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Tempo de leitura: 5 min

O que a atualização de fertilidade de 2026 do NICE significa para pessoas com endometriose

Perguntas e respostas com a equipe científica da Clue

A endometriose agora conta com um protocolo clínico específico para fertilidade — mas será que pacientes notarão a diferença?

Em 2026, o Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados (NICE) do Reino Unido introduziu uma mudança significativa em suas diretrizes de fertilidade: a endometriose não é mais tratada como “infertilidade de causa desconhecida” e agora conta com um protocolo clínico específico.

A mudança reflete o crescente reconhecimento de que a endometriose afeta a fertilidade de maneiras distintas — e deve ser tratada de acordo com isso. Mas em que medida isso realmente melhorará o atendimento?

Conversamos com a especialista da Clue, Eve Lepage, para detalhar o que mudou, o que isso significa na prática e onde ainda persistem os desafios.

Pontos principais:

  • A endometriose agora tem seu próprio lugar nos percursos de fertilidade, reconhecendo que requer uma abordagem distinta, em vez de ser agrupada sob “infertilidade inexplicável”

  • Classificações como “leve” e “grave” foram removidas da tomada de decisões sobre fertilidade, pois não prevêem resultados reprodutivos de maneira confiável

  • O percurso de tratamento está mais estruturado, passando do manejo expectante (até dois anos) para a cirurgia ou tecnologias de reprodução assistida, como inseminação intrauterina e fertilização in vitro (FIV)

  • O acesso continua sendo uma grande barreira, já que o impacto dessas mudanças é limitado por longos atrasos no diagnóstico (em média, mais de 9 anos) e diferenças regionais no financiamento e na disponibilidade da FIV

1. Por que a atualização do NICE de 2026 é significativa para pacientes com endometriose?

A atualização do NICE de 2026 é significativa porque reconhece formalmente algo que pacientes e médicos já sabem há muito tempo: que a endometriose não é “inexplicável”.

Anteriormente, as pessoas com endometriose podiam ser agrupadas na categoria de “infertilidade inexplicável”, o que não refletia a complexidade da condição. Agora, o NICE concedeu à endometriose um lugar próprio no percurso de fertilidade, o que indica que ela requer uma abordagem mais personalizada.

Essa mudança é importante não apenas clinicamente, mas também em termos de validação. Ela reconhece que a condição em si é um fator significativo na fertilidade, e não algo incidental.

2. Como se apresenta o novo percurso estruturado para as pacientes?

A orientação atualizada introduz um percurso mais estruturado, mas com flexibilidade incorporada. Em geral, ele passa da abordagem expectante (tentar engravidar sem intervenção médica) para a consideração de cirurgia e, em seguida, para tecnologias de reprodução assistida, como a inseminação intrauterina (IUI) ou a FIV, se necessário.

A diferença é que o NICE enfatiza a tomada de decisão individualizada. Fatores como idade, reserva ovariana, sintomas e há quanto tempo a pessoa vem tentando engravidar devem orientar os próximos passos.

Outra mudança importante é o abandono do uso de termos como endometriose “leve” ou “grave” nas decisões sobre fertilidade. Esses rótulos não prevêem resultados de fertilidade de forma confiável, portanto, o foco está mudando para uma compreensão mais holística da situação da pessoa.

3. Como essa atualização melhora os cuidados de fertilidade para pessoas com endometriose?

Em teoria, ela cria um percurso mais integrado — do diagnóstico aos cuidados de fertilidade.

O NICE já havia atualizado suas diretrizes sobre endometriose nos últimos anos para apoiar a realização precoce de exames de imagem e o encaminhamento. Agora, com a atualização sobre fertilidade, há uma ligação mais clara entre a identificação da condição e a tomada de decisões sobre a tentativa de engravidar.

Isso deve ajudar a promover discussões mais precoces sobre os objetivos reprodutivos e reduzir as chances de as pessoas sentirem que estão lidando com a fertilidade sem um plano claro

4. Essas novas diretrizes farão diferença na prática?

É aí que as coisas ficam mais complicadas.

O próprio percurso é mais criterioso e mais centrado em pacientes, mas depende de as pessoas serem diagnosticadas com antecedência suficiente para que essas opções sejam significativas.

Na realidade, a endometriose ainda é frequentemente diagnosticada tardiamente, muitas vezes anos após o início dos sintomas.

O acesso a exames de imagem especializados, encaminhamentos e cirurgia também pode variar muito. Portanto, embora a diretriz melhore a estrutura, o impacto real dependerá da capacidade das pessoas de realmente terem acesso aos cuidados no momento certo.

5. Existem preocupações ou limitações?

Sim, algumas. Uma delas é a recomendação de considerar o manejo expectante por até dois anos. Isso pode ser apropriado para algumas pessoas, mas para outras, especialmente aquelas mais velhas ou com doenças mais complexas, pode significar a perda de tempo valioso.

Existem também restrições práticas. Cirurgias e tratamentos de fertilidade, como a fertilização in vitro (FIV), estão incluídos como opções, mas o acesso não é igualitário. Tempos de espera, diferenças regionais e limitações de financiamento podem afetar o que as pessoas realmente conseguem buscar.

Portanto, embora a diretriz apresente opções, essas opções podem nem sempre parecer disponíveis na prática.

6. O que a atualização significa, em última análise, para as pessoas com endometriose que estão tentando engravidar?

De modo geral, ela reflete uma compreensão mais matizada da infertilidade relacionada à endometriose. É um passo à frente no que diz respeito ao reconhecimento da experiência das pacientes e ao apoio a um atendimento mais individualizado. Mas também destaca uma lacuna entre o que as diretrizes recomendam e o que os sistemas de saúde podem realisticamente oferecer.

Para pacientes, isso significa que a experiência ainda pode variar bastante, dependendo de onde moram e da rapidez com que conseguem acessar os cuidados.

7. Qual é o maior desafio que ainda resta para as pessoas com endometriose que estão buscando engravidar?

De certa forma, o NICE aprimorou o mapa — mas a jornada ainda não mudou muito.

Atrasos no diagnóstico, longos tempos de espera e acesso desigual aos cuidados continuam sendo grandes barreiras. E esses fatores podem moldar a experiência de fertilidade de alguém tanto quanto a própria diretriz.

Portanto, esta atualização é um passo importante, mas não é o último.

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