Ilustração: Katrin Friedmann

Sexo

Espermatozoides e óvulos: tudo sobre as células sexuais humanas

O que você não aprendeu na escola.

por Clár McWeeney, Ex-Editora de Conteúdo do Clue; e Nicole Telfer, Autora Científica
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*Tradução: Juliana Secchi

As pessoas fazem sexo por prazer, reprodução ou ambos. A gravidez acontece quando um óvulo e um espermatozoide se encontram de forma bem sucedida, através de relação sexual ou fertilização in vitro. Mas vamos ao básico: o que exatamente são os óvulos e espermatozoides? Com o que eles se parecem e quantos deles nós temos?

A primeira coisa a saber: óvulos e espermatozoides são gametas.

Coisas importantes a saber: células sexuais

Um gameta é uma célula sexual que contém metade do material genético (haplóide), mas como uma célula normal do corpo. Assim, em humanos, em vez de ter 23 pares de cromossomos, um gameta contém apenas 23 cromossomos singulares não emparelhados. A raiz do seu DNA!

Um humano tem apenas 1 ou 2 gametas:

célula do ovo (óvulo) — a célula sexual feminina

ou

espermatozoide — a célula sexual masculina madura

Cada gameta é geneticamente único, já que os cromossomos são misturados e distribuídos de uma nova forma toda vez que um gameta é formado. Esse processo se chama meiose.

Esses gametas contêm uma cópia exclusiva de metade dos genes da fonte. Quando a fertilização acontece, um óvulo se funde e combina material genético com um espermatozoide para criar um conjunto completo de DNA cromossômico, com 23 pares de cromossomos. Esse é o projeto que gera uma pessoa única e totalmente nova.

Agora, de onde vêm os óvulos e espermatozoides e como eles se desenvolvem?

Quantos óvulos eu tenho?

Os óvulos estão entre as maiores células do corpo—cada óvulo tem 0,1 mm, o que parece bem pequeno, mas na verdade é visível a olho nu (1).

Você já nasceu com todos os óvulos que serão liberados durante a sua vida reprodutiva, uma média de cerca de 590.000 óvulos inativos (2).

Essas células reprodutivas imaturas são conhecidas como oócitos e são formadas nos seus ovários quando você ainda é um feto no útero (2-4). A maturação dos óvulos ocorre durante a puberdade, assim que você inicia seu ciclo menstrual. Nesse ponto, seus ovários podem desenvolver e liberar um óvulo maduro através de um processo mensal chamado ovulação. Cada óvulo liberado é capaz de ser fertilizado pelo espermatozoide nas trompas de Falópio. Se não for fertilizado dentro de 24 horas após a liberação pelo ovário, não será mais viável e será eliminado pela sua menstruação.

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Qualidade do óvulo

Sua contagem de óvulos começa a diminuir assim que eles são criados—enquanto você ainda está em gestação no útero (1,4).

Embora você tenha nascido com cerca de 590.000 óvulos, isso é ainda menos do que você tinha enquanto era um feto de 18 a 22 semanas no útero de sua mãe—cerca de 600.000 óvulos (2).

Variados estudos descobriram diversas faixas de população de óvulos ao longo da vida de uma pessoa, variando de dois milhões de óvulos presentes no nascimento até apenas dezenas de milhares (2). Por esse motivo, destacamos apenas uma média estimada de óvulos disponíveis com base em dados de diferentes estudos e pesquisadores—cada pessoa será diferente.

Para onde estão indo todos esses óvulos?

Todo óvulo dentro de seus ovários é fechado dentro de um folículo ovariano, que é um saco de células que rodeiam cada óvulo. Essas células foliculares ajudam a preparar um óvulo para a ovulação e fecundação, produzindo e respondendo a hormônios. Quando você começa a menstruar, sua contagem folicular fica em torno de 200.000 (1,2).

Apenas cerca de 500 folículos liberam um óvulo durante a sua vida reprodutiva (1).

Todo mês, um óvulo de sorte se desenvolve completamente e é enviado para uma potencial fertilização, mas os outros que não são selecionados para ovulação sofrem morte celular programada (atresia folicular) e são reabsorvidos—cerca de 400 a 500 óvulos expirados por mês (1).

Os espermatozoides

Ao contrário do óvulo, os espermatozoides estão entre as menores células do corpo masculino. O espermatozoide é meticulosamente e continuamente criado com a intenção de fertilizar um óvulo (3).

Um único espermatozoide se parece com um girino e é composto por uma cabeça, pescoço, peça central e cauda, e mede de 40 a 250 μm de comprimento—essa unidade de medida é micrômetro, isto é, super pequeno (1).

No início da puberdade, as células reprodutivas imaturas chamadas espermatogônias passam pelo processo de espermatogênese, onde começam a se multiplicar rapidamente e continuam a se dividir e se dividir para ao final desenvolver esperma maduro, o espermatozoide (3).

O processo de maturação do esperma ocorre em tubos longos e apertados nos testículos, chamados túbulos seminíferos.

Em média, apenas alguns dos bilhões de espermatozoides liberados durante a vida reprodutiva de um homem terão a chance de fertilizar um óvulo (3). Competição acirrada!

Quanto tempo vive um espermatozoide?

A partir da puberdade, os espermatozoides são constantemente produzidos nos testículos a uma taxa muito rápida—até 1.000 espermatozoides por segundo (1)—é um monte de espermatozoide!

Mas esse processo não é instantâneo. Demora várias semanas para o novo espermatozoide se tornar totalmente móvel e amadurecer nos testículos (1,3).

Uma vez que os espermatozoides foram produzidos, eles são movidos para fora das vesículas seminais e para dentro do epidídimo, um tubo enrolado, longo e bem apertado que fica no topo e ao longo da lateral dos testículos. Os espermatozoides são então armazenados no epidídimo e continuam a amadurecer, ganham a capacidade de nadar e esperam aqui até a ejaculação (1).

Após a ejaculação, o espermatozoide pode fertilizar um óvulo por até cinco dias, embora as chances de gravidez com espermatozoides “antigos” sejam muito menos frequentes (7).

Outro estudo encontrou espermatozoides vivos e em movimento após cinco dias em muco cervical humano armazenado em laboratório (8).

Esses estudos mostram que, uma vez ejaculado, o espermatozoide pode sobreviver e seguir funcional por até cinco dias no trato reprodutivo. Eles não ficarão vivos por esse mesmo tempo nos seus lençóis.

Quantos espermatozoides existem em uma única ejaculação?

Ao contrário dos óvulos, o espermatozoide é constantemente produzido ao longo da vida reprodutiva. O número de espermatozoides em uma única ejaculação varia de 40 a 500 milhões—a média é de cerca de 182 milhões (1). Para cada óvulo ovulado, são produzidos cerca de 1 bilhão de espermatozoides (1).

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Qualidade do esperma

No entanto, a maioria dos espermatozoides ejaculados morrem ou são incapazes de fertilizar (1).

Segundo a OMS, 90% do volume de sêmen consiste em secreções de órgãos sexuais auxiliares (próstata, vesículas seminais e glândulas bulbouretrais)—a maior parte do sêmen não é esperma (9).

O fluido dos órgãos sexuais auxiliares que compõem a maior parte do sêmen é chamado plasma seminal, que é alcalino, espesso e rico em frutose açucarada como nutriente para o espermatozoide (1).

Pesquisas mostram que o aumento da idade está associado à diminuição da qualidade do espermatozoide. A qualidade do espermatozoide inclui sua motilidade (capacidade de atingir um óvulo), estrutura e volume de sêmen (10). O número de espermatozoides e a concentração por ejaculação variam individualmente, com algumas pessoas tendo baixa contagem ou ausência de espermatozoides (1). Quando se trata de idade e eficácia, a Sociedade Americana de Fertilidade recomenda um limite de idade de 50 anos para doadores de sêmen (11).

Ovários, testículos e além

Algumas pessoas nascem com órgãos reprodutivos ambíguos e/ou características sexuais dos corpos masculino e feminino. Isso é conhecido como intersexo. Não houve casos documentados em que uma pessoa tenha ambos ovários e testículos funcionais.

A fertilidade para todos os gêneros é uma combinação de muitos fatores, incluindo idade, dieta, genética, uso de substâncias, níveis de estresse, doenças e fatores ambientais (1).

Tanto as pessoas com testículos quanto com ovários têm muitos espermatozoides e óvulos, mas apenas um pequeno número dessas células serão usadas na formação de outro ser humano.

Artigo originalmente publicado em 14 de Novembro de 2017.

Ilustração de um microscópio

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