Ilustração: Marta Pucci

Contraceção Hormonal

Por que e como anticoncepcionais de emergência podem falhar

As pílulas do dia seguinte são eficazes, mas entenda os casos em que elas podem falhar

*Tradução: Juliana Secchi

Coisas importantes a saber:

  • Nos EUA existem dois tipos diferentes de pílula contraceptiva de emergência-a pílula do dia seguinte: uma delas está disponível sem restrições, já para a outra é necessário apresentar uma prescrição médica

  • Pílulas do dia seguinte de dose única evitam a gravidez entre 50-100% dos casos

  • Algumas razões pelas quais as pílulas contraceptivas de emergência podem falhar incluem momentos da ovulação em que não há como impedir a concepção, IMC (Índice de Massa Corporal) e interações medicamentosas

Na grande maioria das vezes os contraceptivos emergenciais funcionam, isso quando são ingeridos dentro do período recomendado após o sexo desprotegido.

Existem dois tipos de contracepção de emergência mais usados: pílulas anticoncepcionais de emergência (pílula do dia seguinte) e o DIU de cobre (1). Neste artigo vamos nos concentrar nas pílulas contraceptivas de emergência, que também são chamadas de pílulas anticoncepcionais de emergência ou pílulas do dia seguinte—usaremos esses termos alternadamente. (Se você tiver interesse em aprender mais sobre o DIU de cobre, pode ler sobre ele aqui. Além disso, em alguns casos, contraceptivos orais combinados (“a pílula”) também podem ser usados ​​como anticoncepcionais de emergência).

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A eficácia da pílula do dia seguinte pode ser difícil de avaliar, pois pode ser complicado saber se as pessoas estão ovulando, quando fizeram sexo e em qual dia do ciclo estão (2,3). Com base nos dados que os cientistas possuem, as pílulas anticoncepcionais de emergência de dose única são eficazes na prevenção da gravidez em cerca de 50-100% das vezes (3,4). (A faixa varia consideravelmente pois há muitos fatores para a fertilidade: as pessoas não engravidam todas as vezes que fazem sexo desprotegido e existem muitos aspectos diferentes que levam à concepção.)

Existem dois tipos de pílulas usadas ​​na contracepção de emergência (1), os quais descreveremos em mais detalhes abaixo.

Contracepção emergencial de progestina (também conhecida como levonorgestrel)

Disponível sem receita médica

Nos Estados Unidos, a pílula contraceptiva emergencial de progestina pode ser comprada em farmácias por pessoas de qualquer idade sem receita médica (1). Você deve tomá-la o mais rápido possível após o sexo desprotegido, mas ela tem maior eficácia se tomada dentro de 72 horas (1). Você pode tomá-la em até cinco dias após a relação sexual. Se você tomá-la entre três e cinco dias a eficácia é reduzida (1).

A forma como atua é atrasando a liberação do óvulo (ovulação), evitando que o espermatozoide o fertilize (5).

Pílula contraceptiva emergencial de antiprogestina (também conhecida como acetato de ulipristal)

Disponível mediante prescrição médica

As pílulas contraceptivas emergenciais de antiprogestina são a forma mais eficaz de pílula do dia seguinte (1) e estão disponíveis somente com receita médica. Essa pílula deve ser tomada o mais rápido possível após o sexo desprotegido (6), mas você pode tomá-la até cinco dias depois (1).

Essa pílula contraceptiva de emergência muda a maneira como a progesterona atua em seu corpo (1). Funciona prevenindo ou desacelerando a ovulação (1). Quando a ovulação é adiada ou interrompida, não há óvulo para o espermatozoide fecundar e a gravidez é evitada.

Como e por que contraceptivos de emergência falham?

Uma pessoa que toma anticoncepcional de emergência ainda pode ter uma gravidez. Aqui estão as três principais razões por que isso acontece.

1. Sua ovulação começou antes de você tomar a pílula

A contracepção de emergência depende totalmente do momento. É recomendável que você tome a pílula o quanto antes—se esperar muito tempo, poderá perder o período durante o qual a pílula pode ser eficaz.

Se você tomar logo após o sexo a pílula pode evitar que você ovule, caso ainda não tenha começado (1). Se você faz sexo no período da ovulação ou depois da ovulação, sua pílula anticoncepcional de emergência não terá efeito (7).

Se você fizer sexo desprotegido novamente depois de tomar a pílula no mesmo ciclo menstrual, ela também pode falhar (7).

2. A pílula do dia seguinte não funciona tão bem para o seu tipo de corpo

Os profissionais de saúde usam a escala de Índice de Massa Corporal (IMC) para agrupar as pessoas em categorias genéricas com base em altura e peso (8).

Estudos recentes mostram que pílulas anticoncepcionais de emergência são menos eficazes para pessoas com IMC igual ou superior a 30 (7,9). Pessoas com IMC igual ou superior a 30 que fazem uso de anticoncepcionais de emergência apresentam taxas de gravidez de 2 a 4 vezes maiores do que aquelas com IMC igual ou inferior a 25 (7,9). Contudo, mais pesquisas se fazem necessárias.

As pílulas contraceptivas emergenciais de antiprogesterona oferecem melhor prevenção da gravidez para pessoas com IMC igual ou superior a 30 do que as pílulas contraceptivas emergenciais de progestina (7). O DIU de cobre pode ser o método mais eficaz de contracepção de emergência para pessoas com IMC igual ou superior a 30 (1,7).

Embora a pílula do dia seguinte tenha taxas de eficácia mais baixas para pessoas com IMC mais alto, ela ainda evita a gravidez nesse grupo. Para prevenir a gravidez ainda é melhor tomar do que não tomar (9).

3. Você está tomando um medicamento que interage com anticoncepcionais de emergência

Medicamentos ou produtos fitoterápicos podem fazer com que pílulas anticoncepcionais de emergência se tornem menos eficazes (6,10).

Os seguintes medicamentos e ervas não devem ser ingeridos com pílulas anticoncepcionais de emergência (10,6):

  • Barbitúricos

  • Bosentan

  • Carbamazepina

  • Felbamato

  • Griseofulvina

  • Oxcarbazepina

  • Fenitoína

  • Rifampicina

  • Erva de São João

  • Topiramato

Certifique-se de verificar a bula do anticoncepcional de emergência para obter informações mais detalhadas. Contraceptivos hormonais também podem causar interações com a pílula anticoncepcional de emergência de antiprogestina. Falaremos mais sobre o uso tardio abaixo.

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O que fazer após tomar um contraceptivo de emergência

Contracepção emergencial de progestina (também conhecida como levonorgestrel)

Disponível sem receita médica

Depois de tomar a pílula contraceptiva emergencial de progestina, use um método de barreira tal como preservativos externos ou internos, ou não faça sexo por pelo menos sete dias (1). Você pode continuar ou começar a tomar anticoncepcionais hormonais (como pílula, adesivo, injeção ou anel), e começar imediatamente (1).

Pílula contraceptiva emergencial de antiprogestina (também conhecida como acetato de ulipristal)

Disponível mediante prescrição médica

Se você toma a pílula contraceptiva emergencial de antiprogestina, use métodos de barreira (como camisinhas) ou evite fazer sexo até a próxima menstruação. Se você deseja iniciar (ou continuar) a tomar um contraceptivo hormonal, espere até cinco dias após ter tomado a pílula anticoncepcional de emergência (1,11). (O anticoncepcional hormonal pode fazer com que a pílula contraceptiva emergencial de antiprogestina seja menos eficaz se tomada ao mesmo tempo (1,11)).

Após seguir essas precauções, você pode seguir normalmente com a sua rotina. Você não precisa de nenhum teste ou procedimentos de acompanhamento (1). Você nem mesmo precisa contar ao seu profissional de saúde (a menos que queira) (1). Se a sua menstruação atrasar mais de uma semana, faça um teste de gravidez para ter certeza (1).

O que acontece se você tomou um contraceptivo de emergência e engravidou?

Pílulas contraceptivas de emergência não afetarão a gravidez ou o feto (1).

Planejando daqui para frente

Pode ser uma boa ideia guardar uma pílula anticoncepcional de emergência para o caso de você precisar no futuro. Você pode solicitar ao seu profissional de saúde uma receita "por se acaso" ou pegar um comprimido sem receita na farmácia para manter em casa.

Não se esqueça—a pílula anticoncepcional de emergência, assim como o anticoncepcional hormonal, não previne infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Se você acha que pode estar sob risco de ISTs, sempre use um método de barreira ao fazer sexo e converse com seu profissional de saúde sobre fazer um exame para detectar ISTs.

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