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A woman in a hoodie pinching the bridge of her nose in frustration or pain

Fotografia via Pexels. Foto de banco de imagens. Cena posada por modelo.

Tempo de leitura: 7 min

TDPM e problemas no relacionamento: como cuidar da relação ao longo do ciclo

Perguntas e respostas com a equipe científica do Clue

Quem vive com transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) e navega pelas redes sociais durante a fase lútea geralmente encontra um tema recorrente: a necessidade urgente de “proteger o relacionamento” durante o que muitas pessoas chamam de "semana infernal".

Embora a TPM possa ser difícil, o TDPM pode trazer sintomas emocionais intensos que fazem com que algumas pessoas sintam que perderam completamente o controle, levando-as muitas vezes a questionar seus empregos, suas vidas e seus relacionamentos.

Queríamos entender a ciência por trás disso e, principalmente, como os casais podem proteger seu vínculo quando todas as emoções parecem estar no volume máximo.

Para explicar a realidade clínica do TDPM, conversamos com nossa especialista residente, Eve, sobre a ciência por trás desse transtorno, como ele pode afetar os relacionamentos e como os casais podem se preparar para períodos mais difíceis.

Principais pontos

  • Pessoas com TDPM não parecem ter níveis hormonais anormais. Em vez disso, pesquisadores acreditam que seus cérebros são mais sensíveis às flutuações hormonais típicas após a ovulação, o que afeta substâncias químicas envolvidas na regulação do humor, como a serotonina.

  • O TDPM pode criar uma vontade intensa de fazer grandes mudanças na vida (como terminar um relacionamento) durante um período de piora dos sintomas. Esses sentimentos costumam melhorar quando a menstruação chega.

  • Monitorar seu ciclo pode ajudar você a antecipar a “semana infernal”, comunicar suas necessidades à pessoa parceira e evitar marcar decisões importantes ou conversas difíceis durante os dias de sintomas mais intensos.

  • Já parceiros e parceiras não precisam “resolver” o TDPM alheio. Muitas vezes, o apoio mais útil é ouvir sem julgamentos, validar a experiência da pessoa e perguntar do que ela precisa.

  • Embora hábitos de vida saudáveis possam contribuir para o bem-estar geral, o TDPM moderado a grave geralmente requer tratamentos médicos baseados em evidências, como ISRS ou contraceptivos hormonais que suprimem a ovulação.

1. O que realmente acontece no TDPM? Como ele é diferente da TPM?

O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é uma condição médica grave e crônica caracterizada por sintomas emocionais e psicológicos que ocorrem durante a fase lútea (a semana ou as duas semanas antes da menstruação) e geralmente melhoram quando o sangramento começa.

O TDPM é muito mais intenso do que a TPM e afeta uma estimativa de 3 a 8% das pessoas que menstruam. Ele pode ter um impacto significativo na saúde mental, nos relacionamentos, no trabalho e na qualidade de vida.

Embora a TPM e o TDPM possam causar sintomas físicos, como inchaço e sensibilidade nos seios, o TDPM se diferencia pela presença de sintomas emocionais e psicológicos intensos, incluindo irritabilidade extrema, raiva, ansiedade, depressão, mudanças de humor e sensação de estar sobrecarregada.

Uma das coisas mais frustrantes sobre o TDPM é que muitas pessoas percebem que suas reações parecem mais intensas do que o habitual naquele momento, mas essa consciência nem sempre é suficiente para diminuir a intensidade emocional.

Pessoas com TDPM não parecem ter níveis hormonais diferentes ou anormais. Em vez disso, pesquisadores acreditam que elas têm uma sensibilidade aumentada às mudanças hormonais normais que acontecem após a ovulação. Essas flutuações hormonais parecem afetar substâncias químicas do cérebro envolvidas na regulação do humor, incluindo a serotonina.

2. Como o TDPM pode afetar os relacionamentos?

O TDPM afeta os relacionamentos ao causar um período de maior sensibilidade emocional — muitas vezes chamado de “semana infernal” — que pode dificultar a comunicação, intensificar inseguranças e levar a um ciclo mensal de conflitos.

Muitas pessoas com TDPM descrevem a sensação de serem dominadas pelos próprios sintomas emocionais. É como se alguém aumentasse o volume de todas as emoções. Pequenas frustrações podem de repente parecer enormes, e preocupações com o relacionamento que pareciam administráveis na semana anterior podem se tornar urgentes e avassaladoras.

Não é incomum que pessoas com TDPM descrevam sentir que são uma versão diferente de si mesmas durante essa fase do ciclo. Alguém pode ficar mais sensível a críticas ou rejeições, ter mais dificuldade para regular as emoções ou começar a questionar relacionamentos que, em outros momentos, parecem seguros.

Isso pode, compreensivelmente, gerar tensão nos relacionamentos. O aumento da irritabilidade, da raiva, da ansiedade ou de sentimentos de desesperança pode dificultar a comunicação e aumentar a probabilidade de conflitos.

Um padrão que ouço repetidamente é de pessoas se perguntando se precisam sair do emprego, terminar um relacionamento ou mudar completamente suas vidas durante uma piora dos sintomas do TDPM — apenas para se sentirem muito diferentes quando a menstruação começa.

Monitorar os sintomas pode ajudar as pessoas a perceber quando o TDPM pode estar influenciando sua perspectiva.

Encontrar e entender padrões pode ser extremamente útil. Muitas pessoas consideram útil monitorar seus sintomas para antecipar quando eles provavelmente aparecerão, conversar abertamente com o parceiro ou parceira e evitar marcar conversas difíceis ou tomar grandes decisões sobre o relacionamento nos dias em que os sintomas estão mais intensos.

Muitas pessoas consideram útil “proteger o relacionamento” durante essa fase do ciclo planejando com antecedência. Isso pode significar:

  • Identificar gatilhos comuns

  • Combinar que determinados conflitos serão retomados quando os sintomas diminuírem

  • Avisar a outra pessoa com antecedência quando for necessário ter mais apoio ou mais espaço

Uma comunicação aberta pode ajudar os casais a entenderem o que está acontecendo e evitar interpretar os sintomas como algo pessoal.

Parceiros e parceiras também podem ter um papel importante. Em vez de tentar resolver os sintomas, uma das formas mais úteis de apoiar é ouvir sem julgamentos, ter paciência e perguntar que tipo de apoio é necessário.

Para algumas pessoas, isso pode significar receber mais segurança emocional ou ajuda prática com tarefas do dia a dia. Para outras, pode significar ter menos compromissos sociais, mais momentos de silêncio ou simplesmente sentir que sua experiência está sendo reconhecida.

Muita gente sente um afã de ter que resolver o problema, mas o que muitas pessoas com TDPM realmente precisam é sentir que são ouvidas e compreendidas.

Às vezes, a resposta mais acolhedora é simplesmente:

“Eu sei que esta é uma semana difícil para você. Como posso ajudar?”

Entender que o TDPM é uma condição médica real — e não uma falha de personalidade ou falta de autocontrole — pode ajudar ambas as pessoas do relacionamento a lidar com esses períodos difíceis com mais empatia e compreensão.

3. Existe alguma forma nutricional ou hormonal de tratar ou se preparar para os efeitos do TDPM todos os meses?

Não existe um tratamento único que funcione para todas as pessoas com TDPM, mas o transtorno pode ser mitigado. Os tratamentos mais eficazes geralmente são médicos, e não apenas nutricionais.

Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), um tipo de antidepressivo, são considerados tratamento de primeira linha e podem ser usados continuamente ou apenas durante a fase lútea para algumas pessoas.

Como os sintomas do TDPM estão relacionados à ovulação e às mudanças hormonais que acontecem depois dela, tratamentos que suprimem a ovulação também podem ajudar algumas pessoas. Alguns contraceptivos hormonais, incluindo aqueles que contêm drospirenona, demonstraram melhorar os sintomas do TDPM e são aprovados para seu tratamento em alguns países.

Dito isso, a contracepção hormonal não é uma solução universal. Ela pode transformar a vida de algumas pessoas com TDPM e não ajudar outras. Enquanto algumas pessoas sentem uma melhora significativa, outras percebem que os sintomas permanecem iguais ou até pioram.

Encontrar o tratamento adequado pode envolver tentativa e ajuste, e o que funciona bem para uma pessoa pode não funcionar para outra.

Hábitos de vida, como praticar exercícios regularmente, priorizar o bom sono, gerenciar o estresse e manter uma alimentação regular e equilibrada, podem contribuir para o bem-estar geral e o controle dos sintomas. No entanto, provavelmente não são suficientes para tratar completamente um TDPM moderado a grave por conta própria.

Algumas pessoas também percebem que reduzir o consumo de álcool durante a fase lútea ajuda a se sentirem emocionalmente mais equilibradas.

Embora alguns estudos tenham investigado suplementos como cálcio, vitamina B6 ou magnésio, as evidências ainda são limitadas, e essas abordagens não devem substituir tratamentos médicos baseados em evidências para pessoas com sintomas intensos.

Se os sintomas estiverem afetando seus relacionamentos, seu trabalho ou sua qualidade de vida, vale a pena conversar com um profissional de saúde. Se você percebe que teme a "semana infernal" todos os meses porque sente que não é você mesma(o), isso não é algo que você simplesmente precise suportar.

O TDPM é uma condição médica reconhecida, e existem tratamentos e formas de apoio disponíveis.

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