Ilustração: Marta Pucci

Contraceptivos

DIU: o que é, mitos, como é inserido e funcionamento

Os DIUs são métodos muito eficazes para evitar gravidez

por Giordana Braga Revisado por Laurie Ray, DNP, Science Writer at Clue
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O que você precisa saber:

  • Os DIUs são métodos muito eficazes para evitar gravidez
  • Os DIUs devem ser inseridos por profissionais de saúde
  • DIU tem ação pré-concepção, altera a capacidade dos espermatozoides para fecundação, e portanto não são considerados abortivos
  • Cerca de 20-30% de quem usa DIU de Cobre tem aumento de cólica ou sangramento, a maioria não tem alteração no ciclo menstrual. O DIU-hormonal tende a diminuir cólica e sangramento
  • A maioria das pessoas pode usar DIU

DIU: contraceptivo prático e efetivo

Os dispositivos intrauterinos (DIU) e os implantes são os contraceptivos considerados de longa ação por que tem três anos ou mais de duração. São os contraceptivos mais eficazes pois, diferente de pílulas, injetáveis e anel vaginal (que você precisa lembrar de tomar ou usar) quem usa DIU não precisar fazer nada para que ele funcione, não precisa nem lembrar que ele está lá (1).

Os DIUs que existem na maioria dos países, incluindo o Brasil são o DIU de Cobre e o sistema intrauterino contendo levonorgestrel (SIU-LNG), DIU hormonal.

Os DIUs são reversíveis, quando você o retira, sua fertilidade volta imediatamente. Como todo anticoncepcional o DIU tem falha, porém a taxa de falha é muito baixa (0,8% para DIU de Cobre e 0,2% para SIU-LNG). Comparando, por exemplo com a laqueadura/ligadura tubária (falha da laqueadura é 0,5%, ou seja, 5 em 1000 mulheres engravidam), o DIU tem eficácia semelhante com a vantagem de ser reversível, sendo avaliado no primeiro ano de uso (1).

Se os DIUs são tão bons por que pouca gente os usa?

No mundo, cerca de 14% das mulheres usam DIU. Os países da América Latina são os que tem muitas barreiras para o uso desses dispositivos (2) e no Brasil, apenas 2% das mulheres são usuárias de DIU (3). Os países que mais usam DIU são o Reino Unido e países asiáticos (4).

Por que isso acontece? Existem muitos mitos e preconceitos relacionados aos DIUs. Quando se tem informação adequado os receios e medos relacionados aos DIUs certamente diminuem.

Medo de ter dor na inserção do DIU: Muitas pessoas têm medo de colocar o DIU devido a dor que podem sentir na inserção, especialmente se nunca tiveram filhos ou nunca fizeram procedimento ginecológico (5). O procedimento de inserção do DIU é pouco invasivo e relativamente simples. Mas precisa ser feito por profissionais de saúde com qualificação, para minimizar complicações.

Inicialmente, é feito um toque na vagina e no abdome para sentir a posição e curvatura do útero. Depois coloca-se um espéculo dentro da vagina (o mesmo aparelho usado para coletar o exame de Papanicolau), todo o procedimento leva de 3 a 5 minutos com esse aparelho.

Durante a inserção você provavelmente sentirá três cólicas na barriga, parecidas com cólica menstrual, de mais ou menos 15-20 segundos com intensidade é variável dependendo da sensibilidade de cada pessoa. Após a inserção pode haver cólica por uns dois dias, que melhoram com anti-inflamatórios ou analgésicos. Depois desse período, normalmente, você nem lembra que está com o DIU.

O DIU pode ser inserido nos primeiros 7 dias do ciclo menstrual, mas também pode ser inserido fora dos dias da menstruação, desde que não haja gravidez.

O DIU é abortivo? A idéia de que o DIU é abortivo é um impedimento para a escolha do método contraceptivo. Muitas pessoas acham que os DIUs são abortivos, que impedem a implantação do embrião, no entanto estes DIUs não existem em países onde não há legalização do aborto (caso do Brasil).

Para que a gravidez ocorra, você deve ter fertilização e implantação do embrião no útero, e tanto os DIUs de Cobre ou hormonal evitam que isso aconteça. Os DIU de Cobre e Hormonal tem ação local, na cavidade uterina. Os íons de cobre e/ou hormônio, liberados pelo DIU dentro da cavidade do útero provoca toxicidade para os espermatozóides e óvulo, esses se tornam inativos, incapazes para a fecundação (6).

O DIU pode sair do lugar? Qual a chance de acontecer? Sim. Existe chance de seu organismo expulsar o DIU. A taxa de expulsão do DIU é menor que 5%, independentemente do tipo de DIU e de quantos filhos você já teve (7). O que você sente nesta situação? Normalmente, uma cólica fora do seu padrão, a menstruação pode ficar irregular (fora do seu padrão menstrual habitual) e o fio do DIU fica mais longo no canal vaginal. Ou seja, ele te avisa que algo está errado.

Nestes casos, você deve procurar o(a) seu(sua) médico(a) assistente ou enfermeiro(a) para verificar se você está expulsando o DIU.

Quem não teve filho pode colocar DIU? Esse deve ser um dos mitos mais antigos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) há mais de 20 anos, recomenda que mulheres nulíparas, que nunca tiveram parto, podem colocar DIU sem maiores complicações (8). Não há maior dificuldade, complicações ou taxas de expulsão por causa disso (9).

Você já deve ter ouvido por aí:

“...me disseram que meu útero é pequeno, por que não tive filho e por isso não cabe o DIU”; “Fiz um ultrassom e me disseram que o volume do meu útero é pequeno e não posso usar DIU.”

Bom, essa informação normalmente é checada durante o procedimento, antes da inserção. A recomendação que há na bula do DIU de Cobre fala de 6 a 9cm de comprimento do útero para que você possa usar um DIU. Ou seja, se seu útero tiver pelo menos 6cm de comprimento (do colo ao fundo uterino), então você pode usar DIU. Em úteros menores que 6cm, realmente o DIU não vai caber.

Já falou-se que não se pode colocar DIU em mulheres nulíparas por que o DIU pode dar infecção e a mulher ficar estéril. Essa informação também é questionável. O que se tem de evidência científica é que nas 3 primeiras semanas após inserção, há mais chance de infecção no útero, e depois desse período a chance de infecção fica igual a de que quem não tem DIU (10, 11). Mas não se preocupe: essa infecção é tratada com antibióticos e você pode continuar com seu DIU e não irá ficar infértil por causa disso. Esse tipo de infecção chamada doença inflamatória pélvica costuma ter como consequência obstrução das trompas quando há demora no diagnóstico e tratamento.

Contra-indicações: As principais contraindicações para a inserção de DIU são: gravidez, estar com infecção no útero no momento da inserção e ter um sangramento que não se sabe a causa. Tudo isso é investigado na consulta pré-inserção do DIU. A OMS atualiza periodicamente um manual contendo as principais indicações e contraindicações para uso de anticoncepcionais (incluindo os DIUs), chamado Critérios de Elegibilidade para uso de Contraceptivos (8).

Falta de informação e falta de acesso

A falta de conhecimento sobre os DIUs pelas pessoas e por profissionais de saúde são uma barreira em diversos países, em especial na América Latina (2,4,5). Essa falta de informação adequada interfere no planejamento familiar de uma população e dificulta o acesso de quem quer usar o DIU – muita gente tem dificuldade de encontrar profissionais capacitadxs para inserir o DIU, ou em alguns lugares o procedimento custa caro e limita sua utilização em casos de dificuldades financeiras. Além disso, mitos e preconceitos sobre os DIUs podem influenciar médicos(as) a não oferecer e colocar o método. Essa é uma questão que aos poucos está sendo contornada.

Receios: cólicas, sangramento, acne...

Muita gente também já ouviu por aí: “DIU dá hemorragia, você não para de sangrar e dá muita cólica!” Efeitos adversos de adaptação a métodos contraceptivos existem sim, e para todos os métodos.

O DIU de Cobre aumenta o volume de sangramento e/ou dias de menstruação, porém não é na maioria das pessoas. Entre 20-25% das mulheres usuárias de DIU de Cobre tem aumento de sangramento no período menstrual, a maioria não muda o ciclo (12). O DIU de Cobre também pode aumentar a cólica menstrual em cerca de 30% de quem usa (12), algo que costuma melhorar com uso de analgésicos.

Já o DIU hormonal reduz sangramento a longa prazo e reduz o volume de sangramento em até 90% após um ano de uso (13). Além disso, costuma reduzir cólica menstrual. Cerca de 15% de quem usa esse método pode se queixar também de acne (14). O DIU hormonal também é utilizado para tratamento de doenças ginecológicas causadoras de sangramento (13).

Utilizando o Clue app você pode monitorar seu ciclo e notar se houve mudanças antes e após a inserção do DIU: É possível registrar a quantidade de sangramento, cólicas, como está a oleosidade da sua pele, acne entre outros sintomas e características do seu corpo e de atividades.

Importante lembrar: o DIU não altera sua ovulação

Como os DIU, seja de Cobre ou Hormonal, não interferem na sua ovulação, você poderá perceber sintomas relacionados a ovulação como a dor do meio (dor de ovulação) e alteração do muco vaginal. Com uso de DIU hormonal, ovula-se na maioria dos ciclos, mesmo que não apresente menstruação, então características da síndrome pré-menstrual como a TPM também não mudam com uso de DIU. Os efeitos relacionados à libido e ao desejo sexual durante a ovulação permanecem os mesmos.

Anote tudo no seu Clue app e veja como o ciclo fica após um DIU.

E para saber o que dizem as mais recentes pesquisas científicas sobre como os DIUs de cobre e os não hormonais previnem a gravidez, leia agora este artigo.

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