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illustration of  clean white panties and bacteria moving toward it

Ilustração: Marta Pucci

Tempo de leitura: 6 min

Como é ter um vaginose bacteriana

É algo extremamente comum. Conheça as experiências com vaginose bacteriana de pessoas que trabalham no Clue.

O equilíbrio das bactérias na vagina é importante para manter sua saúde e a do seu trato reprodutivo. A vaginose bacteriana ocorre quando o equilíbrio habitual das bactérias vaginais é substituído por uma grande quantidade de bactérias anaeróbias (bactérias que não precisam de oxigênio para crescer). Os sintomas podem variar de um odor semelhante ao de peixe ou desagradável a coceira, desconforto e inflamação (1).

Pesquisas mostram que cerca de 3 em cada 10 pessoas nos Estados Unidos têm vaginose bacteriana em um determinado momento, embora cerca de 84% das pessoas participantes não apresentem sintomas vaginais (2). Em muitos casos, o impacto mais significativo da vaginose bacteriana sintomática é emocional e social, especialmente para pessoas que apresentam episódios recorrentes apesar do tratamento. Um estudo constatou que, dependendo da gravidade e da frequência dos sintomas, a vaginose bacteriana pode fazer com que as pessoas se sintam “constrangidas, envergonhadas ou ‘sujas’” (3).

Falar sobre vaginose bacteriana pode ajudar as pessoas a entender que é uma experiência comum e que não há motivo para sentir vergonha.

Ao buscar depoimentos, percebemos que diversas pessoas que trabalham no Clue já tiveram vaginose bacteriana. Estas são algumas das nossas histórias:

“Eu não tinha nenhum sintoma de vaginose bacteriana. Fui à minha consulta ginecológica anual e recebi uma ligação com os resultados cerca de uma semana depois. A pessoa ao telefone — imagino que fosse alguém do laboratório ou da equipe de enfermagem — disse que eu tinha ‘gardnerella’, o termo médico que ela usou para vaginose bacteriana. Por causa da barreira linguística e do sotaque alemão, achei que ela tinha dito que eu estava com ‘gonorreia’. Entrei em pânico e perguntei: ‘Eu estou com gonorreia?!’. Ela confirmou e me disse para ir à farmácia comprar ‘Fluomizin’, um medicamento em comprimidos vaginais para tratar a vaginose bacteriana. Fiquei tão confusa e assustada que liguei imediatamente para meu parceiro, que reagiu com muita calma e me apoiou. Tudo foi esclarecido mais tarde naquele dia, com a ajuda da equipe científica [do Clue] e quando finalmente consegui falar com minha médica. Usei o medicamento à noite, antes de dormir, por cerca de cinco ou seis dias. Algumas semanas depois, tive que voltar à ginecologista para verificar se a vaginose bacteriana havia desaparecido. O tratamento funcionou.” — Claire, produtora de conteúdo

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“Eu tinha apenas 12 anos quando tive vaginose bacteriana e ainda não tinha tido minha menarca. Um dia, minha vulva começou a coçar muito e, nos dias seguintes, a coceira só piorou. Então contei para minha mãe, e ela me levou ao ginecologista dela. Foi minha primeira consulta ginecológica! Ele diagnosticou a vaginose bacteriana e me passou um tratamento líquido para aplicar regularmente. Depois de alguns dias, tudo voltou ao normal. Felizmente, isso não me afetou socialmente, e continuei indo à escola durante aqueles dias. Tive vaginose bacteriana novamente aos 23 anos, mas dessa vez já sabia melhor do que se tratava e que, depois de uma consulta e do tratamento adequado, ficaria tudo bem. Por isso, não fiquei com tanto medo.” — Comentário anônimo

“Comecei a ter vaginose bacteriana pela primeira vez quando coloquei meu DIU de cobre. Mais tarde, descobri que isso acontecia porque minhas menstruações eram muito longas e que sangramentos prolongados podem aumentar o risco de vaginose bacteriana. Durante muitos meses, não percebi que tinha a condição. Achei que talvez meu corrimento tivesse mudado por causa do DIU de cobre, mas não tinha certeza. O cheiro não lembrava peixe; era mais metálico, então não parecia corresponder às listas típicas de sintomas. Também não tinha coceira. A situação piorou a ponto de me deixar muito constrangida. Foi estressante perceber que algo estava mudando sem saber o que estava acontecendo. Fui à ginecologista, e ela disse que eu tinha vaginose bacteriana. Fiz o tratamento, mas ela basicamente voltava toda vez que eu menstruava — e minha menstruação durava mais de 10 dias. Durante o ano em que usei o DIU de cobre, minha menstruação nunca ficou mais curta, e a vaginose bacteriana voltou várias vezes. Fiz o tratamento cerca de cinco vezes. Isso afetou meu dia a dia e também minha vida sexual, porque, é claro, fiquei bastante constrangida com a situação. Retirei o DIU, a vaginose bacteriana desapareceu imediatamente e nunca mais tive outro episódio.” — Comentário anônimo

“Descobri que tinha vaginose bacteriana durante minha consulta ginecológica anual. Eu tinha ido conversar sobre a possibilidade de colocar um DIU e, durante o exame, minha ginecologista disse que eu tinha ‘só um pouquinho de vaginose bacteriana’. Tive que perguntar o que era. Eu tinha percebido um leve cheiro de peixe de vez em quando, mas não achei que fosse nada fora do comum. Então fiquei um pouco envergonhada ao descobrir que estava com essa infecção havia algum tempo sem saber — será que meu namorado tinha percebido? E outras pessoas? Ela me receitou Metrogel, um antibiótico com um aplicador engraçado, parecido com uma pequena seringa, que me lembrava os doces Push Pop. Apliquei o Metrogel todas as noites durante cinco dias, e o cheiro desapareceu imediatamente. Uma coisa um pouco difícil foi não poder fazer sexo durante o tratamento. Não poder fazer sexo provavelmente me deixou com ainda mais vontade do que eu normalmente teria. Minha médica também recomendou usar um supositório de ácido bórico depois do tratamento com antibiótico, mas não encontrei em nenhuma farmácia do meu bairro e acabei não usando. Não foi nada demais! Fiquei muito aliviada ao descobrir como a vaginose bacteriana é comum e ao saber que outras pessoas que trabalham comigo no Clue também já tiveram.” — Amanda, editora

A vaginose bacteriana é uma condição comum e não há motivo para sentir vergonha. Se você quiser saber mais, veja nosso artigo sobre corrimento vaginal e como ele muda ao longo do ciclo menstrual. Se notar algum cheiro ou corrimento fora do habitual, consulte um profissional de saúde. Embora a vaginose bacteriana geralmente não cause complicações de saúde, quando não é tratada, às vezes pode levar à doença inflamatória pélvica, infecções após cirurgias ginecológicas ou complicações na gravidez, incluindo aborto espontâneo e parto prematuro (2,4,5).

Uma maior visibilidade sobre a vaginose bacteriana pode ajudar a reduzir o estresse que acompanha essa condição.

Se você se sentir à vontade, converse sobre vaginose bacteriana com suas pessoas de confiança. Você também pode compartilhar sua experiência com o Clue no Twitter, TikTok ou Instagram.

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