O implante Nexplanon contém uma progestina chamada etonogestrel. Uma análise realizada com 942 pessoas que usaram o implante de etonogestrel por uma média de dois anos descobriu que 12% relataram acne, mas apenas cerca de 1% parou de usar o implante por causa desse efeito colateral (7). Em um estudo feito no Chile, onde pessoas usuárias de implantes de etonogestrel foram questionadas sobre acne antes de iniciar o implante e novamente durante o uso, 13% relataram acne nova ou piora durante os primeiros dois anos de uso, mas o mesmo número de pessoas relatou que sua acne havia melhorado durante o uso do implante (8).

O implante Jadelle usa a progestina levonorgestrel. Em um estudo realizado com 594 pessoas que usaram esse implante ao longo de cinco anos, cinco pessoas pararam de usá-lo por causa da acne, quatro por causa da queda de cabelo, duas por causa de outros problemas capilares como hirsutismo ou engrossamento dos pelos, e quatro o removeram devido a "outros problemas de pele" (9). Esse estudo não revelou o número de participantes que tiveram algum efeito colateral mas continuaram com o implante.

DIU hormonal de dose mais alta (por exemplo, Mirena, Liletta): Os DIUs hormonais Mirena e Liletta contêm a progestina levonorgestrel. Em um estudo com mais de 17.000 pessoas usando o DIU hormonal na Finlândia, 35% das pessoas entrevistadas relataram acne, 16% relataram perda capilar no couro cabeludo e 17% relataram "pilosidade excessiva" no corpo (10). Todos esses efeitos colaterais foram mais comuns em pessoas com menos de 33 anos e diminuíam com a idade (10).

Um estudo mostrou que as pessoas que usavam o DIU hormonal tinham mais pústulas de acne após usar o contraceptivo por um ano em comparação às pessoas que usavam o DIU de cobre, não hormonal (11). A diferença entre esses grupos foi pequena, então não se sabe se houve algum impacto sentido pelos participantes.

Em um realizado na Nova Zelândia com pessoas usando o DIU hormonal, 3 entre 920 pessoas pesquisadas relataram queda de cabelo (12). Esses mesmos pesquisadores analisaram casos de queda de cabelo associados ao uso do DIU hormonal que haviam sido relatados à Organização Mundial da Saúde (OMS). Embora a perda de cabelo tenha sido um efeito colateral raro, observando o momento da perda de cabelo em relação ao início do DIU e a situação da perda de cabelo após a remoção do DIU, foi possível determinar que alguns dos casos na Nova Zelândia e de outros lugares “provavelmente” foram causados ​​pelo DIU (12).

DIUs hormonais de dose mais baixa (por exemplo, Kyleena, Jaydess, Skyla): Os DIUs Kyleena, Jaydess e Skyla também contêm a progestina levonorgestrel, mas em doses mais baixas do que Mirena e Liletta.

Durante um estudo de 3 anos realizado na América do Norte, América do Sul e Europa, a acne possivelmente relacionada ao uso do DIU hormonal foi encontrada em 10% das pessoas que usavam qualquer um dos DIUs hormonais de dose mais baixa (13).

Em outro estudo com participantes majoritamente asiáticos usando Jaydess por até três anos, a acne foi relatada em apenas cerca de 3% dos participantes, mas cerca de metade dos que relataram acne tiveram o implante removido por causa disso (14).

Injeção (por exemplo, Depo-Provera): Em um estudo com 536 pessoas recebendo a injeção com Depo, os efeitos colaterais que afetam a pele e o cabelo eram comuns. Dentre as pessoas que começaram a aplicar as injeções pela primeira vez, 8% relataram acne ou outros problemas de pele após 3 meses, e esse número aumentou para 14% após 9 meses (15). No mesmo grupo, a perda de cabelo foi relatada por até 11% das pessoas usuárias de Depo nos primeiros 9 meses, e até 3% disseram apresentar pelos faciais como efeito colateral (15).

Em outro estudo, 6% das pessoas desenvolveram crescimento de pelos faciais após usar a injeção por seis meses, em comparação com 1% das pessoas que usavam métodos contraceptivos não hormonais (16).

Contraceptivos hormonais combinados (estrogênio e progesterona)

A pílula anticoncepcional (diversas marcas): Uma análise de 31 estudos descobriu que a pílula é eficaz no tratamento da acne, mas pouco se sabe sobre como pílulas específicas se comparam em suas capacidades de melhorar a acne (17).

Dez estudos compararam uma pílula anticoncepcional a um placebo. Nove em cada dez pessoas descobriram que a pílula foi eficaz para melhorar a acne, e sobre um dos dez participantes não se tinha dados suficientes para incluir na análise (17).

Dezessete estudos compararam dois tipos diferentes de pílulas para ver se uma fórmula ou dose específica fazia diferença na capacidade de melhorar a acne. Os resultados foram inconsistentes, mas pílulas contendo progestinas antiandrogênicas podem melhorar a acne mais do que pílulas com progestinas androgênicas (17).

As pílulas anticoncepcionais orais combinadas são recomendadas como tratamento inicial para pessoas que tenham hirsutismo (pelos indesejados, em excesso) e que não estejam tentando engravidar (18). A pílula é eficaz no tratamento do hirsutismo leve, mas pode levar de seis a 12 meses para mostrar melhora e pode precisar ser combinada com outros medicamentos ou tratamentos (19). Pílulas contendo as progestinas antiandrogênicas drospirenona e acetato de ciproterona podem ser melhores do que outras formas de progesterona para melhorar o hirsutismo (19), mas a Endocrine Society não recomenda uma pílula específica (18).

Em um estudo menor que incluiu apenas participantes brancos, 31 pessoas com cabelos oleosos receberam uma pílula anticoncepcional contendo a progestina clormadinona por um ano. Os participantes relataram que seus cabelos estavam menos oleosos e em melhores condições após três meses, e essa melhora continuou ao longo do ano (20). Os pesquisadores também classificaram o cabelo dos participantes como mais densos, com menos caspa e irritação após um ano (20). Esta formulação de pílula anticoncepcional não está disponível nos EUA, mas está disponível em toda a Europa, América Central e do Sul.

Pessoas que usavam pílulas anticoncepcionais contendo a progestina desogestrel eram menos propensas a desenvolver queda de cabelo do que pessoas que usavam um método contraceptivo não hormonal, como abstinência, preservativos ou cirurgia, de acordo com um estudo de dois anos (16). As pílulas anticoncepcionais podem ser prescritas—muitas vezes em combinação com outros medicamentos—para ajudar a interromper a perda progressiva de cabelo em pessoas que estão tendo queda de cabelo relacionada a andrógenos (21,22).

O adesivo (por exemplo, Xulane): Há muito pouca pesquisa sobre como o adesivo afeta a condição da pele e do cabelo. Entre um pequeno grupo de adolescentes que tiveram acne antes de iniciar o uso do adesivo, a acne melhorou em 33%, piorou em 17% e permaneceu a mesma em 50% após 7 meses de uso (23).

O anel vaginal (por exemplo, Nuvaring): Também há pesquisas limitadas sobre o anel vaginal para esses aspectos. Em uma análise de três estudos, as pessoas que usam o anel contraceptivo por três a 13 meses relatam menos acne do que as pessoas que usam a pílula (P).

Escolhendo um método contraceptivo

É importante conversar com seu profissional de saúde para determinar o método mais seguro e adequado para você. Antes de iniciar um método contraceptivo, faça perguntas ao seu profissional de saúde e compartilhe suas preocupações sobre possíveis efeitos colaterais para que vocês possam decidir juntos o que é mais adequado para você. Se você estiver experimentando efeitos colaterais indesejados de um método contraceptivo, talvez seja necessário manifestar-se bem na consulta para garantir que seu profissional de saúde leve suas preocupações a sério.

Usar o Clue para monitorar a condição de sua pele e cabelo ao iniciar um novo método contraceptivo pode ajudar a ver se alguma coisa está mudando.

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