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Tempo de leitura: 5 min

A perimenopausa é uma janela crítica para a saúde cerebral?

Explorando a relação entre as mudanças hormonais, a memória e o humor no estudo MappingPerimenopause.

Um novo estudo em Berlim está investigando como as alterações hormonais durante a perimenopausa afetam o cérebro, o humor, a memória e a saúde a longo prazo — e está atualmente recrutando participantes.

A perimenopausa é frequentemente associada a menstruações irregulares e ondas de calor. No entanto, algumas das maiores mudanças durante essa transição podem, na verdade, estar ocorrendo no cérebro (1).

A perimenopausa é a transição que se estende por vários anos e antecede a última menstruação. Durante esse período, os níveis de hormônios ovarianos flutuam e, eventualmente, diminuem, afetando quase todos os sistemas do corpo. Evidências crescentes sugerem que o cérebro pode ser particularmente sensível a essas mudanças hormonais (2).

Muitas pessoas percebem isso de imediato. O sono de repente fica perturbado. Concentrar-se parece mais difícil. O humor e a tolerância ao estresse mudam. Algumas pessoas experimentam ansiedade, problemas de memória ou “névoa cerebral”, uma confusão mental comumente relatada durante a perimenopausa (1,2). Outras passam pela transição com poucas mudanças perceptíveis.

É importante ressaltar que os hormônios reprodutivos moldam muito mais do que o ciclo menstrual. Os estrogênios influenciam regiões do cérebro envolvidas na memória, no humor e na regulação do estresse, e ajudam a proteger as células cerebrais ao longo da vida (2). Durante a perimenopausa, os níveis de estrogênio podem oscilar drasticamente, com padrões que podem parecer muito diferentes de pessoa para pessoa e até mesmo de um ciclo para o outro na mesma pessoa.

Para a maioria das pessoas, o cérebro é capaz de se adaptar a essas mudanças. No entanto, as mulheres enfrentam um risco ao longo da vida de depressão e doença de Alzheimer aproximadamente duas vezes maior do que os homens. E a meia-idade pode ser um período crucial em que esse risco começa a se manifestar (2). Isso levou a um interesse crescente em saber se as alterações hormonais da perimenopausa podem ter efeitos de longo prazo para algumas pessoas.

Apesar disso, ainda sabemos surpreendentemente pouco sobre o que está acontecendo no cérebro durante essa transição.

Por que o cérebro na fase perimenopausal é tão pouco estudado?

Uma razão para nosso conhecimento limitado é que a perimenopausa é difícil de estudar. Os hormônios flutuam drasticamente, os sintomas evoluem constantemente e os ciclos tornam-se cada vez mais irregulares.

A transição também pode durar um período imprevisível, de alguns anos a mais de uma década. Capturar essas mudanças dinâmicas, portanto, requer coleta repetida de dados ao longo de longos períodos e em uma população ampla e diversificada — um desafio nada pequeno.

Ao mesmo tempo, a pesquisa sobre saúde feminina tem historicamente recebido atenção e financiamento limitados, e as flutuações hormonais eram frequentemente tratadas como algo a ser controlado ou excluído, em vez de algo significativo a ser estudado por si só. Como resultado, muitos aspectos de como a perimenopausa afeta o cérebro, a cognição, o humor e a saúde a longo prazo permanecem mal compreendidos.

Mapeando o cérebro na perimenopausa

Para compreender melhor essas mudanças, nossa equipe de pesquisa da Charité–Universitätsmedizin Berlin lançou recentemente o MappingPerimenopause, um novo estudo longitudinal financiado pelo Conselho Europeu de Pesquisa.

Ao longo de três anos, o estudo acompanhará 300 participantes durante a transição da perimenopausa para compreender melhor como as mudanças hormonais se relacionam com o cérebro, a saúde mental, a cognição e o bem-estar geral ao longo do tempo.

O estudo combina múltiplas formas de dados clínicos e do mundo real, incluindo:

  • Imagens cerebrais (ressonância magnética)

  • Medições hormonais

  • Testes cognitivos

  • Medições de estresse

  • Análise do microbioma intestinal

  • Questionários e avaliações clínicas

  • Monitoramento do ciclo menstrual e dos sintomas

Usando o Clue, as pessoas participantes podem registrar e acompanhar como suas experiências — incluindo sono, humor e energia — mudam dia a dia ao longo dessa transição, ajudando a conectar as experiências vividas com as mudanças nos hormônios e na saúde cerebral ao longo do tempo.

A importância de novas pesquisas

A perimenopausa é frequentemente tratada como uma fase temporária da vida que se deve simplesmente “superar”. No entanto, evidências crescentes sugerem que ela também pode representar um dos períodos mais importantes e menos estudados na saúde cerebral das mulheres.

É por isso que estudos longitudinais maiores e mais detalhados são essenciais. Eles podem ajudar a esclarecer quais sintomas estão mais intimamente ligados às alterações hormonais, quais são moldados por fatores como estresse ou distúrbios do sono, e por que as experiências diferem tão drasticamente de pessoa para pessoa.

Com uma visão mais clara do que está acontecendo no cérebro durante a perimenopausa, os cuidados futuros poderão se tornar mais personalizados, ajudando as pessoas a reconhecerem as mudanças mais cedo, reduzir a tentativa e erro no tratamento e identificar quais tipos de apoio têm maior probabilidade de ajudar.

Você tem interesse em participar?

Ao combinar imagens cerebrais, medições biológicas e o acompanhamento de sintomas no mundo real ao longo do tempo, o MappingPerimenopause pode ajudar a reformular a forma como compreendemos — e, eventualmente, cuidamos — do cérebro na perimenopausa.

Se você mora em Berlim ou nos arredores, está na meia-idade e notou mudanças no seu ciclo, sono, humor, memória ou bem-estar geral, você pode ser elegível para participar.

Você pode encontrar todos os detalhes de elegibilidade e se inscrever para a triagem aqui (em alemão ou inglêas) ou entrar em contato pelo e-mail Mapping-Perimenopause(at)charite.de.

Você é pesquisador ou pesquisadora e tem interesse em colaborar com as pesquisas científicas do Clue? Para saber mais sobre como podemos apoiar seu trabalho, visite nossa página de pesquisas ou entre em contato pelo e-mail research@helloclue.com.

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