Mulher vestida de maneira casual, sentada na cadeira com as mãos juntas

Foto: Susi Vetter

Aborto

O que acontece antes, durante e depois de um aborto

Conheça os tipos e procedimentos de aborto em lugares onde ele é permitido por lei, como Portugal, e onde há restrições, caso do Brasil.

Aborto ou abortamento é um evento mais comum do que se imagina. Estima-se que 1 a cada 4 gestações terminam em aborto (1). Nos Estados Unidos são um a cada cinco (2). Das gestações não planejadas nos Estados Unidos, cerca de 2 em 5 acabam em aborto (2); uma a cada quatro mulheres americanas de 45 anos terão passado por um aborto na vida (2).

Segundo a Pesquisa Nacional do Aborto 2016, no Brasil, quase 1 em 5 mulheres, aos 40 anos já teve, pelo menos, um aborto. (3)

Você também pode ter ouvido falar sobre aborto e pensado apenas no aborto induzido ou aborto provocado. Mas o aborto também pode ser um aborto espontâneo que ocorre por causas individuais da pessoa.

A definição de aborto

Aborto é a interrupção de uma gestação, expulsão do embrião ou feto com menos de 22 semanas (5 meses) ou pesando menos de 500g (4). A maioria dos abortos acontecem antes de 8 semanas de gestação, e quase todos os abortos acontecem no primeiro trimestre (nas primeiras 12 semanas da gestação) (5).

Aborto legal é seguro e efetivo para quem não quer continuar a gestação (6,7).

Acesso ao aborto em Portugal

Como em muitos países europeus, Portugal permite o aborto, que foi descriminalizado em 2007 (8). O aborto é um opção em Portugal desde que seja realizado até 10 semanas de gestação, mediante apresentação voluntária, em clínicas ou serviços de saúde oficiais.

Quando se tem menos de 16 anos, deve-se haver consentimento do responsável legal, além do desejo da pessoa menor de idade. Em casos de gestação após violência sexual, em menores de 16 anos, malformações fetais e risco de vida materno (aborto terapêutico), o aborto legal é permitido ocorrer até 16 semanas de gestação.

Acesso ao aborto no Brasil

Em muitos países da América Latina há restrições para a realização do aborto. O Brasil é um exemplo de país onde há restrição legal para prática de aborto. Desde 1940, o código penal brasileiro isenta a punição ao aborto os seguintes casos (9):

  • quando a gestação for proveniente de estupro (violência sexual);

  • quando a gestação em si representa risco de morte para a pessoa gestante (conhecido por aborto terapêutico).

  • gestação de feto anencéfalo (ou seja, em que não há o desenvolvimento de parte do cérebro e calota craniana).

Em 2012, após diversas decisões jurídicas, o Supremo Tribunal Federal brasileiro incluiu a gestação de feto anencéfalo (ou seja, em que não há o desenvolvimento de parte do cérebro e calota craniana) como mais uma possibilidade de aborto legal terapêutico (10).

Nestas três situações, o procedimento pode ser realizado mediante acompanhamento multidisciplinar de médicos, psicólogos, assistente social e enfermagem.

É interessante saber o que esperar antes, durante e depois de um aborto. O rastreamento e registro do aborto pelos serviços de saúde são realizados na maioria dos países. No Brasil, os registros oficiais de abortamento, baseiam-se nos casos em que a pessoa foi ao serviço de saúde, tanto por aborto espontâneo, incompleto, quanto para os casos de aborto legal, previsto por Lei.

Um estudo avaliou 68 dos serviços brasileiros onde é realizado aborto legal, com equipe multidisciplinar de 2013 a 2015. Informaram que 5075 mulheres foram atendidas e 2442 realizaram a interrupção da gestação. Numa amostra de mais de 1200 mulheres, observaram que a maioria tinham entre 15 e 29 anos (62%), 43% eram católicas; 94% realizaram o procedimento secundário a violência sexual e 4% por anencefalia (11).

Buscar fontes confiáveis de informação sobre aborto é importante. Em 2010, um estudo evidenciou que mesmo em sites de saúde sexual, 35% continham informações imprecisas, a maioria das informações eram sobre aborto do primeiro trimestre. Algumas fontes podem tentar enganar você de propósito (12).

O Acesso ao aborto é limitado na maior parte do mundo. Globalmente, há muitas restrições legais que não estão associadas a menores taxas de aborto. Países com mais restrições tem mais abortos clandestinos e inseguros (e as consequências relacionadas ao aborto inseguro).

Este mapa (em inglês) mostra onde é permitido o aborto no mundo. Existe também conteúdo sobre os lugares onde o acesso ao aborto é limitado (também na língua inglesa).

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Antes do aborto

Atraso menstrual e testes de gravidez

Se o seu ciclo menstrual é regular, você pode suspeitar que está grávida assim que perceber que a menstruação não veio. Os testes de gravidez detectam o hormônio produzido pelo útero depois que se inicia a gestação (chamado de hCG). Pode levar alguns dias depois que atrasou a menstruação para que o teste de farmácia, aquele que pode ser feito em casa, detecte uma gravidez, principalmente porque depende de quando você ovulou. Para a maioria das pessoas, um teste aparecerá como positivo uma semana depois que sua menstruação atrasou (13).

Se o seu ciclo menstrual é irregular (ou se você ovulou poucos dias depois do habitual), pode demorar mais para o teste de gravidez dar positivo. Isso porque pode levar de 2 a 3 semanas depois da ovulação para ter hCG suficiente no seu corpo capaz de ser registrado pelos testes (13,14).

Sintomas de gestação inicial

As mudanças hormonais causam os sintomas iniciais da gestação. De 6 em 10 pessoas percebem os sintomas iniciais em torno de uma ou duas semanas de atraso menstrual, e 9 em 10 perceberão os sintomas da gestação depois de um mês que a menstruação atrasou (15). Alguns dos sintomas mais comuns da gravidez precoce incluem náuseas, fadiga, seios doloridos, alterações no apetite e aumento da micção (fazer xixi com mais frequência). (16)

Mancha de Gravidez: Uma pequena mancha de sangue também pode acontecer no início da gestação. Cerca de 1 em cada 10 pessoas tem isso nas primeiras 8 semanas de gestação (17). É possível que se confunda a mancha de gravidez com menstruação. Em muitos casos, essa mancha só é percebida no papel higiênico. Menos de 2 em cada 10 pessoas, a mancha pode ser mais forte e parecer com uma menstruação habitual (17).

Se você conhece seu ciclo menstrual, que tem as mesmas características todo mês, você provavelmente vai notar a diferença entre mancha de gravidez e de menstruação. Sangramento mais intenso pode acontecer também, mas geralmente isso tem chance de ser um aborto espontâneo - não é incomum que um aborto espontâneo inicial pareça uma menstruação forte, fora do normal, depois de um ciclo menstrual que atrasou alguns dias (17,18).

Este artigo descreve o processo de abortamento em áreas e países onde há legalização do aborto, ou seja, onde há direito e acesso por lei a serviços de saúde para isso.

Opções: Quais os procedimentos relacionados ao aborto?

Algumas clínicas dão a opção de escolher entre um aborto medicado (também conhecido como pílula abortiva) e um aborto por aspiração (também conhecido como aborto cirúrgico, procedimento de D&C ou aborto na clínica). A escolha pode depender de quanto tempo a gravidez é, o tempo que cada método leva, e a preferência por estar principalmente em casa ou na clínica. Recomendações e procedimentos também podem variar de país para país.

Aborto medicado (“A pílula do aborto”)

Um aborto medicado é quando usa-se pílulas que você engole, ou que são colocadas na vagina, no colo do útero. Este procedimento pode ser feito no começo da gestação, e eventualmente até 10-12 semanas de gestação, e algumas vezes mais tarde, dependendo de onde você vive.

Geralmente envolve tomar uma pílula na clínica e depois ir para casa e tomar outra pílula. Em alguns lugares, você pode ter a opção (ou exigência) de tomar a segunda pílula também na clínica, embora a maioria das pessoas relata sua preferência por estar em casa (19). Depois de tomar a segunda pílula, o útero vai ceder, sangrar e esvaziar ao longo de algumas horas - semelhante a um aborto espontâneo.

O nível de cólicas, dor e sangramento pode ser intenso a depender do momento da gestação (20). Uma consulta de acompanhamento geralmente acontece uma semana ou duas depois do abortamento.

Os abortos medicados no primeiro trimestre são seguros e muito eficazes. Mais de 95 em 100 pessoas que fazem um aborto medicado não precisam de tratamento adicional (21,22). Um número de casos em que as pílulas não funcionam completamente, outra pílula ou um procedimento de aspiração é usado como acompanhamento. Complicações mais sérias são muito raras, ocorrendo em menos de 0,4 por 100 casos (5,22,23).

Alguns países atualmente exigem que a segunda pílula também esteja na clínica. O Reino Unido mudou no final de 2018 seu protocolo, permitindo que as pessoas tomem a segunda pílula em casa.

  • Vantagens: Um aborto medicado está disponível assim que você souber que está grávida. Nenhuma anestesia está envolvida, e você provavelmente terá algum controle sobre quando tomar o segundo comprimido. O aborto seguirá como um aborto espontâneo. Pode haver a opção de estar em casa (ou onde for mais confortável) e moldar o espaço de uma forma que melhor atenda às suas necessidades. Você pode escolher ter alguém com você ou ficar sozinha. Há mais tempo e espaço para a conscientização do processo de aborto (para outros, isso pode ser um ponto negativo).

  • Desvantagens: Leva-se um ou dois dias para completar o aborto. Sangramento e cólicas podem ser muito fortes / dolorosas e duram mais do que com um aborto por aspiração. As pessoas podem questionar se seus sintomas são normais quando estão em casa, o que pode ser estressante. Os abortos medicados geralmente não estão disponíveis para gestações mais tardias, como outros métodos.

Aborto por aspiração (também conhecido como aborto cirúrgico, D&C ou aborto na clínica, ou AMIU- aspiração manual intrauterina)

Um aborto por aspiração é um procedimento para remover o conteúdo do útero. Isso acontece em uma clínica ou hospital. Um aborto por aspiração está disponível após a semana 6 da gestação, até cerca de 16 semanas (algumas clínicas não o oferecem após a 12ª semana, por isso é importante verificar).

Uma medicação geralmente é dada uma ou duas horas antes do procedimento. Um anestésico local ou geral é oferecido, fazendo com que se sinta sono ou durma completamente. Um médico, então, insere um instrumento na vagina e através do colo do útero para alcançar o interior do útero. O conteúdo do útero é aspirado. O procedimento geralmente leva de 5 a 10 minutos (24,25). Após o procedimento, descansa-se cerca de meia hora na clínica antes de ir para casa.

Os abortos por aspiração no primeiro trimestre são seguros e extremamente eficazes: 99 vezes em 100, tudo funciona bem na primeira vez (5). Em casos raros, um procedimento de acompanhamento pode ser necessário. Complicações mais sérias são muito raras, ocorrendo em menos de 0,2 por 100 casos nos EUA (5,26).

  • Vantagens: O procedimento termina em alguns minutos. O desconforto dura por um curto período de tempo e é ajudado pelo anestésico. Há menos sangramento do que com um aborto medicado. Os membros da equipe médica estão presentes e apenas uma consulta na clínica pode ser necessária. Isso pode ser feito mais tarde na gestação do que um aborto medicado. É um pouco mais eficaz do que os abortos medicados.

  • Desvantagens: É mais invasivo; instrumentos são inseridos através da vagina para abrir o colo do útero para chegar no interior do útero. Anestésicos e analgésicos podem causar efeitos colaterais. Há menos controle sobre o procedimento, não se escolhe o ambiente, nem a posição que está o corpo e talvez não se controla quem o acompanhamento até a sala. A ferramenta de aspiração pode ser ruidosa. Não pode ser feita no início da gestação como aborto medicamentoso.

Durante um aborto: o que esperar

Quando se vai a uma consulta de aborto, a clínica pode solicitar atendimento com um conselheiro ou membro da equipe de saúde sobre a decisão. Essa pessoa deve responder a quaisquer perguntas que se possa ter e informar sobre opções de contracepção. Eles também querem garantir que a decisão seja individual e que não há pressão por parte de ninguém.

Um profissional de saúde da clínica fará um exame físico, alguns testes, e algumas vezes fará um ultrassom para confirmar a idade da gestação e quais são as opções. Eles devem fornecer instruções por escrito sobre medicamentos, quem contactar se houver alguma dúvida depois de ir para casa e o que esperar durante ou após o aborto. É possível se preparar para um aborto com algumas coisas reconfortantes ao redor, como uma garrafa de água quente, absorventes menstruais ou um amigo com habilidades de massagem. Se o aborto é feito na clínica, é necessário que alguém ajude no retorno para casa.

O que acontece durante um aborto medicado

Ao optar fazer um aborto medicado, provavelmente se receberá uma pílula para tomar na clínica e outra para tomar em casa. Algumas clínicas pedirão retorno para uma segunda visita para tomar as pílulas.

O primeiro comprimido que você vai tomar é um medicamento chamado mifepristone. Um embrião precisa de progesterona para permanecer ligado ao revestimento uterino e se desenvolver, e o mifepristone bloqueia a progesterona que o corpo está produzindo. Outro remédio será fornecido para levar para casa e, em alguns lugares, marcará uma consulta de acompanhamento uma ou duas semanas após o aborto.

Em casa (ou na segunda visita à clínica), toma-se um medicamento chamado misoprostol. A maioria das diretrizes recomenda fortemente que você espere 1-2 dias antes de tomar a segunda pílula (28). O momento em que se toma pode depender de fatores que o profissional de saúde da clínica irá discutir nas consultas (27,28).

O misoprostol faz com que o útero contraia e elimine seu revestimento interno e seu conteúdo. A droga é um tipo de prostaglandina, semelhante ao que causa cólicas menstruais (e os sintomas relacionados). Também é provável que você tome um analgésico (paracetamol ou ibuprofeno) além de um medicamento contra náusea meia hora antes de tomar o misoprostol. Não é recomendado aspirina ou qualquer medicamento para dor que possa aumentar o sangramento (25,29).

Sintomas: nos primeiros dias

  • Sangramento e cólicas após tomar o primeiro comprimido, mifepristone, mas isso é incomum.

  • Sangramento que começa de 1 a 4 horas após o uso da segunda pílula, misoprostol. Algumas pessoas relatam que é estressante esperar pelo sangramento e temem que as pílulas não estejam funcionando.

  • Hemorragia intensa com coágulos e tecidos durante várias horas - geralmente cerca de 4-5 horas, mas pode variar. Os coágulos podem ser bastante grandes e o sangramento intenso pode ser surpreendente.

  • Cólicas fortes por várias horas. Estas podem ser muito intensas e podem variar entre leves e fortes.

  • Febre baixa e calafrios que duram menos de um dia após o uso da segunda pílula, misoprostol (cerca de 1 em cada 3 pessoas sentem isso), bem como náuseas, vômitos, tontura, diarréia e cansaço (19,20,29-32).

Sintomas: nas semanas seguintes

  • Sangramento menos intenso que continua por 1-2 dias, tornando-se mais leve nas próximas 2 a 3 semanas. Cólicas leves também podem continuar por 2-3 semanas.

  • Corrimento ou manchas podem continuar até o próximo ciclo menstrual. Um estudo baseado em diários de sangramento mostrou que pequenos corrimentos persistiram em média por 24 dias. Uma em 5 pessoas durou mais de 35 dias.

  • Outras alterações como nível de energia, humor, apetite e outros sintomas da gravidez, até que os hormônios voltam ao equilíbrio. Na maioria das pessoas, os sintomas da gravidez desaparecem dentro de 1-2 semanas, mas podem durar até um mês (19,20,29-32).

Fatores de preocupação

Sangramento intenso pode surpreender, mas geralmente é normal. Se gasta-se menos de 2 absorventes noturnos por hora, por duas horas seguidas, normalmente está tudo bem. Se o sangramento é mais do que isso, é melhor procurar o serviço de saúde (25,30).

Na consulta de acompanhamento, o profissional de saúde da clínica pedirá um exame de sangue ou ultrassom para se certificar de que o aborto foi concluído.

O que acontece durante o aborto por aspiração

Algumas clínicas farão todo o processo em uma única consulta. Outras, pedirão primeiro um check-up e passarão alguns medicamentos para ajudar a dilatar o colo do útero, e retorna-se num segundo momento para fazer o procedimento. Antes do procedimento, são aplicados alguns analgésicos e antibióticos (20,26).

Durante o procedimento, o profissional de saúde da clínica examinará o abdômen e administrará anestesia. Um espéculo será inserido na vagina e é injetado um medicamento no colo do útero. Se não houve nenhum pré-tratamento para o colo do útero, o profissional fará isso no momento, inserindo algumas pequenas ferramentas de diferentes tamanhos para ajudar o colo do útero a se abrir. Uma ferramenta longa e fina será introduzida através do colo do útero e com um dispositivo manual, ou pequena máquina, vai aspirar o revestimento interno do útero (aquele tecido que descama quando você tem a menstruação) também como o embrião. Após o procedimento, então descansa-se por cerca de meia hora antes de ir para casa (29,30,33,34).

Sintomas:

  • Desconforto, dor, beliscão e pressão durante o procedimento

  • Sonolência, se a anestesia local for usada

  • Hemorragia leve com pequena quantidade de tecido que começa imediatamente ou após alguns dias do procedimento e dura de alguns dias a semanas (geralmente cerca de 2 semanas), tornando-se mais leve ao longo do tempo.

  • Cólicas leves por 2-4 dias (25,29,32,34)

Depois do aborto: O que é importante

Se possível, é bom ter paciência nos próximos um ou dois após um aborto. Os hormônios estão voltando ao equilíbrio, e é possível sentir-se dolorida, cansada e com vontade de descansar.

É importante evitar a inserção de algo na vagina por 2-3 semanas após um aborto, incluindo tampões, pênis, brinquedos sexuais etc. Isto é para evitar qualquer possível infecção, enquanto o colo do útero ainda pode estar ligeiramente aberto (34).

Depois do aborto medicado

Uma consulta de acompanhamento às vezes é recomendado para garantir que o aborto esteja completo. Nessa consulta, o profissional de saúde da clínica pode realizar um exame rápido, um exame de sangue e/ou um ultrassom. Serão feitas algumas perguntas sobre a experiência. No caso improvável de ainda haver gravidez, o profissional oferecerá tratamento ou procedimento adicional.

Depois do aborto por aspiração

Nenhuma consulta de acompanhamento é normalmente necessária depois do aborto por aspiração a menos que haja complicações.

Aborto e o ciclo menstrual

Geralmente, leva de 4 a 6 semanas para a menstruação voltar ao normal após um aborto precoce (35,36).

A ovulação pode voltar no primeiro ciclo menstrual após um aborto, logo, engravidar novamente é possível, mesmo antes do retorno da menstruação (36).

É normal que os primeiros ciclos menstruais sejam ligeiramente irregulares após um aborto (25-37). Pode ser útil registrar e acompanhar o sangramento após aborto e sintomas como seios doloridos, cãibras e náusea. Se você acompanhar sua hemorragia pós-aborto no Clue, poderá excluir esse ciclo no histórico de análise para que ela não afete suas previsões.

Está tudo bem? Mas quais as complicações possíveis?

É comum a pessoa se perguntar se está tudo bem enquanto ou após experimentar um aborto (19). Na maioria dos casos, não há nada sério para se preocupar. Aqui estão as coisas para prestar atenção depois do seu aborto:

Sintomas que sinalizam uma possível complicação:

  • Ter febre depois de 24 horas

  • Hemorragia intensa que não para ou que acarreta uso de mais de 2 absorventes noturnos por hora, duas horas seguidas (ou mais)

  • Piora da dor pélvica nos dias seguintes ao aborto

  • Sintomas de gravidez após 2-4 semanas

  • A menstruação não retornar após 8 semanas

  • Corrimento com cheiro ruim

  • Mínimo ou nenhum sangramento em um aborto medicado, associado a sintomas de gravidez (29,35,38,39)

Ao sentir qualquer um desses sintomas, deve-se entrar em contato com um profissional de saúde. Pode ser um sinal de aborto incompleto que requer mais tratamento ou de uma infecção. Infecções podem acontecer quando nem todo tecido é expelido durante o aborto.

Dor intensa com ou sem sangramento pode ser um sinal de prenhez ectópica (uma gestação que está se desenvolvendo fora do útero, geralmente na tuba uterina). Procedimentos de aborto não são tratamentos para prenhez ectópica, pois a gestação continuará a crescer. Uma prenhez ectópica deve ser tratada como uma emergência médica (2).

No Brasil não há clínicas de aborto permitidas por lei como ocorre em países onde o aborto é legalizado.

Nas três situações em que o aborto é permitido por lei no país, os procedimentos são realizados em ambiente hospitalar. Existe a possibilidade do aborto medicado, do aborto por aspiração e da curetagem uterina. A indicação do procedimento vai depender da idade da gestação, assim como explicado anteriormente.

Quando se realiza o aborto medicado, a pílula utilizada é o misoprostol. Em muitos serviços, quando não há o aparelho para aspiração, realiza-se a curetagem uterina. Na curetagem uterina utiliza-se uma cureta, semelhante a uma pequena colher, que é introduzida no interior do útero e o conteúdo é esvaziado. Este procedimento é realizado sob sedação anestésica e é mais invasivo do que a aspiração, mas as complicações também são raras (4).

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Emoções após um aborto

Escolher por um aborto pode ser fácil ou difícil, para diferentes pessoas e situações diferentes. Eles ocorrem para gestações que são desejadas ou não, por muitas razões. Tomar decisões sobre o aborto pode ser um momento muito estressante e delicado para algumas pessoas. Para outras, é simples. Conversar com amigos, familiares ou parceiros sobre sua decisão ou experiência pode ser útil em alguns casos, ou levar a um estresse adicional para os outros.

Um grande estudo nos Estados Unidos descobriu que 3 em cada 4 pessoas sentiam emoções positivas, como alívio, na semana após um aborto, enquanto 1 em cada 4 sentia emoções predominantemente difíceis (40). As pessoas que vivem em comunidades com mais estigma em torno do aborto, bem como pessoas com menos apoio social, eram mais propensas a sentir emoções negativas. Ambas as emoções positivas e negativas diminuíram com o tempo. No geral, cerca de 99 em 100 pessoas sentiram que tinham tomado a decisão certa quando perguntaram sobre isso em diferentes momentos ao longo dos três anos seguintes ao aborto (40).

Como no Brasil, as circunstâncias do abortamento envolvem situações peculiares que por si só já agregam emoções negativas e traumáticas, o que faz a experiência do aborto ainda mais difícil. Sentimentos ambivalentes comumente surgem, e são ainda maiores para quem tem princípios religiosos contrários ao aborto, como a religião católica. No entanto, em vítimas de abuso sexual, mesmo as mulheres com maior religiosidade, não apresentaram sentimentos de pesar pela decisão do aborto e reforçaram que teriam a mesma atitude se tivessem que reviver a situação (41,42).

Quaisquer que sejam suas escolhas e experiências ao fazer um aborto, saiba que você não está só.

É seguro um aborto em casa?

Desde as primeiras civilizações, a tentativa de controle de natalidade sempre esteve no cotidiano das sociedades. Foram desenvolvidas estratégias, às vezes absurdas, para se evitar uma gravidez. Os egípcios desenvolveram técnicas com esponjas embebidas em suco de limão e vinagre, pessários vaginais contendo esterco de crocodilo, mel e bicarbonato para impedir a reprodução (43).

No século IV, era recomendado pelos antigos gregos o uso de azeite na vagina e várias plantas como romã, poejo e pinho para a mulher não engravidar. Diversas receitas de chás e infusões foram propagadas para induzir a menstruação. Muitas mulheres chinesas morreram ou ficaram estéreis intoxicadas por chumbo e mercúrio que bebiam para controlar a fertilidade (43).

Na Idade Média, a posse e/ou menção escrita do conhecimento para interromper uma gravidez foi considerada 'feitiçaria' (44). As fórmulas e receitas propagadas para evitar gravidez ou abortar foram muitas e ainda hoje muitas pessoas procuram informações sobre como realizar um abortamento em casa. Na internet, é comum encontrar inúmeros remédios caseiros feitos de infusões, plantas e ervas para abortar. No entanto, não há estudos que comprovem a segurança dessas preparações, a dose e como tomá-los devidamente especificados. Assim, o risco de toxicidade e efeitos adversos é iminente (45).

É fundamental saber que você não deve se automedicar. Se esses medicamentos não forem tomados adequadamente e nas doses necessárias, de acordo com as características e histórico clínico de cada pessoa, podem ter efeitos colaterais muito importantes que levam a risco para sua saúde. Náuseas, vômitos e diarréia prolongada, febre e calafrios, hemorragia intensa ou não, convulsões e sedação, e até mesmo risco de produzir insuficiência adrenal colocam sua integridade física e sua vida em risco.

Além disso, deve-se levar em conta que nem todas as pessoas são candidatas a fazer um aborto em casa, por isso é muito importante a avaliação prévia com profissional de saúde (45, 46). Em países onde há legalização do aborto, a mulher pode escolher ter um aborto em casa de forma segura e com acompanhamento ambulatorial em clínicas credenciadas.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o risco de morte por aborto inseguro é de 30 para cada 100.000 procedimentos na América Latina e Caribe.

Quando um aborto induzido é realizado por profissionais de saúde capacitados que aplicam técnicas e medicamentos adequados, em condições higiênicas apropriadas, este procedimento é muito seguro: nos Estados Unidos (EUA), a taxa de letalidade é de apenas 0,7 por 100.000 abortos legais (46).

É importante salientar que aborto inseguro é uma grave causa de morte materna (morte de mulher relacionada a gravidez), responsável por cerca de 14,5% das mortes maternas no mundo (47). Um aborto inseguro pode levar à morte, situações de near miss (quase morte) e sequelas graves (perfuração e rotura uterina, infertilidade, por exemplo). As principais complicações dos abortos inseguros seja em casa ou sem orientação médica adequada são: hemorragia severa, infecção generalizada (sepse), injúria ou trauma genital e anemia (48).

Um estudo avaliou os dados estimados de abortos em 182 países a fim de documentar a proporção de abortos seguros e inseguros (baseados nas recomendações da OMS). A proporção de abortos inseguros foi expressamente maior nos países onde há restrições legais para realização do aborto. Países em desenvolvimento tem maior taxa de abortos inseguros comparado com países os desenvolvidos (49,5% vs 12,5%, respectivamente) e é especialmente maior em países onde há criminalização e maiores restrições para o aborto (49).

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