Ilustração: Emma Günther

Monitorização da fertilidade e planejamento familiar natural

Qual a eficácia?

*Tradução: Mariana Rezende

A monitorização da fertilidade, também chamada de planejamento familiar natural, é uma ferramenta usadas para engravidar ou para prevenir a gravidez (1 – 4). Ela pode ser feita a partir de métodos e estratégias diferentes, mas o objetivo é prever quando uma pessoa irá ovular (1 – 4).

Esses métodos são baseados nos fatos de que (A) alguém só pode engravidar se fizer sexo heterossexual desprotegido durante os seis dias anteriores à ovulação e durante a mesma (isso é chamado de janela de fertilidade) e (B) as pessoas ovulam uma vez por ciclo (5). A duração da janela de fertilidade é uma combinação do tempo que o pode viver dentro do útero (cerca de cinco dias) e a vida útil de um (12 a 24 horas

No Clue app, você tem a opção de habilitar a visualização dos seus dias potenciais de ovulação. Esta é apenas uma estimativa e pode nunca ser seu dia exato de ovulação, servindo para quem busca engravidar e para fins educativos, não podendo ser usada para evitar a gravidez. Não é verdade que você só pode engravidar no dia da ovulação, então você deve sempre usar alguma forma de contraceptivo se você não quer engravidar.

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Imagem de três telas mostrando o aplicativo Clue

A monitorização da fertilidade baseia-se em diferentes indicadores rastreáveis, entre eles:

  • Registrar a [temperatura corporal basal (TCB)—a temperatura do corpo da pessoa sobe cerca de 0,3 a 0,6 graus Celsius no começo da fase lútea (isto é, a segunda metade do ciclo, depois da ovulação). Registrar a TCB não é um método de monitorização confiável isoladamente, uma vez que a subida na TCB somente indica para uma pessoa que ela já ovulou e não quando ela vai ovular. No entanto, rastrear o dia que a TCB aumenta de mês a mês pode ajudar uma pessoa a estimar quando poderá ovular no próximo ciclo.

  • Monitorar o muco cervical—o muco cervical muda durante o ciclo menstrual em resposta ao estrogênio e a progesterona, e normalmente aumenta quando uma pessoa está se aproximando da ovulação ou está ovulando. Um muco parecido com clara de ovo geralmente sugere que a ovulação está para acontecer em breve ou aconteceu no dia anterior, sendo o muco cervical mais grosso e grumoso um indicativo de que a pessoa já ovulou.

  • Monitorar seu ciclo menstrual usando um calendário ou aplicativo, como o Clue

  • Usar testes de urina do hormônio luteinizante (LH)—o LH tem seu pico 24 horas antes da ovulação e esse hormônio pode ser detectado em testes de urina caseiros (1 – 4).

Alguns métodos de monitorização bastante conhecidos incluem:

  • O método rítmico—esse é mais antigo e é baseado no uso do calendário. Uma pessoa deve acompanhar seus ciclos menstruais por pelo menos seis meses antes de usar esse método. Depois de ter rastreado muitos ciclos, uma pessoa deve usar o ciclo mais longo e o mais curto para determinar o tempo de maior probabilidade de estar fértil e deve evitar fazer sexo ou usar uma segunda forma de contracepção. Se seus ciclos não são regulares e têm entre 26 e 32 dias, esse provavelmente não é um bom método para você. Não existe nenhuma estimativa atual para a fiabilidade do método rítmico.

  • Método de dias padrão (Standard Day Method)—este método é parecido com o método rítmico. Em suma, a pessoa deve evitar fazer sexo ou usar um segundo método contraceptivo do oitavo ao décimo nono dia do ciclo (contando que o primeiro dia do ciclo é o primeiro dia da menstruação). Se seus ciclos não são regulares e têm entre 26 e 32 dias, esse método não é recomendado. De cada 100 pessoas, cinco engravidarão por ano se fizerem o uso perfeito desse método, que é atualmente considerado como um contraceptivo moderno pela Organização Mundial de Saúde.

  • Método de dois dias—a pessoa que usa este método deverá analisar os tipos específicos de muco cervical durante todos os dias do ciclo. Se ontem e/ou hoje a pessoa tem um muco escorregadio ou parecido com clara de ovo, ela está potencialmente fértil e deve evitar o sexo. De cada 100 pessoas, quatro engravidarão por ano se fizerem uso perfeito desse método.

  • Método de Billings—Similar ao método de dois dias, o método de Billings, ou método de ovulação, usa o muco cervical para estimar o período fértil. A pessoa deve registrar as descrições de seu muco cervical em um gráfico e seguir um conjunto de regras que determina quando podem fazer sexo. De cada 100 pessoas, três engravidarão por ano se fizerem uso perfeito desse método.

  • Método Sensiplan (também conhecido como método sintotérmico)—este método usa o muco cervical e as leituras de TCB para determinar a janela fértil do ciclo de cada pessoa. Um pouco menos do que uma pessoa em cada 100 engravidará por ano se fizer o uso perfeito desse método.

  • Acompanhamento da fertilidade através de um aplicativo—essas ferramentas são relativamente novas e não são métodos em si, mas normalmente usam estimativas do calendário e da TCB, e às vezes outros sintomas contabilizados, além de testes de hormônios luteinizantes, dentre outros. As estimativas de quantas pessoas engravidam anualmente variam dependendo de cada aplicativo e quão rigoroso cada um é estudado e testado. (6 – 10)

Embora a taxa de eficácia, ou "uso perfeito", para tais métodos seja alta, o uso correto e consistente dessas ferramentas pode ser desafiador, de modo que a taxa de eficiência, ou "uso típico", é provavelmente muito mais baixa.

Qual é a eficácia da monitorização da fertilidade como método contraceptivo?

A maioria das pessoas não faz o uso perfeito dos métodos de monitorização (nem de muitas outras formas de contracepção), portanto estima-se que suas taxas de eficácia (ou seja, o que vemos tendencialmente na prática) é menor. O quanto menor, no entanto, é questionável. Métodos diferentes provavelmente tem taxas de eficácia diferentes, mas alguns estudo estão analisando os tipos individuais (por exemplo, os métodos de dias padrão ou de dois dias) para saber quão generalizáveis são os resultados.

Além disso, muitos fatores podem afetar as taxas de eficácia e existe variabilidade entre estimativas de eficácia dos tipos de monitorização da fertilidade. Estas incluem indicadores de pesquisa, o ciclo menstrual de uma pessoa e a precisão das medidas feitas pela pessoa que os usam.

Indicadores de pesquisa

O formato de estudos podem ter um forte impacto nos resultados. Na pesquisa de contraceptivos, é comum agrupar todos esses tipos de monitorizações, uma vez que menos pessoas os usam do que outros métodos contraceptivos. Por isso é estimado que uma em cada quatro pessoas que confiam nestes planejamentos familiares naturais como método contraceptivo engravidará em um ano (6), uma vez que qualquer pessoa que indique seu uso está agrupada em uma única categoria.

Isso significa que uma pessoa que não acompanha muito bem seus ciclos e se abstém de fazer sexo só de vez em quando, está agrupada com uma pessoa que evita o sexo durante toda a sua janela fértil e está rastreando a TCB e/ou muco cervical regularmente com um programa bem definido (como o método dos dias padrão ou o sensiplan). É improvável que essas duas pessoas percebam a mesma eficácia no uso de seu respectivo tipo de monitorização e planejamento familiar.

A duração e o número de pessoas que se manteve inscrita em um estudo também teve um impacto nas taxas de eficácia e eficiência (6). Em muitos estudos, metade ou mais dos participantes desistiram ou deixaram de monitorar adequadamente. ou seja, os pesquisadores não sabem o que aconteceu aos participantes. (6 – 10)

Embora os participantes possam ter um bom motivo para querer desistir (eles não apreciam o método, querem engravidar etc), essa desistência pode dificultar para os pesquisadores a previsão precisa da eficácia do método para todas as pessoas ou sua eficácia somente para as pessoas que permaneceram no estudo. As pessoas que permanecem em um estudo podem ser diferentes do participantes desistentes de muitas maneiras. Por exemplo, as pessoas que permanecem podem fazer um melhor uso de métodos anticoncepcionais do que as que desistiram, podem fazer sexo com menos frequência (e, consequentemente, ter menos risco de engravidar), ou podem ser mais velhas ou menos férteis do que as pessoas que desistiram (6).

Em um estudo que estima a taxa de eficácia de um aplicativo móvel focado em fertilidade, cerca de cinco em cada 10 pessoas abandonaram o estudo antes de um ano e cerca de 400 pessoas deixaram de fazer acompanhamento (10). Pela forma que o estudo foi conduzido, os pesquisadores não sabem se as pessoas que ficaram tinham menos riscos do que as que desistiram, seja por fazerem menos sexo ou por algum outro motivo. Suas estimativas de taxas de gravidez devem ser dadas como um intervalo, ao invés de um número absoluto, tendo em conta que eles não sabem exatamente o que aconteceu com muitos dos participantes. Infelizmente, esse é um problema comum nas pesquisas de monitorização de fertilidade e que pode gerar uma percepção incorreta sobre a eficácia do método.

Ciclos menstruais

Alguns métodos de planejamento familiar natural, como o método de dias padrão, são altamente influenciados pela regularidade do ciclo menstrual de uma pessoa. Infelizmente, esses métodos nem sempre podem prever com precisão a ovulação antes da pessoa entrar na janela fértil. Esses tipos de planejamentos supõem quando uma pessoa entrará nos dias férteis com base em ciclos passados ou informarão que a pessoa está ou já saiu da janela fértil.

Métodos de monitorização baseados em calendários, tais como o método dos dias padrão, são usados por pessoas com ciclos muito regulares. Esses métodos pressupõem que cada ciclo é igual ao ciclo anterior. Isso pode funcionar, mas a maioria das pessoas tem alguma variabilidade na duração de seus ciclos e ocasionalmente tem ciclos pouco atípicos. Stress, jet lag e turnos de trabalho noturnos podem causar ciclos irregulares ocasionais (11 – 13). Da mesma forma, as pessoas que estão se aproximando da menopausa ou que estão na adolescência têm maior probabilidade de ter ciclos irregulares e nem sempre é óbvio quando uma pessoa entra ou sai dessas fases de sua vida. Às vezes, ciclos atípicos acontecem sem motivos óbvios.

Precisão na medição

Métodos sintotérmicos combinados têm as maiores taxas de eficácia para contracepção entre os métodos de planejamento familiar natural (6, 7). O rastreamento da TCB e do muco cervical acabam por ser formas incômodas de monitorar a fertilidade, porque seu uso requer medições diárias, geralmente uma ou duas vezes por dia, além de leituras altamente precisas. Por exemplo, rastrear a TCB exige que uma pessoa meça sua temperatura imediatamente ao acordar (ou após outro período de descanso prolongado) e o uso do método de dois dias requer a verificação do muco cervical pelo menos duas vezes ao dia (2). Se uma pessoa não fizer isso consistentemente, seus registros e estimativas não serão confiáveis.

Mesmo que uma pessoa verifique regularmente seus sinais de fertilidade, as medições podem não ser precisas. A TCB, em particular, é afetada pelo sono e por doenças (1, 2) e, portanto, os registros feitos quando uma pessoa não dormiu bem ou está doente não são confiáveis.

As estratégias de monitorização da fertilidade se tornam mais confiáveis quando se amplia o período de abstinência após a janela fértil, que é o que muitas diretrizes formais para métodos de combinação (como o método de dias padrão) sugerem. Embora a janela fértil biológica seja de cerca de seis dias, uma pessoa usando planejamento natural e monitorização pode adicionar dias à sua janela fértil potencial para compensar a variabilidade. Isso tem um custo, no entanto; quanto mais dias forem acrescentados à potencial janela fértil, menos dias a pessoa pode fazer sexo sem outra forma de contracepção.

Novamente, aumentar a janela fértil dessa maneira só funciona para pessoas que têm uma quantidade limitada de variabilidade. Para uma em cada cinco pessoas cuja variabilidade de duração do ciclo é de 14 dias ou mais, ou para pessoas na perimenopausa ou na adolescência, o alargamento da janela fértil em potencial pode não oferecer proteção suficiente contra a gravidez indesejada (14).

Para quais tipos de pessoas os métodos de monitorização de fertilidade podem ser uma boa opção?

O uso de certos tipos de monitorização de fertilidade pode ser muito trabalhoso, mas para algumas pessoas pode valer a pena. Eles não têm efeitos colaterais, são gratuitos ou baratos de usar e podem ser interrompidos ou iniciados sem a ajuda de um profissional de saúde. Para as pessoas com dificuldades financeiras ou de acesso, com restrições religiosas ou que simplesmente não querer usar outros métodos contraceptivos, esse planejamento familiar natural a partir da fertilidade é uma alternativa eficaz (1 – 3).

No entanto, é importante observar que as pessoas com ciclos menstruais irregulares e/ou com menos de 18 anos ou mais de 40, tendem a não ser incluídas em pesquisas sobre o tema (6 – 10). Portanto, é difícil determinar a eficácia dos métodos de monitorização entre esses grupos de pessoas.

Além disso, como o planejamento a partir da fertilidade não protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), eles provavelmente não são os métodos certos para pessoas que fazem sexo com múltiplas pessoas e/ou quem não fez os devidos exames.

A monitorização de fertilidade junto de um segundo método

A monitorização de fertilidade usada em conjunto com outras formas de contracepção, como preservativos ou espermicidas, podem diminuir o risco de gravidez, sobretudo se a pessoa evita completamente o sexo durante a janela potencialmente fértil e usa outro método em qualquer outro momento (1 – 3). O uso de camisinhas em conjunto com o planejamento a partir da fertilidade também reduz o risco de transmissão de ISTs.

Por que registrar a temperatura corporal basal (TCB) no Clue?

O uso isolado do Clue não é recomendado como contraceptivo. A TCB e os testes de ovulação podem ser usados para melhorar as estimativas que o Clue faz da duração do seu ciclo, da duração da fase lútea, dos dias potenciais de ovulação e da ovulação, mas elas servem mais para fins informativos e para ajudar você a entender seu ciclo, seu corpo e sua saúde.

Artigo originalmente publicado em 14 de dezembro de 2017.

ilustração da flor do Clue app
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