Uma ilustração do símbolo transgênero cercado por diferentes formas de controle de natalidade

Ilustração: Marta Pucci

LGBTQIA+

O que pessoas trans e não-binárias precisam saber sobre métodos anticoncepcionais?

*Tradução: Mariana Rezende

As pessoas trans e não-binárias que estão fazendo o tratamento hormonal de afirmação de gênero podem pensar que não precisam usar métodos anticoncepcionais. No entanto, o tratamento hormonal isolado não protegerá as pessoas trans e não-binárias de uma gravidez.

A menstruação para de aparecer para a maioria dos homens trans e não-binários AFAB (pessoas que receberam a atribuição do gênero feminino ao nascer) depois de tomar testosterona por alguns meses (1), mas a ovulação (liberação de um óvulo do ovário) ainda pode acontecer mesmo que nunca tenham menstruado (2, 3).

Para mulheres trans e não-binárias AMAB (pessoas que receberam a atribuição do gênero masculino ao nascer) e estão tomando estrogênio, o desenvolvimento de espermatozóides nos testículos ainda pode acontecer (1). O tratamento hormonal de afirmação de gênero geralmente diminui a fertilidade, mas não pode ser considerado como uma forma confiável de contracepção.

Independentemente da identidade de gênero, se duas pessoas estão fazendo sexo pênis-vagina, uma gravidez pode acontecer. As gravidezes não planejadas realmente acontecem.

E as pessoas trans e não-binárias que não estão tomando hormônios?

A mesma questão é válida para pessoas trans e não-binárias que não estão fazendo o tratamento hormonal de afirmação de gênero. O que importa (em termos de possibilidade de engravidar) são as partes do corpo de uma pessoa e parceirxs em questão, não sua identidade de gênero. Se uma pessoa está tendo relações sexuais em que existe a possibilidade de um espermatozóide encontrar um óvulo e não existe o desejo de que uma gravidez aconteça, recomenda-se o uso de alguma forma de contracepção.

Os melhores métodos anticoncepcionais para pessoas que estão fazendo um tratamento hormonal

Nenhum método isolado é o melhor. O mais importante é que as pessoas se sintam confortáveis com quaisquer que sejam os métodos escolhidos. De acordo com a opinião de especialistas do Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia (ACOG), as pessoas trans e não-binárias que eram AFAB podem escolher qualquer método de contracepção disponível para mulheres cisgêneras – mesmo se estiverem tomando testosterona (4). Essas pessoas devem conversar sobre suas opções com profissionais de saúde porque podem existir alguns métodos que não são seguros devido a condições de saúde subjacentes, mas não por causa de sua identidade de gênero.

O tratamento hormonal afeta a fertilidade a longo prazo?

O tratamento hormonal de afirmação de gênero pode afetar a fertilidade a longo prazo. Mais pesquisas são necessárias, mas alguns homens trans e AFAB não-binários que usam testosterona e param de ovular, e mulheres trans e pessoas AMAB não-binárias que usam estrogênio e param de produzir espermatozóides, podem não retomar essas funções depois de pararem de usar hormônios (2). Outras pessoas podem ficar férteis novamente de três a seis meses depois de interromper o tratamento hormonal.

Caso uma pessoa deseje ter crianças biológicas no futuro, recomenda-se conversar sobre os potenciais métodos de preservação de fertilidade antes do início de um tratamento hormonal (1, 5). A preservação da fertilidade pode incluir o congelamento de óvulos, embriões (de óvulos fertilizados) ou tecido ovariano em pessoas AFAB e congelamento de espermatozóides ou tecido testicular em pessoas AMAB (6). Infelizmente, em muitos países, essas técnicas de preservação são caras e/ou não cobertas pelos planos de saúde, tornando-as inacessíveis para muitas pessoas. Planos para fertilidade futura também devem ser discutidos antes da realização de certas cirurgias de afirmação de gênero, como remoção do útero e/ou ovários em pessoas AFAB ou remoção dos testículos em pessoas AMAB, uma vez que essas cirurgias são permanentes.

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As mulheres trans podem usar a pílula anticoncepcional como uma forma de tratamento hormonal?

As mulheres trans devem saber que os métodos anticoncepcionais, como a pílula, não devem ser usado como tratamento hormonal de afirmação de gênero. O estrogênio dos anticoncepcionais tem uma forma e dosagem diferentes das prescritas para as mulheres trans (1, 5). As mulheres trans normalmente também usam um antiandrógeno, que bloqueia os efeitos da testosterona no corpo (1, 5). As mulheres trans terão resultados melhores e mais seguros quando um profissional de saúde recomendar o tipo e a dose correta de estrogênio e antiandrógeno.

Como encontrar profissionais de saúde receptivos a pessoas trans

Nem sempre é fácil encontrar cuidados de saúde respeitosos e de qualidade.

Cerca de 30% das pessoas transgênero evitaram ou demoraram para procurar os cuidados de saúde necessários devido à discriminação percebida (7), e cerca de 15% das pessoas trans relatam que o tratamento foi recusado por causa de sua identidade de gênero (8).

Pode ser muito útil pedir uma indicação a algum(ma) profissional de saúde que já tenha sido prestativo e acolhedor, a amigos ou a pessoas de confiança, ou entrar em contato com grupos locais de apoio. A Associação Profissional Mundial para a Saúde Transgênero (WPATH) tem uma lista de provedores globais em seu site, em inglês.

O que mais as pessoas trans e não-binárias precisam saber sobre métodos anticoncepcionais?

Os homens trans e pessoas AFAB não-binárias (tomando testosterona ou não) podem usar alguns métodos anticoncepcionais para gerir suas menstruações (4, 9).

A proteção contra a gravidez pode tornar o sexo mais divertido ou satisfatório, já que o stress e a ansiedade de uma gravidez não planejada não estão presentes. É importante lembrar que os métodos anticoncepcionais hormonais e o DIU de cobre não protegem contra ISTs (infecções sexualmente transmissíveis).Para prevenir a transmissão de ISTs, use um método de barreira, como camisinhas ou as folhas de látex geralmente encontradas em consultórios odontológicos, conhecidas como "barreiras dentais".

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