Ilustrações por Katrin Friedmann

Contraceptivos

Contracepção de emergência: como funciona e os melhores métodos

por Anna Druet, Former Science and Education Manager
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*Tradução: Joana de Sousa

A contracepção de emergência permite às pessoas uma última chance de evitar uma gravidez não desejada. Pode ser usada depois de um outro método contraceptivo falhar, depois de sexo desprotegido ou num caso de agressão sexual. A maioria dos métodos é menos eficaz do que outras formas de contraceptivos moderno e não protegem contra as infecções sexualmente transmissíveis. Mas contracepção de emergência é uma ferramenta importante. Você terá menos probabilidade de engravidar, dependendo de onde você está no seu ciclo menstrual e do método escolhido.

Coisas importantes a saber:

  • Os DIUs de cobre são a forma mais eficaz de contracepção de emergência;
  • As pílulas contraceptivas de emergência (PCE) são tão mais eficazes quanto mais cedo você as tomar, mas podem ainda ter efeito se as tomar até 4-5 dias (96-120 horas) após a relação sexual desprotegida, dependendo de onde você está no seu ciclo menstrual e qual a pílula que você tomou;
  • As pílulas anticoncepcionais de emergência podem ser muito menos eficazes, ou não ter qualquer efeito, durante cerca de 1-2 dias de cada ciclo, exatamente por volta da ovulação.

Há muita confusão quanto ao uso e quanto à eficácia da contracepção de emergência. Muitos profissionais de saúde não têm toda a informação de que precisam, o que significa que você poderá ter de defender os seus direitos para obter o que precisa. Se você é uma pessoa que poderá vir a usar contracepção de emergência no futuro, acompanhar o seu ciclo pode ajudar a tomar uma decisão informada sobre qual contraceptivo usar.

Veja aqui o que você precisa saber sobre contracepção de emergência, incluindo uma análise dos resultados da pesquisa mais recente:

Quando devo usar contracepção de emergência?

Você pode considerar o uso após relações sexuais desprotegidas quando existe a possibilidade de você estar numa fase fértil do seu ciclo.

Mas, saber quando você está em período fértil pode ser difícil. Se você não quiser engravidar, é melhor errar por precaução quando está a considerar a contracepção de emergência. Oficialmente, a janela fértil é um período que começa aproximadamente (~)5 dias antes da ovulação e termina ~1 dia depois. No entanto, o momento da janela fértil pode mudar de ciclo para ciclo, e tem-se mostrado muito variável, até para quem percebe o seu ciclo como sendo “regular” (1). Mais de 7 em cada 10 pessoas poderão estar em sua janela fértil antes do dia 10 do seu ciclo, ou após o dia 17 (1). Os ciclos podem flutuar durante os primeiros seis anos depois da primeira menstruação, e por isso a ovulação pode ocorrer mais cedo ou mais tarde a cada ciclo (2). Fatores como o estresse, alterações do sono, jetlag e exercício físico intensivo podem também afetar o tempo da sua ovulação, na maioria das vezes causando atrasos (3 a 5). A ovulação é também afetada por certos problemas de saúde que afetem os hormônios reprodutivos. Saber o momento exato de sua ovulação geralmente requer o uso de alguns métodos caseiros como rastrear a temperatura basal do corpo ou usar um kit de deteção de ovulação, ou então testes feitos com seu(ua) médico(a).

Se você não tem certeza se é fértil ou não, usar contracepção de emergência pode ser uma boa ideia. Qualquer método pode ser mais eficaz do que nenhum (6). Embora o método emergencial não deva ser usado como contracepção primária, algumas pessoas podem optar por manter uma pílula (PCE) em mãos como backup para uma emergência, para que não percam tempo no caso de precisarem de uma pílula rapidamente. As pílulas podem ser compradas antecipadamente em muitas farmácias, clínicas médicas ou on-line.

Quais são as opções?

Existem duas opções de contraceção de emergência nos EUA: As Pílulas Contracetivas de Emergência (PCE) e o DIU de Cobre.

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Pílulas Contraceptivas de Emergência (pílulas do dia seguinte)

As pílulas contracetivas de emergência são mais conhecidas como “pílulas do dia seguinte”, embora possam ser denominadas “pílulas o mais rápido possível”. A eficácia dessas pílulas depende principalmente de onde você está no seu ciclo menstrual quando as toma - especificamente, se você tomar a pílula a tempo de impedir a ovulação (7, 8 -11). Existem dois tipos principais de PCEs disponíveis nos EUA:

A pílula do dia seguinte mais comum contém uma variante do hormônio progesterona, chamada levonorgestrel, e é comercializado sob as marcas Plan B, Next Choice, One Dose, My Way, Take Action, bem como outros nomes genéricos. Estas estão disponíveis em muitas farmácias sem receita médica. As pílulas com levonorgestrel devem ser tomadas em dose única logo que possível após uma relação sexual desprotegida. Embora a embalagem dessas pílulas possa indicar que devem ser tomadas dentro de 3 dias (72 horas), a sua eficácia pode durar por 4 dias (96 horas), diminuindo significativamente em seguida (8, 11-13).

A outra PCE chama-se ella e contém uma anti-progestina de nome acetato de ulipristal. A ella só está disponível com receita médica e é tomada em dose única ou dividida. A ella é considerada o tipo mais eficaz de PCE e poderá fazer efeito se tomada até 5 dias (120 horas) depois da relação sexual desprotegida (7, 11, 14).

Se nenhum outro método está disponível, é possível usar alguns contraceptivos hormonais orais de uso diário como método emergencial. Embora nem todas as marcas possam ser usadas dessa maneira, algumas têm instruções específicas para serem usadas como contracepção de emergência. Essas pílulas, chamadas de “pílulas combinadas”, são compostas por uma mistura de estrogênio e progesterona. Neste caso, geralmente são tomadas várias pílulas em duas doses - uma dose dentro dos 4 a 5 dias após a relação sexual desprotegida e uma outra dose 12 horas depois. Este método mostrou ser menos eficaz do que outras PCEs (10), podendo causar efeitos secundários adversos mais fortes do que outras PCEs, como náuseas e dores de cabeça (15-20). Cerca de 1 em cada 5 pessoas pode vomitar após o uso desse método (15).

As PCEs não devem ser confundidas com a RU-486, que é a “pílula abortiva”. Ao contrário das PCEs, a RU-486 funciona terminando uma gravidez após a implantação de um óvulo na parede uterina (21–22, 23).

Dispositivo Intrauterino de Cobre (DIU)

Os DIUs de Cobre são a forma mais eficaz de contracepção de emergência (24). Um DIU é um pequeno dispositivo que é inserido no útero para evitar a gravidez. Este contraceptivo de longa duração pode permanecer no corpo por até 10 anos (25) e por isso mesmo, você pode colocar um DIU de cobre como contracepção de emergência e mantê-lo para uso continuado como contraceptivo.

Os DIUs de cobre podem ser usados como contracepção de emergência se forem inseridos no útero até 5 dias após a ovulação (24). Como o momento exato da ovulação é difícil de saber, a maioria das fontes recomenda a inserção do DIU até 5 dias após a relação sexual desprotegida, para garantir que seja eficaz e seguro (23). Os DIUs hormonais, que são diferentes dos DIUs de cobre, não funcionam como contracetivo de emergência. Os DIUs de cobre não podem ser inseridos na presença de certas infecções sexualmente transmissíveis ativas e terão de ser inseridos por profissionais em uma clínica.

Como funciona o DIU? E que resultados esperar?

Escolher o método emergencial certo depende de diferentes fatores. O potencial das pílulas para serem efetivas depende de onde você está em seu ciclo, de quando ocorreu a relação sexual desprotegida, de quando toma a pílula e de que pílula toma. Por outro lado, o DIU de cobre é sempre a opção mais eficaz, e há 1 a 2 dias de cada ciclo menstrual, em que o DIU pode ser mesmo a única opção eficaz. Algumas pílulas podem ser um pouco mais eficazes do que outras, ou mesmo muito mais eficazes do que outras se tomados um pouco antes da ovulação (23).

Pílulas Contraceptiva de Emergência (PCEs)

As pílulas conctracetivas de emergência funcionam, principalmente, bloqueando ou retardando a ovulação (7, 8, 26-31). Elas alteram os hormônios do corpo para impedir a liberação de um óvulo do ovário, e assim, se a ovulação não acontece, o espermatozoide não entrará em contato com um óvulo. Enquanto um óvulo só pode ser fertilizado por espermatozoides por cerca de 12 a 24 horas após a ovulação, o esperma pode sobreviver no corpo por 5 a 7 dias (32 a 33). É nessa fase do ciclo - na parte pré-ovulatória da janela fértil - que as PCEs podem ser mais eficazes, ou completamente eficazes (23, 30,31). Isso significa que há 1 a 2 dias no final de cada janela fértil, em que uma PCE é significativamente menos provável que funcione (por volta dos dias 7 e 8 na imagem acima).

Se você tiver relações sexuais desprotegidas vários dias antes da ovulação e tomar uma PCE, suas chances de engravidar são muito menores do que se o mesmo acontecer um dia antes da ovulação (11, 30, 31). É por isso que as PCEs devem ser tomadas o mais rápido possível após uma relação sexual desprotegida - se uma PCE for tomada muito perto da ovulação, os hormônios da pílula podem não impedi-la, e você tem um risco muito maior de engravidar.

As PCEs têm demonstrado níveis de eficácia que variam em média entre os 52 e os 100% (23). As embalagens das PCE com levonorgestrel indicam níveis de eficácia de cerca de 88%. Mas, se e um método é 88% eficaz, não significa que 12% das pessoas engravidam, significa sim que as pessoas engravidam menos 88% do que se não tivessem tomado nada. No entanto, a eficácia das PCEs é difícil de estimar devido ao número de fatores que podem influenciar o seu resultado (11).

Se sua ovulação está a dias de distância, uma PCE de levonorgestrel e a ella são boas escolhas (11, 23). A ella, a pílula antiprogestina, demonstrou ser significativamente mais eficaz do que outras PCEs na prevenção da ovulação pouco antes de acontecer (7, 10, 11, 14, 29, 34, 35). Isso significa que você pode estar mais seguro ao escolher a ella (ou um DIU de cobre) se achar que está a um ou dois dias antes da ovulação, ou se tomar a pílula 4 a 5 dias após o sexo desprotegido (23). Se você não tiver acesso à ella ou a um DIU durante essa janela de tempo, ainda poderá usar outro tipo de PCE, mas esta pode não ser eficaz.

Tem havido muita especulação sobre a eficácia das PCEs para prevenir a gravidez após a ovulação. Alguns estudos sugerem que as PCEs possam impedir a fertilização de um óvulo ou impedir que um óvulo já fertilizado se implante efetivamente na parede do útero (28, 36, 37). Apesar das especulações e de toda a investigação, ainda não há evidências conclusivas de que as PCEs sejam eficazes na prevenção da gravidez depois de que a ovulação (ou fertilização) tenha ocorrido (12, 23, 30, 31, 36-38). Em dois estudos recentes sobre PCEs com levonorgestrel, as pessoas que tomaram a pílula no dia da ovulação ou após esse dia tiveram o mesmo número de gestações que seriam esperadas em pessoas que não tomaram nada - cerca de 1 em cada 3 (30, 31).

DIUs de Cobre

Ao contrário da PCE, os DIUs de cobre são muito eficazes na prevenção da gravidez antes e depois da ovulação (no final da janela fértil). Um DIU de cobre funcionará impedindo que os espermatozoides fertilizem um óvulo, ou, se um óvulo já estiver fertilizado no momento em que um DIU de cobre é inserido, o DIU impedirá que o óvulo fertilizado se implante no útero.

Com apenas 7 falhas conhecidas em milhares de casos, os DIUs de cobre são quase 100% eficazes como contracepção de emergência, tornando-os a opção mais eficaz (24). Os DIUs de cobre têm as suas próprias características e limitações para o uso a curto e a longo prazo, e estas podem não ser adequados para todos. Eles não devem ser confundidos com DIUs hormonais pois estes não funcionam como contracepção de emergência.

Nota: se você acha que está no momento da sua ovulação e não tem acesso a um DIU de cobre, utilize uma PCE.

Qualquer método pode ser mais eficaz do que nada, e é fácil julgar mal o tempo de sua ovulação (6, 23). Se você suspeitar que possa haver uma gravidez, marque uma consulta com o seu(a) médico(a) - você não deve tomar mais nenhuma PCE ou ter um DIU de cobre inserido durante agravidez.

Quais são os efeitos secundários?

Os efeitos secundários de tomar uma PCE podem incluir dores de cabeça, dor abdominal, sensibilidade mamária, tontura e fadiga, náusea e vómito (12, 15). Se você tem propensão a sofrer de náuseas, pode ser uma boa ideia tomar uma PCE junto com um medicamento anti-náuseas. Se você vomitar dentro de duas horas após tomar um PCE, fale com profissionais de saúde, pois você pode precisar de tomar uma segunda dose. Os efeitos colaterais geralmente desaparecem após um dia.

Os efeitos colaterais tendem a ser mais fortes nas PCEs de hormônios combinados (15). Se você está preocupado com quaisquer efeitos secundários depois de tomar uma PCE, converse com seu(ua) médico(a).

Algumas pessoas perguntam-se se existirão efeitos secundários ao usar PCEs com frequência. Embora as PCEs não devam ser usadas como método primário de contracepção, é improvável que o seu uso repetido cause danos sérios e é mais seguro que uma gravidez (23, 34). A ella especifica que não é recomendado o seu uso duas vezes dentro do mesmo ciclo (39).

A maioria das pessoas que tomam contracepção de emergência chega ao próximo período mais cedo do que o esperado, mas também pode vir um pouco mais tarde (40-42). As PCEs podem também causar pequenas manchas (sangramento não menstrual).

As pessoas que não tenham o período seguinte na data esperada devem fazer um teste de gravidez. É comum que o segundo ciclo e o período fiquem um pouco mais longos após a utilização de uma PCE (40–42).

Tomar uma PCE de venda livre se você já estiver no estágio da gravidez não demonstrou causar danos ao feto (43, 44), mas as PCEs não devem ser usadas por uma pessoa que já esteja grávida.

O efeito da ella ainda não foi exaustivamente investigado. As PCEs de levonorgestrel são consideradas o único tipo seguro para quem está a amamentar continuamente (45, 46), porém muitas pessoas não são férteis quando estão a amamentar. Converse com se(ua) médico(a) se estiver considerando tomar uma PCE durante a amamentação.

Os efeitos secundários da inserção de um DIU de cobre incluem dor e manchas de sangue (47). Algumas pessoas podem sofrer alterações em sua menstruação enquanto o DIU está inserido e, em alguns casos, pode acontecer de o DIU ser expelido pela vagina (48). Estes sintomas e efeitos colaterais devem ser discutidos no momento da inserção.

Um Análise Global

Estima-se que cerca de metade de todas as gravidezes nos EUA sejam não intencionais (49). Destas, cerca de 4 em cada 10 terminam em aborto e pelo menos 2 em 10 terminam em aborto espontâneo (50, 51).

Pelo menos uma em cada duas pessoas dos EUA terá uma gravidez indesejada até aos 45 anos e uma em cada duas pessoas terá um aborto indesejado (49).

A contracepção de emergência oferece a possibilidade de interromper uma gravidez indesejada antes que esta aconteça. Conhecer as opções pode te ajudar a tomar decisões informadas e a tornar a contracepção de emergência o mais eficaz possível. Entender o seu ciclo e agir rapidamente são as coisas mais importantes que você pode fazer para que a contracepção de emergência funcione para você.

[Leia agora: o que é e como funciona o ciclo menstrual?]

[Leia também: tudo sobre os DIUs]

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