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Normal vaginal bacteria compared to vulvovaginal candidiasis.

Ilustração por Marta Pucci

Tempo de leitura: 5 min

Candidíase vaginal: sintomas e tratamento

Coisas importantes para saber

  • A candida (uma levedura) é comum na vagina, mas quando se multiplica em excesso pode causar uma infecção fúngica

  • Os sintomas dessa infecção fúngica vaginal geralmente incluem coceira e corrimento anormal, que costuma ser espesso e branco

  • As infecções fúngicas vaginais (candidíases) podem ser tratadas com medicamentos de venda livre ou com receita médica

O que é uma candidíase vaginal?

A levedura é um microrganismo unicelular que pode viver na vagina. A levedura está presente na vagina da maioria das pessoas em algum momento da vida e também vive na pele, na boca e nos intestinos (1).

A levedura pode estar presente na vagina sem causar nenhum problema ou sintoma, mas, ocasionalmente, ela se multiplica em excesso e invade o tecido vaginal, levando a uma infecção por levedura (2). As infecções vaginais por levedura são chamadas de candidíase vulvovaginal porque Candida é a espécie de levedura que causa quase todas as infecções vaginais por levedura (3).

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É comum ouvir que 3 em cada 4 mulheres terão pelo menos uma infecção vaginal ao longo da vida e 1 em cada 2 terá mais de uma. No entanto, faltam dados para determinar a verdadeira taxa de candidíases (4). É difícil determinar exatamente qual é a prevalência, pois geralmente elas são autodiagnosticadas e tratadas com medicamentos de venda livre (2).

Sintomas da candidíase vaginal

Os sintomas mais comuns de uma candidíase vaginal são:

  • Ardor ou coceira na vulva e/ou na vagina

  • Corrimento vaginal anormal (5)

  • Corrimento espesso e branco, parecido com queijo cottage (5).

  • Ardor ao urinar

  • Dor durante o sexo (2)

O desconforto causado por uma candidíase pode variar de leve a grave e pode afetar a capacidade da pessoa de realizar suas atividades diárias.

O que causa a candidíase?

Muitas vezes, é impossível identificar a razão pela qual alguém contrai candidíase. Mas há alguns fatores que podem aumentar a chance de desenvolver a infecção, incluindo gravidez, diabetes não controlada, uso de estrogênio e estar com o sistema imunológico comprometido devido a algo como HIV ou câncer (2,5).

O uso de antibióticos, pílulas anticoncepcionais e DIUs pode aumentar o risco de contrair candidíase em algumas pessoas, mas não em outras (5). Alguns estudos sugerem que o uso de absorventes, ou o uso de roupas sintéticas justas, aumenta o risco, enquanto outros estudos sugerem que não há relação entre esses fatores e a candidíase (2,5).

Essas vaginites fúngicas não são consideradas doenças sexualmente transmissíveis — alguém pode ter uma sem nunca ter feito sexo —, mas relações sexuais frequentes e recentes, seja vaginal ou oral, podem aumentar o risco de contrair uma candidíase (5). O parceiro ou parceira sexual de alguém diagnosticado com candidíase não precisa de tratamento, a menos que a próprio pessoa esteja apresentando sintomas da doença (6).

Como é diagnosticada uma candidíase?

Muitas pessoas podem autodiagnosticar uma candidíase quando apresentam sintomas. Um pequeno estudo mostrou que, entre as mulheres que acreditavam ter uma candidíase, apenas 1 em cada 3 realmente tinha, e as mulheres que já haviam sido diagnosticadas no passado por um profissional de saúde não se saíram melhor na hora de fazer o diagnóstico corretamente (7).

Os sintomas de uma infecção por fungos como a candidíase podem ser parecidos com os de outras infecções vaginais comuns, como vaginose bacteriana e tricomoníase, então conversar com um profissional de saúde é uma boa ideia para garantir que o tratamento certo seja dado.

Para diagnosticar uma candidíase, o profissional de saúde vai perguntar sobre os sintomas e fazer um exame pélvico. Ele vai examinar a vulva (genitália externa) e pode fazer um exame com espéculo para examinar as paredes internas da vagina. Ele vai verificar se a vulva ou a vagina estão vermelhas, inchadas ou se há algum corrimento (6). Ele pode coletar uma amostra do interior da vagina e enviá-la para um laboratório ou examiná-la ao microscópio para determinar se há fungos presentes (6).

Como se trata uma candidíase?

O tratamento de uma candidíase geralmente é simples e direto, com medicamentos antifúngicos de venda livre ou prescritos. Quem apresentar sintomas pode tentar um creme vaginal ou supositório de venda livre, como:

  • clotrimazol

  • miconazol

  • tioconazol (6)

Esses medicamentos são usados por via vaginal por 1 a 7 dias.

Se os sintomas não desaparecerem após o tratamento, pode ser um tipo diferente de infecção e deve ser avaliado por um profissional de saúde. O medicamento de receita, fluconazol, é um comprimido único tomado por via oral (6). Embora o comprimido seja mais prático, os cremes começam a aliviar os sintomas mais rapidamente. É importante saber que os cremes podem enfraquecer os preservativos de látex, fazendo com que se rompam. Tanto os tratamentos vaginais quanto os orais têm taxas de cura semelhantes — cerca de 80 a 90% (6,8).

Tratamentos alternativos para a candidíase

Existem abordagens alternativas para tratar a candidíase.

Cápsulas de ácido bórico usadas por via vaginal por 2 semanas têm cerca de 70% de eficácia na cura da candidíase, mas podem causar irritação (6,9).

O uso de probióticos na vagina ou por via oral, junto com um medicamento antifúngico, pode aumentar um pouco a chance de curar a candidíase, em comparação com o uso apenas do medicamento antifúngico (10).

Óleo de melaleuca e alho têm propriedades antifúngicas, mas não há pesquisas suficientes para mostrar que sejam eficazes no tratamento de candidíase (9,11).

O consumo de iogurte também carece de pesquisas suficientes para afirmar se é útil no combate à candidíase, mas é improvável que seja prejudicial (9,11).

A ducha vaginal não é eficaz no tratamento da candidíase e pode, na verdade, aumentar o risco de contrair ISTs, HIV, doença inflamatória pélvica (DIP) e outras infecções vaginais, como vaginose bacteriana (9,11,12).

Após o tratamento da infecção por candidíase

Pode levar de 1 a 2 dias até que a pessoa sinta alívio dos sintomas. Enquanto isso, usar roupas largas e tentar se manter fresca pode ajudar a aliviar a coceira e o desconforto. Evita coçar, pois isso pode causar rachaduras na pele que podem infeccionar. É melhor não fazer sexo até que a candidíase tenha passado, pois o sexo pode causar mais desconforto, e os cremes vaginais e supositórios podem enfraquecer os preservativos de látex.

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