Ilustração: Marta Pucci
Como é usar a pílula do dia seguinte
Pessoas compartilham suas histórias com contracepção de emergência

A pílula anticoncepcional de emergência também é conhecida como pílula do dia seguinte, mas não serve só para o dia seguinte.
As pílulas anticoncepcionais de emergência são mais eficazes quando tomadas logo após uma relação sexual desprotegida, mas ainda podem ter algum efeito por até 4 a 5 dias (96 a 120 horas), dependendo de em que fase do ciclo você está e de qual(is) pílula(s) você toma.
Pedimos para vocês compartilharem suas experiências com a pílula. Aqui está o que vocês disseram.
“Pedi a pílula e consegui.”
Decidi tomar a pílula do dia seguinte há cinco meses, depois que tive a sensação de que o preservativo tinha rompido. Fui a uma farmácia. Pedi a pílula e consegui. Foi uma experiência normal. Depois de tomá-la, tive algumas oscilações de humor. —Anônima, heterossexual, mulher, 21 anos, Mumbai, Índia
“Senti que tive que lutar para que me deixassem tomá-la.”
Tomei a pílula do dia seguinte há seis anos. Eu estava muito mal, o que tinha deixado minha menstruação estranha, e estava preocupada que o remédio que eu estava tomando tivesse interferido no meu anticoncepcional. Fui ao meu médico de família — senti que tive que lutar para conseguir tomar a pílula e fui levada a sentir que estava sendo paranóica e exagerando. Foi constrangedor. Depois de tomar, me senti culpada. Teria sido mais fácil para mim se tivesse um médico mais aberto e compreensivo, que não invalidasse minhas preocupações ou minha ansiedade com a saúde. —Anônima, bissexual, mulher, 24 anos, Inglaterra
“Precisa haver mais informações sobre os efeitos colaterais e possíveis complicações.”
Tomei a pílula do dia seguinte há cinco meses, em novembro de 2018. O preservativo rompeu e percebemos quando ele se retirou, e eu estava no meu período fértil. Decidi ir à farmácia. Eles me ofereceram todas as opções que tinham. Foi uma experiência tranquila. Depois de tomar, me senti calma, com um pouco de tontura, náusea e dor pélvica parecida com cólica menstrual.
É bom ter essas pílulas, mas precisa haver mais informações sobre os efeitos colaterais e possíveis complicações. Muitas garotas as usam como método contraceptivo. —Gabbs, heterossexual, mulher, 38, Cidade do México, México

Uma observação da Clue: a contracepção de emergência é para emergências
A contracepção de emergência não funciona tão bem quanto os anticoncepcionais orais e a maioria das outras formas de contracepção. De cada 100 mulheres que dependem da contracepção de emergência contendo levonorgestrel como principal método anticoncepcional, entre 11 e 20 engravidam em um ano (1).
“Eu tinha acabado de dar à luz meu primeiro filho.”
Quando tomei a pílula do dia seguinte, eu devia ter uns 27 anos. Era 2013. Eu tinha acabado de dar à luz meu primeiro filho, ainda não tinha retomado um ciclo regular e tive relações sexuais sem proteção. Eu não estava disposta a repetir a experiência da gravidez tão cedo. Fui à farmácia do shopping. Tive que preencher e assinar um questionário que exigia que eu confirmasse que conhecia os efeitos de tomar as pílulas (duas delas) e os riscos. Essa foi a única diferença em relação a qualquer outro medicamento de venda livre que já pedi.
Emocionalmente, acho que me senti bem. Já faz um tempo, mas imagino que teria me sentido um tanto pragmática em relação a não querer engravidar e ter tomado medidas para evitar isso. Fisicamente, tive algumas cólicas e sangramento, mas, fora isso, estava bem.
Acho que minha exposição relativamente alta a informações online e comunidades que discutem prevenção de gravidez e opções de interrupção de fato fez uma grande diferença na forma como encarei a situação na época. Eu sabia que estava disponível para mim e que era uma opção perfeitamente válida a ser considerada. —Anônima, bissexual, mulher, 33 anos, Cidade do Cabo, África do Sul
“O farmacêutico foi muito legal — não fez perguntas.”
Já tomei a pílula 3 ou 4 vezes. A última vez foi no mês passado. Meu parceiro e eu tivemos um deslize com a camisinha quando fizemos sexo, bem na época em que eu estava ovulando, e fiquei preocupada que o sêmen dele tivesse entrado na minha vagina. Fui à farmácia do centro de saúde da universidade onde trabalho. O farmacêutico foi muito legal — não fez perguntas (exceto para confirmar minha situação na universidade). [Não houve] nenhum julgamento aparente. Depois de tomar a pílula anticoncepcional de emergência, me senti bem. Antes, eu já tive sangramento (como uma menstruação leve) começando um dia ou dois depois de tomá-la, mas nada dessa vez. Essa foi uma das experiências mais fáceis e baratas que já tive ao conseguir a pílula. —Anônima, mulher, 32, New Haven, EUA
“Liguei para a farmácia e eles entregaram em casa.”
Tomei a pílula anticoncepcional de emergência há cerca de um ano, porque tive relações sexuais desprotegidas. No meu país (República Dominicana), não é necessária receita médica. Liguei para a farmácia e eles entregaram em casa. Depois de tomá-la, me senti normal. Só bagunçou os meus próximos 3 ciclos [menstruais]. —Anônima, queer, mulher, 28, Santo Domingo, República Dominicana
“Me senti aliviada por estar fazendo algo a respeito da situação e grata por ter essa opção prontamente disponível.”
Tomei a pílula do dia seguinte há alguns meses. O camisinha rompeu no meio do ato e eu tenho pavor disso, então queria me proteger—especialmente considerando em que fase do meu ciclo eu estava (bem no meio da janela de ovulação).
Eu quis tomar a pílula imediatamente, e meu namorado também perguntou se eu ia tomar. Fui a uma farmácia na estação de manhã (9 a 10 horas depois), sem problemas. A única coisa foi o preço: cerca de 19 euros por uma pílula Ella. Mas não tem problema nenhum pagar isso, se isso significa que estou aumentando muito minhas chances de não engravidar.
Depois de tomá-la, senti um pouco de sonolência, mas nada fora do normal, na verdade. Senti alívio por estar fazendo algo a respeito da situação e gratidão por ter essa opção prontamente disponível. Mais tarde, no mesmo dia, senti muito cansaço, mas não me lembro de ter tido cólicas, náuseas ou qualquer outra coisa. —Anônima, assexual panromântica, de gênero fluido, 23 anos, Leiden, Holanda
“Eu não sabia qual pílula tomar. Fiquei à mercê do farmacêutico.”
Tomei a pílula do dia seguinte há um mês, depois de ter tido uma noite de amor durante as férias. Eu estava na Islândia e fui a uma farmácia lá. O farmacêutico me chamou de lado, disse para eu ler o folheto, perguntou se eu tinha alguma dúvida e depois me deixou ir. Depois disso, me senti bem! Sem sintomas.
Um problema que tive foi que não sabia qual pílula tomar, fiquei à mercê do farmacêutico e não tinha certeza se tinha pegado a “certa”. —Anônima, bissexual, mulher, 23 anos, Baltimore, Maryland, EUA
Uma dica do Clue: Como escolher a melhor contracepção de emergência
Dependendo de quanto tempo depois da relação sexual você vai tomar a pílula, pode haver uma escolha melhor. As pílulas anticoncepcionais de emergência que contêm acetato de ulipristal são eficazes se tomadas até 120 horas após o sexo. As pílulas com levonorgestrel são eficazes até 72-96 horas após o sexo (1). Leia mais sobre a eficácia de diferentes anticoncepcionais de emergência.
“Depois, me senti um pouco cansada, mas não houve efeitos colaterais graves.”
Tomei a pílula em agosto de 2017. Decidi que queria tomá-la depois de usar o método de coito interrompido. Fui à farmácia da minha regi ão e não tive nenhum problema com a equipe. Depois, senti um pouco de cansaço, mas não tive efeitos colaterais graves. A experiência toda foi tranquila, considerando a situação. —Anônima, heterossexual, mulher, 21 anos, Malé, Maldivas
“[A farmacêutica] estava em treinamento e não foi muito tranquilizadora, dizendo coisas como ‘isso tem APENAS 99% de eficácia’.”
Tomei a pílula do dia seguinte há um ano e meio (duas vezes em um mês), quando o preservativo rompeu e só percebemos depois que ele retirou. Decidi tomá-la e fui à farmácia. Na verdade, tive que tomá-la em duas ocasiões.
Na primeira vez, a farmacêutica não me julgou de jeito nenhum e eu pude dizer a ela em que fase do meu ciclo eu estava. Ela foi bem informativa. Na segunda vez também foi tudo bem, mas ela estava em treinamento e não me deixou muito tranquila, dizendo coisas como “isso tem APENAS 99% de eficácia”, o que teria me deixado muito ansiosa se fosse minha primeira vez. Depois de tomar a pílula do dia seguinte pela primeira vez, senti náuseas e tonturas. Na segunda vez, em menor grau. —Michelle, pansexual, 22, Aberdeen, Reino Unido
Uma observação da Clue: a eficácia das pílulas anticoncepcionais de emergência varia
Os pesquisadores não sabem exatamente quão eficazes as pílulas anticoncepcionais de emergência são na prevenção da gravidez durante o uso em um único ciclo menstrual. As estimativas variam entre 47% e 100% em diferentes estudos, e a eficácia pode depender do tipo de pílula (1).
“Gostaria que as empresas fossem mais proativas em se posicionar e divulgar que oferecem pílulas anticoncepcionais de emergência.”
Tomei a pílula anticoncepcional de emergência há cinco anos. Quando joguei fora a embalagem do preservativo depois do sexo, percebi que o preservativo que usamos tinha vencido. Decidi que a pílula anticoncepcional de emergência era a melhor opção, já que nosso método de prevenção anterior poderia ter falhado.
Fui a uma Lawtons (rede de farmácias) local e pedi a pílula de emergência. Acho que pode ter havido um ou dois olhares de um dos funcionários mais antigos, mas o atendente que me atendeu fez um ótimo trabalho. Naquela época, eu estava tentando fazer a laqueadura, então lutar pelos meus direitos era algo a que eu já estava acostumada.
Depois de tomar a pílula, acho que tive um pouco de náusea e cólicas, mas no geral foi tudo bem. No entanto, ter um local feminista ou com uma postura positiva em relação à sexualidade para recorrer teria tornado a experiência melhor para mim. Se tivéssemos uma Planned Parenthood local ou uma clínica que fosse aberta sobre suas posições políticas, eu não teria ficado tão preocupada com a possibilidade de ter que lutar pelo acesso. Por ter trabalhado em abrigos de apoio, eu sabia que jovens, mulheres, pessoas trans e de gênero não binário enfrentavam discriminação na minha região ao tentar acessar o que deveria estar legalmente e prontamente disponível.
As farmácias deveriam ter essas pílulas prontamente disponíveis, e eu gostaria que as empresas fossem mais proativas em se posicionar e divulgar que as oferecem. Quando precisei, não queria perder tempo procurando farmacêuticos receptivos ou ligando para minha rede de amigos para ver quais farmácias eram solidárias e prestativas, e quais poderiam recusar os serviços aleatoriamente. —Amanda, queer/pansexual, mulher, 31, Halifax, Canadá
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