Fotografia via Pexels
Além do sexo: o que mulheres assexuais procuram em um relacionamento
Como a assexualidade nos ajuda a compreender o que molda preferências em termos de relacionamentos e parceiros e parceiras
Muitas pessoas assumem que a atração sexual é parte central da experiência humana — moldando a forma como namoramos, formamos parcerias e nos apaixonamos. No entanto, as pessoas experimentam a atração de muitas maneiras diferentes.
Pessoas assexuais experimentam pouca ou nenhuma atração sexual. Mas o que isso significa para suas vidas românticas? Como as mulheres assexuais abordam o namoro e o que elas valorizam em um parceiro ou parceira?
Para explorar essas questões, pesquisadores da Universidade de Tilburg, da Universidade de Göttingen e do Instituto Leibniz para Trajetórias Educacionais em Bamberg fizeram uma parceria com a Clue para entender melhor como as mulheres assexuais pensam sobre relacionamentos e parceiros(as) ideais.
Estudando relacionamentos sem atração sexual
A atração sexual é frequentemente considerada uma força fundamental na escolha de um(a) parceiro(a) (1). Estudar pessoas que experimentam pouco ou nenhum desejo sexual nos dá uma oportunidade única de fazer uma pergunta mais profunda: o que motiva as preferências de relacionamento quando a atração sexual não é um fator principal?
Analisamos dados da Pesquisa sobre Parceiro(a) Ideal (Ideal Partner Survey), um grande estudo internacional. Nossa amostra incluiu 390 mulheres assexuais de 38 países, cujas respostas foram comparadas com um grupo correspondente de mulheres heterossexuais. As participantes compartilharam em que tipos de relacionamentos estavam interessadas e o que procuravam numa pessoa ideal.
Diferentes caminhos para a conexão
Algumas das diferenças que encontramos eram esperadas. Em comparação com as mulheres heterossexuais, as mulheres assexuais estavam menos interessadas em relacionamentos puramente sexuais, como encontros casuais. Elas também eram menos propensas a se interessar por relacionamentos monogâmicos tradicionais ou em se tornar mães.
As mulheres assexuais eram mais propensas a preferir relacionamentos emocionalmente íntimos sem atividade sexual.
Muitas estavam mais abertas a formas não tradicionais de conexão, incluindo parcerias platônicas ou relacionamentos consensualmente não monogâmicos. Essas descobertas destacam um ponto importante: atração sexual e atração romântica nem sempre andam de mãos dadas. Alguns indivíduos assexuais também podem se identificar como aromânticos (o que significa que não experimentam atração romântica), mas muitos se identificam — e desejam relacionamentos íntimos e comprometidos — apenas não necessariamente sexuais.
Repensando como é um “bom relacionamento”
Para mulheres assexuais, um relacionamento ideal pode parecer diferente da norma cultural. A proximidade emocional, a confiança e a companhia podem ter prioridade sobre a intimidade física. Em alguns casos, a não monogamia consensual ou parcerias emocionalmente íntimas, mas não sexuais, podem oferecer maneiras de construir conexões significativas sem a pressão de se envolver em sexo.
Mulheres assexuais geralmente se mostram mais abertas a permanecer solteiras do que mulheres heterossexuais. Para algumas, isso pode refletir os desafios reais de namorar em um mundo onde a atração sexual é frequentemente presumida — especialmente quando o(a) outro(a parceira(as) não é(são) assexual(is) e as expectativas em torno da intimidade física precisam ser negociadas.
Para outras, particularmente aquelas que se identificam como assexuais e aromânticas, ser solteira pode ser uma escolha positiva e intencional. Em vez de representar uma falta de conexão, isso pode oferecer maior independência e um modo de vida que se alinha melhor às suas necessidades e valores.
O que é importante em um parceiro ou parceira ideal?
Quando questionadas sobre características específicas em uma pessoa para longo prazo, as mulheres assexuais tenderam a classificar a maioria dos traços como menos importantes do que as mulheres heterossexuais. As maiores diferenças foram em torno da atratividade física, experiência sexual, confiança e assertividade — características frequentemente enfatizadas na cultura do namoro.
Curiosamente, ambos os grupos valorizaram a educação e a inteligência igualmente.
Isso não significa que as mulheres assexuais não se importam com a aparência ou a personalidade. Em vez disso, sugere que, quando a atração sexual não é uma força motriz, as pessoas podem abordar os relacionamentos com expectativas diferentes — e sentir menos pressão para priorizar características tradicionalmente “desejáveis”.
A assexualidade inclui muitas experiências
É importante enfatizar que as mulheres assexuais não são um grupo homogêneo.
A assexualidade abrange uma ampla gama de subidentidades e experiências (2,3). Algumas pessoas nunca sentem atração sexual, outras a experimentam somente após formar um forte vínculo emocional (demissexualidade) e outras se situam em algum ponto intermediário, como os indivíduos cinza-sexuais. Da mesma forma, algumas mulheres assexuais experimentam atração romântica, enquanto outras não (4).
Nossas descobertas mostram que a atração sexual limitada ou ausente desempenha um papel significativo na formação das preferências de relacionamento e no que as pessoas procuram em alguém — mas é apenas uma parte de um quadro muito maior. Reconhecer e incluir experiências que muitas vezes foram negligenciadas é essencial para construir uma compreensão mais completa e inclusiva da intimidade humana, dos relacionamentos e do bem-estar.
Gostaríamos de expressar nosso sincero agradecimento a todas as usuárias do Clue que participaram desta pesquisa. Ao compartilharem suas experiências, elas ajudaram a promover a compreensão da assexualidade e das experiências de relacionamento das mulheres.
Você pode ler o artigo completo da pesquisa aqui.
Se desejar saber mais sobre o que a Pesquisa sobre Parceiro(a) Ideal revelou, confira nosso artigo complementar que explora como a idade molda as preferências das mulheres em relação a parceiros e parceiras em todo o mundo.